Declaração Cafeana

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Cabo Verde é um Estado de direito democrático. Cabo Verde está razoavelmente bem classificado nos índices e estudos internacionais relacionados com o respeito pelos direitos humanos. Cabo Verde é um país onde se pode falar, opinar, debater de forma livre e sem constrangimentos de maior. É um exemplo para África. Por isso mesmo, percebe-se pouco esta aliança «estratégica» com um país que tem, segundo se pode ler nesta notícia do jornal Público «um dos mais autoritários e brutais líderes africanos: Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Presidente da Guiné Equatorial.» (Fonte: aqui)

O perfil do Presidente da Guiné Equatorial diz, entre outras coisas, «O Presidente da Guiné Equatorial, no poder desde 1979, é atualmente o segundo líder africano que há mais tempo se mantêm no cargo, apenas atrás do dirigente líbio Muammar Kadhafi (1969), e à frente por meses do angolano José Eduardo dos Santos. (...) Obiang, que nasceu a 05 de junho de 1942 em Akoakam-Esangui, no distrito de Mongomo, no nordeste do país, é considerado um dos governantes mais ricos e corruptos do mundo, com uma fortuna estimada em mais de 600 milhões de euros. (fonte: aqui)

Não entendo, portanto, certas alianças.

A decisão da UNESCO de recusar o prémio que patrocinado por esta figura tão querida foi uma boa notícia, mesmo que o próprio a tenha considerado, em declarações ainda em solo cabo-verdiano, «uma aberração». Bem, aberração é um prémio de três milhões de dólares ser oferecido por o Presidente de um país onde muitos dos seus 680 mil habitantes sobrevivem com menos de um dólar por dia, abaixo do nível mínimo da pobreza e onde a esperança de vida é de apenas 49 anos.

Primeiro, com as privatizações das principais empresas cabo-verdianas, depois, com o escândalo do banco insular (e continuamos sem saber quem é quem e quanto dinheiro se meteu no bolso nesta negociata), depois com a história dos terrenos, das urbanizações, das zonas de desenvolvimento integrado (ou lá o que é), a sensação que o arquipélago está à venda é inevitável. Pelos vistos, já não são apenas os terrenos.

Com esta visita lamentável e o anúncio de mais uma «aliança estratégica», apadrinhada pelo Presidente Pedro Pires, apetece mesmo gritar: o meu reino por uma gota de petróleo!

Shakespeare não diria melhor.

Imagem: Ala Marginal





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5 comentários:

Helena Fontes disse...

Quando não se entende JB é melhor não dizer nada...
É como a história da vuvuzela e da bola de futebol do Mundial de 2010,ninguém gosta, porquê?

Se calhar por ser tudo made in na África do Sul.

Agora as cornetas infernais que se ouve nos jogos aqui na Europa é tudo fixe, é tudo legauuuu, como diria o brasileiro.

Nesta história da GE saibamos primeiro a história, e depois compreendamos a posição do PP, para entender a sua defesa da integração da GE na CPLP.

Agora se é ditadura e se respeita os direitos humanos, vamos lá verificar e não ficar no diz que diz da imprensa internacional europeia e americana, pois como sabes há muito petróleo na GE...

E além disso JB sempre no quadro da CPLP poder-se-á pressionar para que se faça a tal brincadeirinha da democracia, voto neste e aparece aquele...

Há que ter cuidado com certos dizeres... Minha opinão como respeito a tua, JB

;)
Helena Fontes

Unknown disse...

«Vamos lá verificar»? Oh Helena, francamente. Vamos ser sérios, se não ainda parecemos o Presidente do Irão (outra bela peça) que andou a dizer que o Holocausto nunca existiu.

Pois, foi tudo uma invenção nossa.

Anónimo disse...

Olha eu propunha que antes que se fala do Holocauto vamos lá verificar e contas as ossadas nos antigos campos de concetração.
Ditadura em Cuba ? Eu acho que antes de "irmos atrás da imprensa internacional" que vamos lá verificar.
Mas quem falou em Ditadura na Correia do Norte ? Quem ? Antes de irmos atrás do que se diz por ai "vamos lá verificar".
Regime Ditatorial na China ? Brincadeira não é ? Já forem lá "verificar" ?
Regime de Democracia de Fachada em Angola ? (Primeira volta das eleições presidências foi há mais de 10 anos!). Vamos lá verificar ou quê ?
Eis o que essa Sr.ª Helena diz trocado por "miúdos".
Vamos ser pragmáticos:
O tal ditador da Guiné Equatorial tá isolado no Mundoo. Tem dinheiro que não sabe o que há de fazer com ele. O Presidente de Cabo Verde é um tipo simpático, com algum respeito da comunidade internacional, vai ser daqui a alguns mesitos dos poucos presidentes africanos que cumpre os dois mandatos consecutivos como presidente e sai da presidenência de "Livre vontade". E aqui está uma razão para um bom casamento : O ditador é podre de rico mas é mal amado por toda a gente, o bonzinho PP é querido mas o país não tem onde cair morto.

Portanto aqui não há porcaria nenhuma para se "verificar" eles têm dinheiro, nós precisamos de dinheiro. Fazemos esse casamento de conveniência, esquecemos essas tretas de democracias e direitos humanos e tá andar ...

Paulo Silva

Anónimo disse...

Agora é qe não entendi NADA, ou entendo sim...TÁMOS A VENDA E PRONTO! Não interessa de onde e como vem o Dinheiro é isso???

Paulo de Lelinha disse...

bleargh!!>>>>> (vomitei)