Blog Joint: Declaração Cafeana

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A prostituição não tem nada de poético. E mesmo considerando o caso de mulheres (ou homens) que vendem o corpo e o utilizam para o comércio sexual gostando do que fazem, não estamos a falar de poesia, mas simplesmente de pessoas que gostam tanto de sexo que não se importam de fazer disso um negócio. A maioria, não tenho dúvidas disso, importa-se e se tivesse outra alternativa viável, certamente não deixaria de aproveitar (desde que isso não implicasse muito trabalho, bem entendendido!)

Em relação a isso, não me parece que Mindelo seja assim uma cidade tão diferente das outras.  É um local onde esta realidade é visível, só não vê quem não quer e facilmente se constata que existem diversos níveis de prostituição. As profissionais que se assumem. As profissionais  mais discretas. Aquelas que são putas, mas não são bem porque antes do negócio estabelece-se entre elas e o potencial cliente, (de preferência europeu, solteiro e com dinheiro), uma espécie de romance que às vezes dá mesmo em casamento (o maior dos negócios!) e as muitas outras que se encontram numa espécie de limbo.

Quando saiu no semanário  A Nação uma grande reportagem sobre «as macacas» da cidade do Mindelo foi um rebuliço na cidade porque estamos a falar de uma urbe basofa que nunca gostou muito de se ver ao espelho, principalmente se este reflecte algum traço menos agradável à vista, coisa que nem todos os espelhos fazem. Entenda-se por «macacas», jovens mulheres, sofisticadas q.b., com altos vestidos e raros perfumes, que se fazem «garotas de programa» por valores nada negligenciáveis. Numa linguagem assim mais brejeira ou popular, diríamos que são as putas finas da cidade. Eu amo a minha cidade, mas há que dizê-lo: Mindelo é daqueles lugares onde deitar o lixo para debaixo do tapete e assobiar para o lado se tornou uma especialidade.

A crise e as mentalidades - uma mistura tremenda - fizeram nascer outros fenómenos que, bem vistas as coisas, não são assim tão recentes quanto isso, ou não fosse esta considerada a profissão mais antiga do Mundo. O relato, arrepiante, de que num dos bairros da cidade basta assobiar e lá aparece uma menina, muitas vezes menor de idade, disponível para fazer sexo oral em troca de cinquenta escudos - mais ou menos o preço de um café (a expressão «dar um café» aplica-se aqui muito bem), mostra-nos que este mundo da prostituição tem muito pouco de poético.

Mindelo é também, e ainda, uma cidade cheia de Lolitas. E quem conhece o amargo e genial romance de Vladimir Nabokov sabe que este pode ser muito bem escrito (e é), mas de poético, tem muito pouco.









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2 comentários:

Tiago disse...

Um homem decide apanhar duas “mulheres da vida" e levá-las à Kapital – para quem não conhece, trata-se de uma discoteca “bem” para gente “bem”, em Lisboa. À entrada, o porteiro diz-lhe discretamente que não pode entrar com aquelas senhoras. «Porquê?», pergunta-lhe o homem. O porteiro, muito educadamente, diz-lhe: «Então, o senhor queria entrar com duas putas!?». O homem responde-lhe: «Putas, não! Estas senhoras são prostitutas, putas são todas as que estão lá dentro!».

Rosi disse...

Uma vez ouvi uma frase que fiquei meio inquieta " Well we all pay for sex one way or another. At least hookers are honest about the price." será?