Declaração Cafeana

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Desde as estrondosas vitórias eleitorais de Onésimo Silveira nas suas primeiras batalhas autárquicas que os candidatos procuram utilizar a mesma fórmula de vitimização sustentada num abandono das autoridades centrais em relação a S. Vicente. A força do então autarca estava alicerçada nessa assunção de que estaríamos perante um político que estava ali para colocar os interesses da ilha acima de tudo e de todos. Tanto foi assim que quando o até então invencível autarca volta para concorrer contra Isaura Gomes, mas desta vez a defender as cores de um partido instalado nesse mesmo poder central que tanto havia atacado, se viu derrotado de forma inapelável.

Por outro lado, o conhecido candidato a tudo e a todas as eleições de Cabo Verde do chamado partido charneira também veio com o mesmo discurso durante várias campanhas misturando umas pitadas de sentidos apelos aos pobres e remediados desiludidos com as grandes forças políticas e conseguiu com isso vereadores, deputados e algum capital político que tem vindo a desbaratar à mesma velocidade com que não toma posição sobre coisa alguma e se disponibiliza para concorrer a uma eleição seguinte, abandonando os cargos anteriores para os quais havia sido eleito. 

E se há algo que tem caracterizado o eleitorado de S. Vicente no historial das eleições é o de ser imprevisível podendo, em eleições próximas, dar vitórias a lados opostos da barricada partidária. Por isso vejo com alguma ironia essa tentativa actual dos candidatos ao cadeirão da Praça da Igreja voltarem com a mesma cantilena de que todos os males que afectam a ilha tem responsáveis de fora. Pode pegar com alguns mas duvido que convençam a maioria. É que corremos o risco de estarmos tão habituados a deitar as culpas nos outros que nos esquecemos de olhar para nós próprios. E isso, sim, seria a morte do Mindelo enquanto cidade capaz, orgulhosa, criativa e ousada que todos queremos que não deixe de ser.     



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2 comentários:

JP disse...

A longevidade política do Sr. "Dobradiça" a que fazes alusão no segundo parágrafo não cessa de me espantar. Já quando me cruzei com ele numa famosa empresa nacional dava para perceber que estava ali só até saltar para outro poleiro. E assim foi, de poleiro em poleiro vai enchendo o papo. Até quando?

JB disse...

Até quando? Até quando nos deixaremos enganar?