Declaração Cafeana

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Portugal acabou de assistir à maior encenação dos últimos anos. Maior do que esta, talvez só aquela que ocorreu durante o Euro 2004 e que teve o Scolari como principal mentor e encenador, com as suas bandeirinhas nas varandas. Mas há que pensar como é que um Estado, constitucionalmente laico, gasta tantos e tantos recursos para receber um líder espiritual, por mais importante que ele seja para o seu povo.  O Dalai Lama, que aqui esteve há bem pouco tempo, é que se deve estar a rir com tudo isto. Há que pensar como é que um Estado, que se encontra praticamente na bancarrota e se prepara para sacar o 13º mês aos funcionários públicos, pára de produzir durante três longos dias, para que esse mesmo povo pudesse apreciar o espectáculo da alienação total e absoluta.

A principal e mais emblemática praça da cidade de Lisboa, a Praça do Comércio, foi o local escolhido para a missa. Com recursos do Estado, claro. Milhares de polícias foram mobilizados para promover a segurança de um homem, colocado na posição de santo sem o ser, com recursos do Estado, claro. Foi distribuído à população um livrinho com o guião da missa, ponto por ponto, com todos os pormenores: quando fala o santo padre, quando responde o povo, quando genuflexe o santo padre, quando levantam as mãos o povo, tudo marcado, como uma grande encenação, paga por um Estado hipócrita, que pede sacríficios e nos remete para esta despendiosa grande produção de 3 longos dias.

Edifícios públicos foram completamente cobertos com a cara do santo padre, os autocarros dos transportes públicos levavam todos bandeiras do Vaticano que, entretanto, ficou certamente mais rico, com as cadeiras forradas a ouro onde se sentou o santo padre uma única vez, com o microfone banhado a ouro por onde falou o santo padre uma única vez, com os pratos onde comeu a sopa o santo padre uma única vez, todos eles também banhados a ouro. Uma ostentação que vai contra o pouco que conheço da mensagem de Jesus Cristo,  como aliás uma visita ao museu do Vaticano facilmente nos faz compreender.

Podem chamar embirração, o que quiserem. Mas estas manifestações fizeram lembrar outros tempos. Tristes tempos. Em que Estado Novo e a Religião Castólica se encobriam mutuamente para manter um regime fascista. E não deixa de ser significativo que o bispo português citado pelo santo padre numa das suas interenveções tenha sido o Cardeal Cerejeira, um dos maiores terrores de quem, naqueles dificeis tempos, lutou (e morreu) pela liberdade e pela democracia. Nem de propósito. 

Numa das suas falas, na missa de Lisboa, falou assim o santo padre: «confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes, por pensamentos e palavras, actos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa.» Isso já nós sabíamos, e ouvido assim até comove o mais incauto. Mea culpa, mea culpa. E eu peço desculpa a quem goste e se possa ofender com a presente declaração, mas eu não confio, não gosto deste homem, como nunca confiaria, nunca teria qualquer simpatia, por quem tenha encoberto, de forma continua, velada e consciente, actos hediondos contra crianças inocentes.





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22 comentários:

Sarabudja disse...

João,
foi distribuído um livrinho com todas as acções? Qu'és ver que era um manual de flash mob, tão na moda, e o XVI e restante pessoal se cortaram? oh pá, era muito bom. Concordo contigo nos pensamentos e sentimentos e relação a toda a esta, hummm, coisa que se criou à volta da vinda do papa.
Respeito as crenças de todos e qualquer um, mas faço o meu caminho e a minha FÉ não se compadece com estes faustos e com estas coisas.
Aqui vai a minha bufadela:
http://sarabudjadeideias.blogspot.com/2010/05/hoje-foi-dia-santa-hoje-foi-dia-di.html

nmribeiro disse...

Sobrescrevo na integra, muito bom texto

Nivaldo Vicente disse...

eu perguntaria: e quem elegeu o catolicismo como a religião de 'todos nós'!! Como seria se o representante máximo de uma outra religião (ainda que minoritária) visitasse o país? Teria as mesmas regalias?
Quem paga estas facturas? O estado, ou por outras palavras, os contribuintes (para variar) católicos, protestantes, judeus, budistas, islâmicos, ateus, cépticos...
37 milhões de euros: é esse o custo diário da visita da 'Santidade'...confere http://economico.sapo.pt/noticias/visita-de-bento-xi-custa-37-milhoes-por-dia_89213.html

Catarina disse...

BRAVO!!!

Anónimo disse...

João,
É mais do que pura embirração…” Encenação”, “espectáculo da alienação total e absoluta”, “dispendiosa grande produção”, “… Vaticano que, entretanto, ficou certamente mais rico”, “… o Cardeal Cerejeira, um dos maiores terrores de quem, naqueles difíceis tempos, lutou (e morreu) pela liberdade e pela democracia”. Admito, que possa ter sido um daqueles dias em que só nos apetece escrever tolices.

Acusar a Igreja de encobrimento dos casos de pedofilia é uma coisa, agora a pessoa deste Papa é pura má fé, é algo sem fundamento, como foi posteriormente provado com a desmontagem das notícias publicadas nos jornais americanos e ingleses.

Sendo tu, um homem de Cultura, acho estranho que te sintas assim quando escreves sobre Bento XVI, tanto mais que, este Papa é um verdadeiro homem de Cultura, uma sumidade intelectual, além de exímio pianista. Este é o Papa que mais atenção tem dado e recebido, do mundo da Cultura e da Ciência. Este é o Papa que abriu o “Pátio dos Gentios” para que a Igreja recebesse todos os homens de Cultura independentemente de credos e raças. Acho estranho!
Paulo

Unknown disse...

QUI SINE PECCATO VESTRUM PRIMUS EST
EM MITTAT LAPIDEM ILLAM...

Carla disse...

JOão não podia estar mais de acordo.
e olha que sou católica, mas um ser que acoberta actos de pedofilia vai contra tudo aquilo que acredito (e que Jesus pregou).além disso, dizem que o homem já foi defensor do nazismo por isso.....
.....como dizia a outra, papa só de for de milho com leite de cabra.

Grace disse...

E eu assino por baixo. Como se diz em bom criolo: hipocresia nesse terra te d'mas

Unknown disse...

Paulo, não há nada a estranhar, basta ver os comentários aqui postados. 37 milhões de euros POR DIA. Se isto não é uma grande e cara produção, num estado LAICO, não sei o que é... Depois, o que me interessa que ele tenha sido pianista com o passado que tem? Não deixes que a tua fé numa determinada religião te tolde o raciocínio. A maioria das guerras feitas em nome de algum deus, começaram dessa forma...

abraço

Anónimo disse...

João,
Esse número é uma piada, e vou-te explicar como foi calculado: os feriados e as pontes de 2010 (22, no total) representam 1% do Produto Interno Bruto (o que corresponde a 1,60 mil milhões de euro). Assim se chega aos 72 milhões de euros por um dia, ou aos 36 milhões por meio-dia. Mas isto é pura desonestidade intelectual, porque a tolerância de ponto foi concedida apenas à função pública, que são 12,5% da população activa. Se este critério de valorização é válido, são apenas 4,5 duvidosos milhões de euros. Os números que têm alguma credibilidade são os 0,2 M€ da CM de Lisboa e 0,7 M€ de Ourém e Fátima, a que podes somar 0,1 M€ de publicidade e talvez outros 0,1M€ de outros custos, estamos assim a falar de 1 ou 2 milhões de euros. Quantos aos outros (forças de segurança, exército, força aérea) são custos fixos, estão sempre lá, com Papa ou sem Papa. Mais uma vez, muita má fé.

Quanto à maioria dos comentários hostis, conhecendo bem o mundo de hoje e Cabo Verde em particular, não estranho. O actual Papa tem preparado os católicos europeus para resistirem como minoria na Europa do relativismo e do neo-paganismo. Um dia falaremos das consequências da recente descristianização de Cabo Verde.

Quanto ao teu jacobinismo, deve estar no ADN… há casos assim,
mas és um anfitrião cordial,
Um abraço,

Paulo

Unknown disse...

Ah Paulo, caro Paulo! E sobre a cobertura dada por altos dignatários do Vaticano a actos de pedofilia dentro da Igreja, nada? Também é «desonestidade intelectual» fazer referência a eles?

É que no caso de pedofilia, meu caro, eu não dou a outra face.

Anónimo disse...

THANK GOD I AM NOT RELIGIOUS!

I am no hashish smoker and I am not even restating the famous Marx saying that religion is the opium of the people. To each his own belief, poison, delusion or fantasy though I do know this can be a luxury in Africa where tyrants can ban Christmas, declare Christianity a crime, proclaim Islam a religion of slave drivers. I am proudly saying thank God I am not religious, with what that implies not escaping me, because far too many crimes and foolishness of grave proportions are being committed in the name of religion. I am also aware that religion is being used as a convenient cover to shun away from politics and ignore one's responsibilities to the country and the people.
An Iranian cleric declares that earthquakes are caused by women who are scantily dressed and provoke males to pre martial sex and maybe the excited body movement disturbs the earth's balance. One other cleric had years ago declared that women and men in the same bus means thousands of sins per day as they accidentally or knowingly brush against one another. Somali hard line Islamists, (a curse on that easygoing people), have banned all music and no Somali can hear foreign broadcasts from America or Britain or hum a song. Grim existence is in, wail or lament but no singing at all. An unpopular French president wages war against the sad polls by declaring all out war on Burka or Niqab wearing women (a few thousand or so) while millions want him to wage serious war against economic hardships and some right wingers want him to send off the whole African and Arab "invading horde".

Anónimo disse...

A teenage woman is stoned to death in Mogadiscio after being raped by the hardliners themselves who then allege that she has committed adultery and religion calls for her death in this brutal manner. An old Nigerian MP marries a 13 years old girl and hides behind religion to cover his crime. In this same Nigeria some years ago, a woman called Amina lawal narrowly escaped stoning thanks to international protest action. Amina Lawal was at the time of the trial a 30-year-old divorced woman who was said to have confessed to conceiving a child while single. She was sentenced to death by stoning in March, 2002 in Katsina state under a new law that considers pregnancy outside of marriage as grounds for being convicted of adultery. Sudanese journalist Lubna Hussein was to be whipped for wearing trousers in public. The Taliban cut throats and disfigure by acid the faces of innocent young girls who go to school all the time using religion as a cover. A man in France is a bona fide polygamist and declares he is devout but no religious law of his forbids him from having many women as mistresses. Where we see oppression of women we find religion buttressing or being used to justify the injustice. And take the Catholic priests all over the world giving paedophilia a strong Vatican ointment. The Crusaders and the followers of Saladin did all the terrible things they did some centuries ago but their example lingers on. The passage of time and all claims of civilizations become illusory, of no significance. States with aspects of theocracy are still present from the Vatican (Holy See) to Iran. Lebanon was almost destroyed because of a divide that was also religious and Hamas- Hizbollah and Israel also confront over a religious divide and not merely for territory. Philippines, Thailand and Indonesia are beset by religious problems as was Ireland.
Thank God I am not religious! Murderer Joseph Kony calls his criminal horde the Lord's Resistance Army and claims God talks to him often (in addition to the spirits of whom one is called "who are we?") and has ordered him to cut off the ears and lips of people especially of those who ride bicycles. What has God got against bicycles? At least Alice Lakwenya, his relative, used to claim outright she was a witch! In the past we have had Pope Pius V the Grand Inquisitor who had thousands murdered, Saint Dominic (the king of torture as he was later called) who had pain machines invented and tortured to death so many, Saint Pedro Arbires the Spanish Inquisitor who wiped out Jews, the Vatican Pope in Mussolini's time who blessed the Italian troops on their way to invade Ethiopia (and kill one million in the process). Ethiopian kings, of whom the most notorious in this respect was Atse Yohannes, murdered many in the name of religion as did the Dervishes and the Mahdists. The Ayatollah of our time had many Bahai believers hanged and fanatics in Punjab sodomized and beat to death a Christian barber for cutting the beard of a Moslem. Lebanon was wrecked by religious conflict and Nigeria is having its share too as we write and the spectre hangs like the sword of Damocles over Ethiopia too. The corrupt leaders in Riyadh sin against their religion but invoke this same religion to mutilate, decapitate and hang poor people like the Ethiopian woman they hanged in public. Afghan elites are allowed even by their wives to sodomize young boys of 7 to 12 years of age. Here is what one angry blogger wrote on the subject: "Businessmen, warlords, and police officials seem to be the biggest consumers of Bachi Bazi, or boyplay. The prominent and successful men are introduced to the boys at Bachi Bazi parties. The men sit cross-legged and watch the boys, dressed as young women, do their elaborate dances. Afterwards, they are given out to the highest bidders for sex. The government is so corrupt that all attempts to stop the practice have proved to be half-hearted — even less.

Anónimo disse...

Reporter Najibullah Quraishi bravely dogged Northern Alliance Commander, Dastager, following this notorious sodomizer as he met young men he wished to have in his harem. “How many boys have you had?” asked Quraishi. (he had clearly meant sexually). “About 2,000 or 3,000,” said Dastager, who appears to be about 40.
Things are no different where the Taliban holds sway. In John Krakauer’s book about Pat Tillman (the man who chose service to his country over a $3.6 million football contract), it’s reported that each Taliban fighting group maintained a cook’s boy — a field kitchen helper of 12 or 13, who’s duties went beyond cuisine".
The sex abuse scandal of the Catholic Church has now reared its head in Africa, from Kenya-- Uganda to Mozambique and South Africa though it should be said the scandal involved European priests as the local ones ( realistic chaps), in their majority, father children and even die of AIDS with absolutely no regard for Rome's chastity laws.
It is fair to admit that non religious wars have killed more people than the ones attributed to religion. However, the use of God or Allah to justify the crimes of thugs has become too common for comfort.

Anónimo disse...

In Africa, we are forced to note that the guerrillas or rebels taken as exotic and liberators in the sixties and seventies ( many were flawed even then to state the truth) have now been turned into all out thugs and criminals (Renamo and UNITA are almost looking benign compared to the RUF, LRA. Al Shabab, etc). In Somalia, the fanatics wrecking that country claim to be soldiers of God, followers of America's nemesis (Osama Bin Laden) or, even worse, more radical than Osama (no quarter giving Salafists). Religious fanatics have gone against science many times and it is no surprise to hear Iranian clerics accuse women for earthquakes occurring all over the world. The followers and monks of Saint Cyril beat to death a woman scientist Hypatia and we all know the fate of Galileo. How many women have been burnt to death as witches? The spectre of religion is haunting us in Africa and the omen is not very positive. Africa hardly needs more division and conflict on religious grounds but that is what is being fanned not only in the Horn but in other African regions. Banning music, killing off women who are not covered up, throwing acid on the faces of young women going to schools, cutting the throats of journalists and intellectuals, attempting to murder writers and educators--this is not progress, serving God or being religious. Sarah Palin echoes many rightists and calls for American law to be based on a certain sort of Judeo Christian "Sharia": our laws should be based on the God of the Bible and the Ten Commandments! We remember the slave trade was justified as Christian by the churches and priests of the time and Apartheid was backed by the South African Boer churches. I had in the past suggested that our politicians should wear the Burka--we do not want to see their ugly faces anymore. No one has taken my advice. Gaddafi suggested that Nigeria should be divided on ethnic and religious lines--that Tripoli man has failed to be original and his "get divided" prescription has, as expected and as his ridiculous Green Book, received no support. Joan of Arc was referred to as a woman who went mad for God but remember where she ended up-- burnt to death and her monument in Paris is presently a gathering place of unholy fascists. Parties of God or parties of religion (Hezbollah or Hizb al Islam or Christian Democrats) are more than suspect and more problems than part of the solution. The Lord never said He wanted a Resistance Army or a Party in His name, or did He? Africa's experience with Bible wielding missionaries has not been, to put it mildly, nice. Religion was used as a sleeping pill (is the tse tse fly Christian or Moslem?) enabling the colonialists to steal countries as Africans went down on their knees, wept and prayed and, to re-quote the late Senghor, "slept the sleep of the Negro"!
With all due respect to all those who love their religion I have to say thank God I am not religious as being religious these days is, more often than not, spelling disaster, hate, division and fatal weakening of Africa and her hapless people. No need to ask anyone in Jos, Nigeria. Mind you, despite my indignation, I have not yet called for a violent action against the criminal Archbishop/ in Fatima nor sent a letter of support to the daring Atheist who demanded the arrest of the Pope (when he visits Britain) and his being charged for "crimes against humanity".

Anónimo disse...

Quanto à pedofilia na Igreja o Papa não podia ter sido mais claro esta semana, acho que disse tudo.

"A novidade que podemos descobrir hoje, nesta mensagem, reside também no fato que os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora, mas que os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de re-aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça. O perdão não substitui a justiça."
Palavras de Bento XVI em 11/05/2010

Paulo

argumentonio disse...

sem branquear: há actos e custos inaceitáveis nesta visita papal

assente isto, há actos e custos exponencialmente mais inaceitáveis noutras manifestações e na sociedade em geral - o que nada desculpa mas põe as coisas no lugar certo e deixa à luz velada alguma sanha injustificada

é claro que estamos longe de ser perfeitos e a crítica é sempre bem vinda, sobretudo se for construtiva, mas vamos lá então a organizar uma sociedade melhor, com melhores religiões e melhores Estados, para então se perorar sobre as relações entre tais ideais de religiões e Estados

agora em concreto, de todas as críticas do post, a menos compreensível é a do local da missa: a Praça do Comércio é sagrada, foi cuidadamente concebida para sacralizar um espaço para além do tempo na busca de uma "Nova Jerusalém!

é difícil encontrar local mais adequado para receber o Papa e para o Papa celebrar aos seus fiéis

cada um é livre de não acreditar, certamente por boas razões e melhores credos, mas o que é que custa aprender com os demais? o que é que custa tentar compreender os demais? o que é que custa tolerar os demais?

;_)))

Unknown disse...

Paulo, só lhe fica bem. Mas dito isso é preciso agir. O perdão não substitui a justiça. Faça-se então justiça. O primeiro passo seria o Papa renunciar, já que estará envolvido nalguns desses encobrimentos. Isso sim, seria uma atitude nobre.

Paulino Dias disse...

Alô João,

Se me permite meter a minha foice nesta seara, em jeito de desabafo: devo dizer que já fui um fervoroso católico praticante, daqueles de rezar o terço todo o santo dia, ir à missa aos domingos ali na igreja Salesiana, carregar vela em procissões com o olhar compadecido de quem carrega as culpas do mundo nas omoplatas em acto de contrição...

Depois houve qualquer coisa que se quebrou dentro de mim. Costumo dizer que uma conspiração de "pequenas coisas": o ter começado a estudar a Inquisição nas aulas de História ali na Escola Técnica + aquele papo marxista que o meu irmão mais velho teve comigo + aquela tarde em que, no meio do terço, uma senhora toda religiosa levanta-se toda comovida para atender o telefone e ao perceber que era um trote de carnaval manda o fulano f... a p... da sua mãe e outras p... que pariu entre um Padre Nosso e uma Avé Maria... + o ter iniciado a leitura da Biblia (que ainda trago na cabeceira da minha cama)...

Claro que são insignificâncias e não podem condenar, por si sós, uma religião inteira. Mas a mim, João, fizeram com que eu me afastasse um pouco da prática do catolicismo. Detesto hipocrisias. Ao ler a Biblia, pude perceber o quanto distante está a Igreja Católica do discurso de Jesus Cristo. A Igreja, o Vaticano, esta coisa pomposa em que se transformou (ondê o espírito do homem da manjedoura???). Por isso nunca mais os pés numa Igreja, por isso nunca mais peguei num terço, por isso tenho uma dificuldade imensa em acreditar neste Deus que me tentam enfiar goela adentro. Hoje assumo-me frontalmente como agnóstico. Melhor dizendo: fui conhecendo outros Deuses ao longo da minha caminhada, deuses intimistas em pequenos momentos ao cair da tarde ali em Fajã, deuses companheiros, silenciosos amigos que nos acompanham, deuses com quem falo sem precisar passar por Suas Santidades, Rabinos de Sinagogas, enviados de Alá, Buddas dourados e quejandos.

É, claro está, uma opção pessoal, assim como respeito a opção pessoal da minha mãe que ainda assiste à sua missa lá em Povoação e, sempre que posso, vou lá levá-la até à porta da igreja...

Estes deuses que hoje me habitam, João, são mais simples, feitos de pequenas coisas do dia a dia - respeitar o outro, dar sempre o melhor de si, ser companheiro dos teus companheiros, amigos dos teus amigos, amar o próximo...

A Igreja Católica precisa voltar a ler a Bíblia, meu caro João...

Um abraço,

Grace disse...

Concordo plenamente contigo Paulino Dias, comigo aconteceu-me o mesmo.
A hipocresia que hoje habita na igreja conseguio quebrar a minha fé, mas graças aos pequenos milagres do dia-a-dia consegui reencontra-la.
A mim pessoalmente, intristece-me a falta de humanidade e de espiritualidade que mtas vezes está presente nas missas, a falcidade é palpavel.
Mais uma vez, dou-te a razão Paulino Dias, precisam urgentemente ouvir a palavra de Deus e lembrarem, que são apenas o seu representante e não o Deus em si.
Deviam ser eles a darem o exemplo e negarem tanta ostentação. A bibía diz que Deus fez o homem a sua imagem e semeliança, e se é verdade, o Papa, com todas as riquezas materiais, sua suprioridade e sua santidade, esta a ficar mais superior do que Deus.

carlos rocha disse...

pessoal, o problema é que a relaçao deve ser entre homem e Deus. e nao entre homem e lideres religiosos..... APRENDEM, pelo menos isso

Paulo de Lelinha disse...

não é por nada, não, mas acredito em um Deus, que é meu e chamo de "broda". Também tive a educação na escola Salesiana, nos moldes católicos e no temor a DEUS, não na compreensão da Sua grandeza. Até perceber que padres são homens, eu nunca duvidara do que eles disseram. Daí descobri que eles têm as mesmas fraquezas, vícios, ambições e com certeza, também peidam...portanto,são humanos! Isso não quer dizer que não exista gente boa, que realmente faz, prima e zela pelo bem.Quem tem senso crítico, não se deixa enganar pelas manobras e truques modernos que são comuns a todas as religiões. Não pretendo discutir aqui o que é certo ou errado; quem sou eu?
Prefiro desviar a conversa para o cinema que tanto tem imitado e predito a realidade nestes últimos tempos. Sou um fã fervoroso de guerra nas estrelas e pesquisando sobre Palpatine,o darth sith olhem o que eu achei: http://www.ronaldocamacho.com.br/wp-content/uploads/2008/04/darthbento.jpg
Concordo "penalmente" e sem medo da excomungação, hehe