Plágio 11: Obama, o crioulo

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Foi publicada uma carta no Expresso português, que me chamou atenção a propósito do candidato democrata Barak Obama. Numa certa ocasião - aqui - já havia manifestado a minha simpatia por ele. Eis o texto que gostaria de partilhar no Margoso.


Então cá vai:

«Porque razão Barack Obama tem tantos apoios e inspira tantos medos? Porque, ao contrário dos outros candidatos, não está fechado numa classe, etnia ou numa religião. Obama não é negro, nem branco, nem anglicano, nem hispânico. Obama é isso tudo. Obama é crioulo.

Os crioulos são transversais, absorvem culturas e vivências, fazem-nas suas.

Por isso, os defensores da exclusão, da separação, das culturas fechadas, os guetos étnicos lutarão para o vencer - pelas urnas ou pela morte - mas estão cheios de medo, porque sentem uma força invisível emergir. Porém, essa força também está dentro deles, não a podem abortar.

Mas a outra América - a América crioula - percebe que Obama é seu. Por isso, não vê nele um negro ou um branco, ele é de todos - é a síntese.

No mundo lusófono, Obama comeria tanto um bom funje de peixe seco como um cozido à portuguesa, um bacalhau com todos com uma moamba de galinha, uma mukeka como um arroz de caril.

O voto em Obama não é branco, negro, anglicano, hispânico, chinês. É isso tudo.

Obama é o motor do arranque da integração para uma nova cultura - a globalização étnica ou o fim da etnicidade como fautor de poder. Depois da luta pelos direitos civis de há décadas que emancipou os negros dentro da sociedade e cultura brancas, chegou a hora de as águias crioulas voarem até onde era impensável ainda há uns anos»

Rui Filipe Ramos, in jornal Expresso de 21-03-2008




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10 comentários:

Anónimo disse...

"He will change the World"...parte da letra de uma mísica feita por uma jovem americana (branca) acerca das presidenciais dos EUA.

Unknown disse...

Não é por acaso que a série 24 horas faz o sucesso que faz. A America está preparada... Não precisa era ter tido o último presidente que teve.

Anónimo disse...

Credo João!! estás desactualizadissimo... O presidente negro do 24 só aparece na primeira temporada como presidente, aparece umas quantas vezes na segunda, não como president e morre na terceira, e eu já terminei a sexta temporada desde o ano passado. E tendo em conta que é feita uma temporada por ano, isso queria dizer que a America já devia estar preparada desde as ultimas eleições. E infelizmente não foi isso que aconteceu, não obstante o facto que para a maioria das pessoas a única referencia que via no John kerry era que ele não era o Bush. Tens de deixar de ver essas séries na TCV e agir como a Juventude que circula temporadas entre elas a uma grande velocidade, séries como Lost, 24, Heroes, Prision Break, Dr. House, Smallville, etc...alguem tira na net e passa aos outros... ver televisão... Fala Sério!!!

Unknown disse...

Emprestaram-me as séries 2,3,4 e 5 do 24 horas. Na primeira série, que a TCV transmtiu, o David Palmer era apenas Senador e candidato à Presidência. Na 2ª série, já é presidente dos EUA, sofrendo uma conspiração para o destituir e no final da série uma atentado contra a sua vida. A terceira série, que é a que estou a ver agora, ainda é presidente, e (ainda) não morreu. Concorre para um segundo mandato. Já me estragaste a surpresa!

Depois não vejo DVD's piratas. A sério. Un ka ta consegui. UN ta preferi esperá alguém comprá kes série, ou enton un t'oyás na TV mesmo. Sem stress!

Abraço

Anónimo disse...

Sem dúvida João, Obama é a nossa grande esperança para uma “era pós-Bush”, aliás defendi essa ideia num comentário que fiz a propósito de um post no blog do Virgílio Brandão, Terra Longe, intitulada “A «INEXPERIÊNCIA» DE BARACK OBAMA – DE ABRAHAM LINCOLM A BILL CLINTON. RACE MATTERS?”. No meu entender, o Obama tem qualquer coisa do Dr. King e do JFK, e isso pode ser muito bom para o nós que ansiamos por um mundo diferente, onde possa desaparecer essa imposição democrática dos E.U.A através da sua sofisticada máquina militar e uma determinada ordem económica internacional. Ainda sobre Obama, confesso também que já estava à espera e curioso para saber como se ia fazer o jogo sujo para estancar as sucessivas vitórias do Obama (vários filmes holliwoodianos me impeliram a isso). Os ataques a esse candidato via as delegações Reverendo Jeremiah Wright foram explorados em demasia pela démarche anti-Obama nos E.U.A, principalmente pelo canal Fox. Acompanhei no youtube o início da campanha e vi a forma horrorosa e agressiva como a Fox amiúde se referia e refere ainda à candidatura Obama. Quanto à declaração oficial de Obama após as declarações do Rev. Wright, na minha opinião foi, é e será sempre o momento mais alto de toda essa campanha eleitoral. Ela é inteligentíssima, sincera, oportuna e histórica!
Como referiu um ex-apoiante Bush muito conhecido nos States, cujo nome agora não me lembro, foi a melhor declaração de sempre feita por um candidato à Casa Branca.
Sem dúvida, também, que a vitória de Obama seria uma oportunidade dos E.U.A se reconciliar com o seu conturbado passado, onde foi assassinado um dos seus mais ilustre filho, Reverendo Martin Luther King, Jr., que muito fez pela união dos norte-americanos, sejam eles, negros, brancos, crioulos, índios, judeus, protestantes, católicos, muçulmanos ou mórmon.
Abraão Vicente no seu blog referiu que pela dimensão que os E.U.A têm no cenário mundial, todas as pessoas no mundo deveriam votar nessas eleições. Se formos ver, infelizmente, muitas decisões que são tomadas no plano internacional são praticamente e unilateralmente tomados pelos States. A proposta do Abraão é muito interessante e, em parte, todo faz sentido, mas é impossível. Enfim, resta-nos torcer pela vitória de Obama.
Concluindo, e sem pestanejar digo que se eu fosse norte-americano o meu voto seria para: Barak Hussein Obama.
Abraços!
Ruben.

Unknown disse...

Belo comment, Ruben! Abr.

Alex disse...

Será que foi preciso vir o "messias" Obama revelar-nos que o mundo é, afinal, CRIOULO?
Finalmente!
Então valeu a pena esperar.
Abç's
ZC

Unknown disse...

ZCunha, numa reportagem sobre a minha vida profissional em CV, assinada pelo Zé Vicente Lopes, no jornal Público (já tem uns dez anos) ele escreve em manchete: «um português mais crioulo que os crioulos)... Posteriormente lançaria, com contextualização, teorização e prática, um novo conceito, pelo menos no que ao teatro diz respeito, designado de «crioulização», referindo-me com isso - de forma extremamente resumida - à adaptação nossa de clássicos da dramaturgia universal, num processo que passa não apenas (e não necessariamente) pela tradução de peças do português para o crioulo, mas para algo muito mais fundo (ou tenta que assim seja).

Isto para te dizer que, não, não foi preciso esperar pelo Obama, para ter essa revelação da força imensa da(s) crioliudade(s). Mas que uma candidatura como esta num país como são hoje os EUA, tem que ser um sinal de esperança.

Alex disse...

O que eu quis dizer foi que, sendo defensor da ideia do Mundo como casa comum, a Crioulidade está no centro dessa ideia, e constitui mesmo a sua essencia. Obama vem, a meu ver, confirmar isso.

ZC

Unknown disse...

Concordo, claro. É importante é não confundir «crioulidade» com «uniformização», em que no final somos todos iguais uns aos outros...