Declaração Cafeana

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Já fizemos várias referências a este assunto aqui no Café Margoso. Outras vozes tem se feito ouvir a reclamar ou reivindicar maior atenção a uma empreitada como esta. Depois, com o choque provocado pela morte física de Cesária Évora, nada é mais natural que o tema volte à baila: é preciso que se faça um esforço sério, concertado e cientificamente competente para que seja apresentada uma candidatura da morna, nossa canção nacional, a Património da Humanidade.

O último e sentido apelo foi feito pela querida amiga Celina Pereira que, conforme o noticiado aqui, redigiu e enviou um documento às mais altas instâncias de Cabo Verde, para que se “potencialize um dossier político, cultural e cientifico conducente a elevar a Morna a um patamar mais universal que beneficie o mundo nesta busca de paz”. Defende que, numa primeira fase, a morna seja elevada a “património nacional” para que depois possa concorrer a “património imaterial da humanidade”, como uma “valiosa contribuição dada à espiritualidade e à cultura universal da humanidade”.

Umas das componentes mais interessantes do documento preparado por Celina Pereira são as citações de alguns dos mais ilustres representantes da cultura cabo-verdiana, referente à importância da morna para a formação da matriz cultural, social e histórica da nação cabo-verdiana. Assim, cita Eugénio Tavares: “Morna intérprete maravilhosa de alma desse povo ilhéu e sonhador”; Pedro Cardoso: “Ritmo que polariza a alma cabo-verdiana”; José Lopes: “a dor da nossa raça”; Jaime Figueiredo: “Expoente único da nossa sensibilidade”; Jorge Barbosa: “Eco que evoca coisas distantes ou tragédia da nossa raça”; Gabiel Mariano: “Expressão da alma de um povo; e Manuel Ferreira: “É Incontestável que a morna, por vezes, atinge beleza notável. Pela sua delicadeza, pela inesgotável variedade de seus motivos, ela tem probabilidades de poder ser considerada a parte mais rica do nosso folclore”.

Sendo este um país musical, é inquestionável que praticamente todos os seus mais ilustres compositores e intérpretes passaram por este género musical, compondo ou cantando, desde Cesária Évora a Ildo Lobo, Orlando Pantera a B'Leza, Manuel d'Novas a Ano Nobo, Mayra Andrade a Tito Paris, Vasco Martins a Bana, Teté Alhinho a Mário Lúcio Sousa, entre tantos e tantos outros. Este desafio, agora lançado mais uma vez, devia fazer parte de um grande desígnio nacional, para que a morna possa ter o estatuto que merece.



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4 comentários:

zito azevedo disse...

Aplaudo, como amante confesso e intérpetre zeloso tudo quanto se faça para colocar a morna no sitio que lhe pertence por direito de qualidade, beleza melódica e espelho da alma de um povo que sofre mas canta a mais bela das canções da Terra!

Manu Moreno disse...

Belissimo comentario amigasso, APLAUSO!

Kel Abxom di kuraxom!
ManuMoreno.

zito azevedo disse...

Olá Manu, a minha alma está cheia de felicidade pelo seu reaparecimento...Já lhe dei as boas-vindas no "Arrozcatum"...passe a publicidade que o JB me perdi«oará!
Quel abraço, amigão...

JB disse...

Aplaudo da mesma forma o regresso, Zito, e recomendo a visita ao teu estabelecimento!