Numa altura em que eleições presidenciais decorrem no Brasil, muito se tem escrito e analisado sobre a chamada "herança Lula". Aqui mesmo no Café Margoso fizemos referência a este espantoso antes & depois, que explica como é que um Presidente, depois de dois mandatos no poder, tem uma popularidade próxima dos 80% da população.
Uma das razões deste sucesso passa, não tenho qualquer dúvidas disso, pela aposta na cultura, dentro do país e também fora, na sua internacionalização como veículo de promoção de um país e de uma economia. Mas não com palavras e discursos bonitos. Com actos mesmo. E os resultados estão à vista.
Como se pode ler num texto publicado no jornal Público, a música popular brasileira é ouvida em todo o mundo, o cinema brasileiro está nos festivais e nas salas europeias e sul-americanas, há festivais de teatro, de dança, de literatura, e a moda e o design brasileiros são hoje exemplares para a moda e o design norte-americano e europeu. Lula da Silva anunciou neste ano que 1 por cento do Orçamento Geral do Estado brasileiro seria para a cultura, o que corresponde ao maior orçamento da história, incomparável com qualquer outro caso, seja na América latina seja na Europa. A promessa é subir para 1,5 já em 2011, o que seria ainda mais espantoso.
Muito do sucesso do Brasil passa pela sua aposta na cultura. É inquestionável. E uma lição a reter. Os resultados económicos, o turismo incrementado, as grandes vitórias da diplomacia internacional, com as organizações do Mundial de Futebol e dos Jogos Olímpicos, tudo isso passou por um intenso programa de incentivo à internacionalização da cultura brasileira e a uma aposta séria nas mais diversas vertentes da criação e produção cultural e artística assim como programas intensivos de incentivo do acesso da população a bens culturais.
Não seria nada mau Cabo Verde aprender alguma coisa com isto. Porque quando vemos o trabalho das nossas embaixadas nesta área e as políticas dos governos e das Câmaras Municipais (quando e lá onde elas existem), e depois ouvimos como o país tem uma cultura que é o seu motor, farol, diamante, rubi ou qualquer outra metáfora ou pedra preciosa usada em discurso ou ocasião solene, é que nos apercebemos da imensa distância que vai entre as boas intenções e a realidade aplicada no terreno. Diplomacia cultural? Alguém sabe o que isso é, o que significa e o que pode trazer para o arquipélago? O exemplo brasileiro é a prova que a distância entre a retórica e a prática não tem que ser sempre assim tão grande.
Leiam o artigo completo, aqui.



6 adoçantes:
A propósito de uma discussão que vi por aqui, há uns tempos, sobre jornalismo cultural, ver esta noticia no A Semana online: "Jornalistas culturais de África participam num seminário sobre a profissionalização do sector, a acontecer a partir desta segunda-feira 4 e até 8 deste mês em Ouagadougou, capital do Burkina Faso. A iniciativa é do Fundo Regional para a Promoção da Cooperação e das trocas culturais na África Ocidental."
Adorei o "1,5%" no título deste post.
Nossa esse aumento de 1,5% em cultura, primeiro deve por em educação para assim a população absorver a cultura!!!
Anónimos, identifiquem-se por favor. Numa próxima ocasião seremos obrigados a não publicar os comentários, por muito bem intencionados que possam ser. Obrigado.
Renata, certamente o orçamento para a educação já é bem maior que 1,5% do PIB brasileiro.
Eu também concordo que a grande falha da política de CV, e de muitos outros países, está na não (ou pouca) aposta na Cultura, e esta falha ocorre porque afinal tem-se esquecido que a cultura é o "rosto" de qualquer país, o passaporte de entrada no mundo e o cartão de visita para negócios, parcerias, etc. Acho que uma das causas desta falha está em alguma confusão que se tem feito do conceito de cultura, pois parece-me que ela não tem sido vista na sua real perspectiva, como o "DNA" de um povo. Cultura não é só dança, teatro, música, etc., vai muito mais longe, e o invenstimento nela, só terá sucesso se for vista no seu sentido mais lato.
Na minha humilde opinião, não se tem feito uma aposta na cultura pois "eles" não entendem a importância da cultura enquanto pilar de desenvolvimento, pelo simples facto de que "eles" não tem cultura.
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