Declaração Cafeana

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Não sei se é por acaso, mas não deve ser. Em época pré-eleitoral os caciques de um e do outro lado saem das tocas e fazem o seu trabalho de toupeiras virtuais, comentando sempre em nome do anonimato os desaforos de quem (ainda) tem a coragem de dar a cara para dizer o que pensa. Nunca tive problemas de dizer o que penso. Este é o blogue Café Margoso que pela primeira vez vai passar pelo crivo venenoso da má-língua eleitoral. Vai ser interessante, no mínimo.

Hoje de manhã, recebi duas mensagens, anónimas, claro, que publiquei porque dizem mais sobre quem as mandou do que sobre o seu destinatário. No mesmo texto em que se faz alusão ao triste episódio de violência policial, comprovado por testemunhas e nunca desmentido, em vez de se criticar o sucedido ou comentar, quem sabe, sobre as dificuldades de ser-se polícia em Cabo Verde, mesmo considerando os esforços e melhorias dos últimos anos, nada disso, parte-se para o discurso do vai-lá-prá-tua-terra. Um deles comenta, com notável diplomacia: «Andas agora (e sempre) a fazer politica, invés de te ocupares dos teus afazeres?». Como quem não quer a coisa, esta é daquelas mensagens claras do tipo, mete-te lá na tua vida, vai aos teus teatros e deixa estes assuntos para quem sabe! 

O outro, que até pode ser o mesmo (isto dos anónimos nunca se sabe) aconselha-me, com generosa complacência: «se queres fazer politica e revolução, vai para Portugal, que bem precisa de mudanças.» como se o facto de estar em Portugal, na China, ou no raio que me parta pudesse fazer qualquer diferença sobre o que se escreve ou deixa de escrever...

Sou apologista da paz, vivo o amor como poucos, adoro a minha arte, entrego-me de corpo e alma aquilo que penso ter herdado dos meus antepassados. Além disso, orgulho-me de ser filho de José Mário Branco, e pretendo continuar a ser digno desta herança. Quem conhece a vida e obra do músico sabe o que isto quer dizer: podem vir aqui com os vossos recados, sejam eles verdes ou amarelos, que isso não vai alterar a postura e o espírito do Café Margoso.

Os próximos tempos adivinham-se animados.





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10 comentários:

Tchale Figueira disse...

Anónimo é como filho da puta... Não se conhece a sua origem.

Estranho que a mim não me tenham escrito depois de tudo aquilo que escrevi nos ultimos tempos.

Nimguem escolhe onde nasce. estes crápulas deviam lembrar que a décima primeira ilha de Caboverde é a emigração, a nossa terra é onde sentimos bem; aliás, vendo as coisas de uma forma Humana; A NOSSA TERRA É ESTE PLANETA! Abraço João

Anónimo disse...

As pessoas têm a mania de se «reconhecerem» em textos que não lhes dizem respeito. Estou sempre a receber protestos baseados nesse equívoco. Às vezes tem graça, outras vezes é cansativo, outras é simplesmente estúpido.

Quando Bulhão Pato se «reconheceu» no «Tomás de Alencar» de Os Maias, Eça de Queirós respondeu:

Por onde se reconheceu o Sr. Bulhão Pato no Sr. Tomás de Alencar? Pelo feitio exterior?... Foi pelos bigodes? Todos em Portugal usamos esse retorcido apêndice. Pelas receitas de cozinha? Todos os homens de letras, desde Virgílio a Dumas pai, ensinavam a arte sem igual. Pela efusão dos gestos? Todos nós nestas terras expansivas do sul, lançamos os nossos gestos até às nuvens... (…) A julgar por estes traços exteriores, poderiam considerar-se retratados no Alencar, e vibrarem sátiras contra mim, todos os homens que em Portugal têm bigodes, cometem versos, gesticulam largo, e sabem modos de cozinhar o bacalhau - isto é, uma farta metade dos habitantes do reino! (...) só uma indiscreta ilusão e um zelo excessivo pela glória própria puderam levar o autor da «Paquita» a introduzir-se, com tanto ruído e tanta publicidade, dentro do autor da «Flor de Martírio». E visto que nada agora pode justificar a permanência do Sr. Bulhão Pato no interior do Sr. Tomás de Alencar, causando-lhe manifesto desconforto e empanturramento - o meu intuito final com esta carta é apelar para a conhecida cortesia do autor da «Sátira», e rogar-lhe o obséquio extremo de se retirar de dentro do meu personagem...

Rogo-vos esse obséquio.
de um post de pedro mexias

Sarabudja disse...

João, num mundo onde todos vivem onde nasceram e não onde mora o seu coração e vontade de fazer melhor, não há forma de ser feliz.

Ouve só como é tão bom poder viver onde nos sentimos bem. Podiamos fazer do mundo uma terra da fraternidade.
http://www.youtube.com/watch?v=Hbc15inYT2c&feature=related

Beijinhos

Arsénio disse...

Oh João, não se preocupe, porque isso seria de esperar.
Continua sempre nessa linha, porque as discussões devem ser feitas, quer se goste ou não.
Sou adepto do cafemargoso e espero que o blog continue com essa força (ou com mais).

Anónimo disse...

Em questões de opinião, sobretudo quando veem embuídos de recados políticos, o termo anónimo diz tudo: trata-se de parasitas e hipócritas que, desconfiando de tudo e de todos, e sobretudo da própria capacidade, tem vergonha de assumir as baboseiras que vomitam.

Outrossim, é uma vergonha constatar que muitos cabo-verdianos perderam a capacidade de análise e discernimento, relegando para segundo plano a sua honestidade e inteligência em detrimento das supostas vantagens concedidas por esta sociedade hipócrita e corrupta.

Quisera eu ter poder para dizimar todos estes filhos da Puta. E já agora, em 2011 vou votar na putas pq cansei de votar nos filhos delas. Putas no poder já.

Carlos Silva

Anónimo disse...

Quem é Carlos Silva? Fala de anónimos, mas quem me garante que não é um anónimo? Carlos Silva pode até ser um nome fictício, ou não? Então uma pessoa como o Sr. que se mostra ser contra a corrupção e afins, mostra-se ser violento e mais um que quer semear a tragédia? É que diz:"Quisera eu ter poder para dizimar todos estes filhos da Puta". Que é isso Sr. Carlos Silva? O poder é para melhor o estado das coisas e não para trazer mais desgraça ou fazer ajustes de conta! Corruptos ou fumentadores da violência, para mim, são a mesma coisa!
Big Drops.

Anónimo disse...

Caro anónimo:o meu nome realmente é Carlos Silva, pelo que não preciso de nenhum subterfúgio para aqui expressar o que eu penso. No entanto, concordo consigo quando diz que o poder é para melhorar o estado das coisas. Mas, quando as coisas já não tem solução, é esse mesmo poder que nos permite/possibilita acabar de vez com o mal, e pela raíz... Para grandes males, grandes remédios. Até Deus, cuja bondade é infinita, enviou o dilúvio para por fim aos pecadores. Quanto ao Big Drops, espero que seja de "tumbarina" para que posa continuar a salivar ainda mais, e de língua rasgada. Um beijo

Álvaro Ludgero Andrade disse...

Entendo que as pessoas se sintam no direito de assinarem como "anónimo", mas pessoalmente considero ser um sintoma de que ainda a nossa cultura democrática é muito inculta. A propósito do Carlos Silva, no outro dia alguém colocou um comentário no meu blog em que me acusa de atacar jornalistas com o nome de Carlos Silva. Fiquei parvo, mas se é anónimo... vou falar com quem? Será esse?

zito azevedo disse...

Os escribas anónimos são, tal como a mosca tsé-tsé, o mosquito egípcio e a cobra de coral, portadores de pestilencia que mata os fundamedntos da liberdade da qual abusam e actuam na sombra pois conhecem que, de cara descoberta, seríam alvo da risota geral pela absurda mesquinhez dos seus comentários onde o aroma xenófobo é indisfarçável...Ou estarei, apenas, a ser romântico?

Carla disse...

eh João
agora já passaste a publicar os anónimos???