Declaração Cafeana

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Agora que nos aproximamos das eleições e já estamos desde há muito em pré-camapanha eleitoral, seria bom revermos alguns dos conceitos que, por estarem de tal forma sedimentados na nossa cabeça, acabam por originar os tais preconceitos (ou seja, o conceito já é antes de o ser) que tantos criticam, incluindo eu próprio. Um deles, que sempre vem à baila nestas ocasiões, é o conceito do que é - ou não é - politicamente correcto. 

Nesta altura do campeonato fica sempre mal a quem se afirma desalinhado dos movimentos partidários que dominam quase por completo o panorama político crioulo dizer que não quer ser politicamente correcto. Mas o que raio significa isso? Em primeiro lugar, é não cair na tentação de ter medo ou receio de escrever ou falar o que se pensa só porque essa opinião ou tomada de posição possa desagradar a este ou aquele, ao poder ou à oposição, ao Zé Maria ou ao Carlos Veiga. 

Frontalidade, coragem e coerência. Para mim é quanto baste para não se cair na armadilha do politicamente correcto. Porque às vezes o que dá a impressão é que quem não gosta de escrever utilizando palavras/expressões como "(estou-me a) cagar", "merda", "filhos da puta", "cabrões", "chupistas", "punhetas", "ser (ou não ser) enrabado", "pró caralho", "badamerda", "prá puta que os pariu", "fodidos (e mal pagos)" e todos os outros vernáculos mais do que conhecidos, é logo tachado de politicamente correcto. Como se não não fosse possível colocar o dedo na ferida com um pouco de ironia, por exemplo. Com um poema. Com arte. E, claro, de vez em quando, dar um grito e entrar na onda do politicamente incorrecto de forma politicamente correcta (ou seja, utilizando, pelo menos três ou quatro palavrões.)

Por exemplo, a bela imagem que encontrei na Internet e que ilustra este texto mostra dois tipos nus, dois rabos, duas polpas, duas bundas, e é plena de beleza e poesia, não é? O que quer dizer que há sempre formas mais interessantes de mandar um tipo pastar, se for caso disso, sem ter que mostrar que se consegue gritar mais do que todos os outros. Seja como for, e tendo em conta as expressões utilizadas neste texto, o número de visitas ao Café Margoso originário das pesquisas do Google, vai subir potencialmente durante os próximos dias. Portanto, viva o politicamente incorrecto!





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4 comentários:

Tchale Figueira disse...

Ah menino Joãozinho! Sempre dando uma no cravo e outra na feradura!

zito azevedo disse...

Os palavrões, como as palavras e as palavrinhas, têm uma existência igualmente legítima mas, o mesmo já se não pode dizer do seu uso indecriminado, gratuito, substitutivo...No discurso político meramente opinativo, como na acalorada discussão de café o vernáculo creio ser importante pois, não raro, é o único meio de reduzir determinado facto politico à sua verdadeira dimensão...Mas, não nos deixemos caír na tentação de pensar que só a "merda" é que é boa...

JB disse...

Sempre? Ah Tchalé, que tristeza, meu amigo, que tristeza...

Tchale Figueira disse...

Sory João, conheço os meus amigos!