Que legenda para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café 






Fotografia de Roberto Palladini






Uma boa semana pa tud gent!





O mundo anda deprimido, já o sabemos. Só ouvimos falar de crise, do stress, de violência. A humanidade caminha no fio da navalha e um pequeno mal entendido pode gerar uma discussão que acabe em tragédia. Por essas e por outras, achei esta ideia uma pequena (grande) delícia .


Inspirado por movimentos espontâneos como o “Zé Frank Chill Out Song”, os “Abraços Grátis” ou os “Improve Everything” – que já percorreram várias cidades realizando missões surpresa em espaços públicos - o designer português Martim Dornellas decidiu fazer estes pequenos gestos na cidade de Lisboa, de acordo com uma auto-proposta para mudar o mundo e criou o Projecto Amélie. “Basicamente, estas acções destinam-se a mudar o dia-a-dia de algumas (mas basta uma) pessoas. Proporcionar-lhes um pequeno aconchego no caminho para o trabalho ou conversa quando chegam a casa”, revela o autor.

"Pequenas acções que tenham como objectivo mudar o mundo, ou os pequenos mundos em que vivemos. Acções desinteressadas, que façam alguém sorrir, sentir-se melhor, emocionar-se, etc. Qualquer coisa que mude o dia a dia de algumas (mas basta uma) pessoas." Esta a proposta de Martim, à qual muitos habitantes de Lisboa tem dado respostas criativas e divertidas. Em sinais de trânsito, nos postes da rua, nas cabines telefónicas, nas portas dos WC's públicos, qualquer lugar é bom para um gesto ou uma frase que possa, pela surpresa, provocar um sorriso nalgum desconhecido. 

Não seria interessante, fazer isto na Praia ou no Mindelo?


Leia mais: aqui
Sítio oficial do Projecto Amélie: aqui







"Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parado. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim. O destino da felicidade, me foi traçado no berço."

Caio Fernando Abreu - escritor

Imagem: "Head Le Sacre", de Pina Baush







Hoje, 14 de Abril, é Dia Mundial do Café.


"Só quando o café atinge o estômago é que tudo se precipita: as ideias avançam como regimentos de um grande exército sobre o campo de batalha e esta finalmente se inicia. As recordações chegam a passos marcados, como os alferes do batalhão, a cavalaria das comparações avança impetuosa, a galope. E eis a artilharia da lógica com suas carruagens e munições. E eis que os pensamentos geniais e repentinos se precipitam para o combate como atiradores de elite".

Honoré de Balzac











Nasceu há 100 anos o fotógrafo Robert Doisneau, o autor de um dos beijos mais famosos da história. Mas também o homem que melhor retratou a alma de Paris durante o período da ocupação e no pós-guerra, que fotografou artistas famosos, como Picasso, e muitas das suas imagens ficaram como ícones do século XX.






O jornalista e blogueiro guiniense António Aly Silva falou, barafustou e espalhou informação sobre mais este triste acontecimento na Guiné-Bissau. Os militares procuraram-no, espancaram-no e levaram-no preso para parte incerta. Vamos espalhar a mensagem de solidariedade, em nome da liberdade de informação e expressão.

Aqui fica o seu último e sentido texto escrito pouco antes de ser preso. Publicamos também, com a vénia à Rádio Morabeza, excertos da sua última entrevista.




O Pior da Guiné-Bissau são... os Guineenses

"Mais de um milhão de guineenses estão reféns de militares... guineenses. Temos sido sacudidos e violentados, usurpam e tolhem-nos os nossos direitos, até o mais básico. Até quando mais a comunidade internacional vai tolerar que gente medíocre - alguma classe política, e militar faça refém todo um povo? A história endossará uma boa parte da responsabilidade à comunidade internacional.

Ajudem o povo da Guiné-Bissau; não os abandonem, agora, mais do que nunca. Tiveram todos os sinais de que uma insurreição era possível, ainda que desnecessária. Nada justifica o levantar das armas, é intolerável o disparo de armas pesadas numa cidade com mais de quatrocentas mil pessoas. É criminoso, acima de tudo. Tiveram tudo para estancar a hemorragia e a orgia de violência. Sabem há muito que este é um país que nasceu, cresceu e vive sob laivos de militarismo.

Agora, tudo está calmo. Não há tiros, nem feridos nas urgências e menos ainda corpos na morgue resultado de mais uma brutalidade da canalha. Não se sabe quem morreu - espero e desejo que ninguém tenha sido morto. Um país é o último, e único, refúgio seguro para o seu povo. Foi traumatizante ver mulheres e crianças a chorar; é triste ver homens e jovens a fugir de homens e jovens como eles. É desolador. Estou abatido, e, sobretudo cansado. Não tenho sequer forças para gritar.

Olho e registo tudo. Depois escrevo, na certeza de que alguém me vai ler e comungar dos mesmos sentimentos. O meu blogue, hoje, foi já acessado por mais de 50 mil pessoas. Ficará para a estatística. Teria preferido uma visita por dia, a ter de suportar cem mil pares de olhos tristes e enevoados: estão a matar-nos, estão a destruir as famílias, a tornar as crianças violentas.

O pior da Guiné-Bissau, meus caros...é o guineense!

Um abraço a todos,

António Aly Silva"

O blogue de António Aly Silva: aqui
Um blogue para seguir a passo e passo os acontecimentos na Guiné-Bissau: aqui

Última Hora: "Acabo de ser libertado, depois da coronhada que me cortou a orelha de cima abaixo. Um abraço e obrigado a todos quantos manifestaram a sua solidariedade perante esta gritante injustiça. Amanhã publico as fotos. Deus abençoe a Guiné-Bissau. António Aly Silva". 

Menos mal. Um abraço aqui do Café Margoso.







Hoje, 13 de Abril, é Dia Mundial do Beijo. Nem sabia que isso existia mas ficamos a saber dados importantes como por exemplo o facto de durante o beijo, o corpo produz substâncias 200 vezes mais poderosas do que a morfina, em termos de efeito narcótico. Bem me parecia que eu era algo próximo do toxico-dependente! 

Exercitar dezenas de músculos, libertar endorfinas, combater a depressão, diminuir o stress, queimar calorias: tudo isto resulta de um beijo apaixonado: "É o teletransporte para um paraíso", foi a melhor expressão que já li vindo de especialistas sobre o assunto.

Ah e aprendi também que a ciência que estuda o beijo chama-se filematologia.

Imagem: "The Kiss", de Rodin







Ensaio sobre a Má Língua

1. Eduardo Prado Coelho, eminente pensador português, escreveu um dia: “A má-língua, o escárnio e mal-dizer sobrepõem-se sempre à euforia da descoberta. Coleccionam com mais facilidade as reservas do que são capazes de apreciar os méritos. É aquele tipo de lucidez que não consegue ver em relação a si que o excesso de lucidez é um excesso de estupidez. Alguns cronistas e comentadores fazem disso alimento." Infelizmente, este é um mal de todos os lugares e nenhum país se pode gabar de ter a patente desta característica social. O que acontece em Cabo Verde, e que coloca uma espécie de lente de aumento na arte de falar mal da vida alheia de forma hipócrita e irresponsável, é a nossa pequenez. Existem bairros de S. Paulo, metrópole brasileira, que tem mais população que o arquipélago inteiro e esta matemática faz com que vejamos como autóctone um problema que, no final das contas, é universal. 

2. Mas que custa, custa. Mais a uns do que a outros, naturalmente. Se há um defeito que admito me tem trazido imensos dissabores ao longo da vida é esta permeabilidade absurda que carrego nos ombros relativamente ao que é dito e falado sobre a minha actividade profissional ou vida pessoal. Continuo sem conseguir entender o que motiva essa gente que faz do seu desporto diário favorito carregar as suas energias negativas sobre as costas do vizinho sem que este nenhum mal lhe tenha feito, directa ou indirectamente. Continuo a procurar reflectir e entender sobre esta temática mas é um facto que continua a ser-me difícil conviver com esta realidade. E, como é óbvio também, este é um infortúnio que não sendo intrínseco muito menos é apenas de hoje. Sempre houve, sempre haverá. O que nos faz chegar à conclusão que esta tendência sádica de lançar veneno ao próximo por vias travessas é algo inerente à própria natureza humana. 

3. Chegamos, pois, a este ponto. A má-língua, cuja melhor tradução crioula está resumida no termo riola, é como vimos, humana e universal. Está em todo o lado e sempre existiu. Imperadores e escravos, homens e mulheres, políticos e varredores do lixo, ricos e pobres, afortunados e azarados, competentes e incapazes, altos e baixos, bonitos e feios, professores e alunos, novos e velhos, predestinados e vencidos, pretos e brancos, nobres e plebeus, todos estão sujeitos a ela. Como instrumento ou enquanto vítimas. Daí a terceira característica da má-língua que não podemos negar: ela é completamente transversal na sociedade de cada tempo e de cada cultura, por mais que estas ou aquelas cultivem a harmonia, a paz e o amor entre os homens. Escusado será lembrar, mais ainda neste período de Páscoa, que a mais famosa vítima da má-língua foi o próprio Jesus Cristo que segundo reza a história acabou crucificado porque um dos seus discípulos falou para além da conta. Mas como muito bem sabemos, nem todos terminam com um peso na consciência tal que justifique uma corda no pescoço sendo que, antes pelo contrário, muitos parecem se alimentar de cada patada que dão naqueles que os rodeiam. 

4. Escrevi uma vez, a propósito da montagem da peça “Sapateira Prodigiosa” de Garcia Lorca, que a riola crioula provoca mais danos sociais em Cabo Verde do que o consumo da droga ou do álcool, do que a violência doméstica ou a corrupção administrativa. Muitos destes problemas evocados acabam por estar a jusante da riola e são dela consequência directa ou indirecta. Parece-me fundamental que tenhamos consciência disso. Um dos maiores problemas é a má-lingua chegar de onde menos se espera. De anónimos, estranhos ou pessoas desconhecidas acaba por ser inevitável que mais dia menos dia sejamos vítimas dessa maledicência. O pior é quando vem de conhecidos a quem demos a mão, de educandos a quem transmitimos os nossos conhecimentos da melhor forma que sabemos e podemos, de companheiros de luta com quem partilhamos estrada, de amigos de quem esperamos um ombro em vez de uma garra, ou até de familiares próximos. 

5. Sendo certo que a má língua está em toda a parte, em todo o lado, que pode vir ou atingir qualquer um e que é algo que sempre existiu, também não é menos certo que a crueldade e intensidade com que ela se manifesta em determinados caldos sociais varia substancialmente. No nosso Cabo Verde temos que estar prontos para este embate porque o rácio não é favorável para quem gosta de viver na paz. É um peso que carregamos. Um peso demasiado grande para a nossa dimensão. Há quem diga que a indiferença é a melhor arma para neutralizar os males que a má língua possa causar mas eu não concordo com esta perspectiva. A melhor arma está na educação cívica, na consciencialização colectiva, na criação de um ambiente favorável para que todos possam crescer e evoluir sem favorecimentos escusos ou pouco claros. O que melhor dá luta à má língua é, precisamente, a boa língua. Sim, é de amor que falo. 

Crónica publicada no jornal A Nação

Foto de Dariusz Klimczak





Ontem morreu um jovem da Ribeira Bote esfaqueado por um elemento de um gang de uma outra zona. O choque habitual. Os gritos e sofrimento dos familiares e amigos. Algo que, infelizmente, vem sendo rotineiro na nossa cidade. Mas o inusitado aconteceu depois: mais elementos do gang que provocou o crime atacaram o cemitério à pedrada durante o próprio funeral. As pessoas correram e fugiram. O jovem morto só pode ser enterrado horas depois. 

Bem, se já chegamos na época em que os cemitérios são invadidos e transformados em campos de batalha quando se enterra mais uma vítima da violência urbana, então é porque descemos mais um pouco neste poço sem fundo a que alguns gostam de chamar desenvolvimento.

Como o meu amigo que relatou o acontecimento escreveu: "se alguém souber onde S. Vicente se perdeu, que me diga porque eu vou por aí. E digam-me, porque tenho pressa!"


Imagem: pintura "Canibais Preparando a sua Vítima", de Goya




Começa hoje. Gosto do conceito. Do programa e do profissionalismo.
Só não gosto de não poder lá estar! Parabéns a todos os promotores.










Aleluia. Até que enfim que alguém se lembra que os responsáveis municipais podem dar um fim a este inferno na terra. No Mindelo, já é quase impossível andar na rua sem ser incomodado por estes carros a anunciar festas, paródias, concertos, mettings partidários ou produtos de mercearia. Alô, alô, torre de control, alô, alô, Câmara Municipal de S. Vicente. Por todos os anjinhos, sigam este exemplo! Tem a suprema vantagem de a Praia e o Mindelo serem duas câmaras com a mesma cor política e portanto, nem o partidarismo agudo de que padece a nossa sociedade poderá ser justificação para continuar com esta inércia, relativamewnte a este assunto. 

Aplausos. Desta vez, ruidosos!