Parabéns, Inês, nha filha querida!



Figuras Nacionais do Ano


Jorge Carlos Fonseca


Eleito Presidente da República à segunda volta, numa vitória incontestável e histórica, já mostrou no pouco tempo que tem no exercício das suas funções, que irá dar um toque diferente e pessoal ao seu mandato, denotando uma sensibilidade cultural que faz a diferença em relação ao seu antecessor.


Mário Lúcio Sousa


Assumiu a pasta da Cultura, depois de anos de estagnação do sector. Apresentou muitos projectos, consegue unir a classe artística à sua volta, com uma equipa renovada e ambiciosa. Há quem o considere o melhor ministro do actual Governo, mas muitos vaticinam que será engolido pelo sistema vigente.


Figura Internacional do Ano


O Manifestante da Primavera Árabe


A força do povo e das redes sociais, ficou bem provada durante o ano, com as improváveis revoluções ocorridas nos países árabes do Norte de África. Ditaduras de décadas ruíram, com mais ou menos sangue e aquela região do globo nunca mais será o que já foi.


Acontecimentos Nacionais do Ano


Lancha Voadora


O rude golpe dado na rede de tráfico de droga de Cabo Verde com a operação Lancha Voadora foi o acontecimento do ano, até pelas dimensões que tomou com a prisão do ex-Presidente da Bolsa de Valores. Há quem chame a esta operação de Lancha Arrasadora e sente-se que outras surpresas estão ainda para vir. Alguns dos endinheirados do país devem estar a fazer contas à vida temendo que a Pj lhes um destes dias bata na porta.

Morte de Cesária Évora


Não era preciso que esta fatalidade acontecesse para se ter uma ideia da dimensão global de Cize e da sua importância para a projecção de Cabo Verde no mundo. Como disse o Ministro da Cultura na emocionante cerimónia fúnebre, graças a Cesária Évora, descobrimos o mundo com pés descalços. Lágrimas e aplausos que não acabarão mais.


Acontecimento Internacional do Ano


A crise na Europa


Os gregos bem que tentaram cortar as amarras, mas o que está em jogo é todo um sistema vigente dominado por banqueiros e capitalistas, que tem tanto poder que há quem defenda que estamos hoje a caminho da "ditadura do Euro". No final das contas, é no lombo dos mais desfavorecidos e das espremidas classes médias que o peso da crise mais se faz sentir. Prevêem-se dias difíceis para 2012.





Vamos lá, qual a promessa mais criativa para 2012?

À melhor promessa, ofereço um café






"O Elogio da Loucura. Preocupa-me bastante o estado da saúde mental em Cabo Verde. Os cabo-verdianos são especialistas em incentivar, elogiar e aplaudir publicamente actos de demência. Se alguém estiver stressado, com problemas psicológicos e disposto a enlouquecer, que venha a Cabo Verde [período de incubação de 15 dias]. A cada esquina há um "novo" doido. A taxa de reabilitação social por cá é nula, senão uma miragem, porque mesmo que estes queiram, o povo não ajuda. É o elogio da loucura no seu esplendor..."

Suxano Costa - fundador do Tertúlia Crioula




Para o ano que aí vem, com mais arte, mais criação, mais poesia, mais amor.






Nestes dias antes da entrada de mais um ano, o nosso pensamento entra em balanço, o que foi bem, o que foi menos bem, o que poderia ter sido melhor. Preparamos as nossas juras e promessas para o que aí vem, como se a passagem de um minuto para o outro - porque é disso que se trata - fosse resolver alguma coisa. 

Mas como não quero ser desmancha prazeres, aqui ficam os meus desejos para este ano: que haja menos hipocrisia, menos estupidez, menos cinismo, menos maledicência, menos ignominia. A tentativa de linchamento público ocorrido nestes últimos dias contra Abraão Vicente, e tudo por causa de um texto, claramente irónico, por ele escrito num blogue, e que só a ignorância transformou em notícia, mostrou uma vez mais o quanto navegamos à superficie das coisas, o quanto estamos prontos para atacar em vez de contrapor, de ofender em vez de defender pontos de vista, de julgar um carácter em vez de procurar conhecer a pessoa, de alimentar o preconceito em vez de elogiar a diferença, de chafurdar na lama em vez de ter a sabedoria suficiente de esperar que a terra poise e possamos, então sim, beber um pouco de água fresca, fonte de toda a vida.

Somos e vivemos num meio pequeno que padece de todos os males característicos dos meios pequenos. Caímos com demasiada facilidade no provincianismo tacanho, na pequenez dos anonimatos, no uso de máscaras como defesa pessoal, pela falta de coragem que temos em dar a cara pelos nossos ideais. Temos muitas feridas históricas e sociais por sarar e em vez de deixar que o tempo, a reflexão, a investigação e a honestidade curem as mazelas, estamos o tempo todo a escarafunchar, a pisar na carne viva, a voltar as costas à poesia e ao amor.

Os nossos espelhos apenas servem para reflectir as nossas virtudes e quando isso não acontece, olhamos um pouco mais abaixo e fixamos o nosso olhar no umbigo. Cada qual parece ser o centro do universo e quem aparece com o atrevimento de nos querer desviar desta rota comodista é de imediato alvo de um ataque feroz que apenas dislustra e define os seus autores. Somos demasiadas vezes vítimas da nossa forma redutora de olhar para a realidade, o nosso ponto de fuga aponta apenas para um caminho. Essa é a nossa maior desgraça.

A diferença entre o ano que está a terminar e o que vai começar bem que podem ser apenas os trinta segundos que separam o último minuto de 2011 do primeiro de 2012. Mas como seria bom se soubéssemos olhar para o mundo que nos rodeia de uma outra forma. Que fossemos capazes de olhar para o nosso concorrente (no trabalho, na arte, na política, no desporto, na escola) como um colega que nos motiva a ser um pouco melhor hoje do que fomos ontem. Que os abraços que damos uns aos outros, no calor da festa e da paródia, trouxessem à nossa forma de estar nesta sociedade um outro prisma, algo com um pouco mais de profundidade e, sobretudo, uma maior capacidade de entender quem opta por navegar rumo a outras latitudes, vestindo outras roupas, gritando outros slogans. 




Dois mil & 11

Janeiro. O mês da campanha eleitoral. Nada de novo. Do amor à terra à teoria do nós ou o caos, tudo valeu nesses dias em que se esbanjou dinheiro e injúrias. Um prolongado carnaval que meteu informação e contra-informação, vídeos publicados na internet, disfarces, e-mails forjados, golpes palacianos. Gente que veste camisolas ao contrário para confundir o adversário, cortes de electricidade com timing cirúrgico, a lei da selva para a conquista do poder. Valeu tudo, perdemos todos.

Fevereiro. Ano tremendo para as vozes que cantam a alma de Cabo Verde. Calou-se a maior filósofa popular que, por via do Finason, transformou sabedoria em musicalidade e vice-versa. Ficamos com as suas memórias, com a sua tremenda herança, com os seus seguidores. Grande e digna como a ilha de Santiago que tão bem cantou, Nácia Gomi deixa todo um país em lágrimas, no momento em que abandonou o mundo dos vivos.

Março. Foi revelado o novo elenco governativo, com um número de ministérios bem acima das necessidades, um dos quais seria mesmo extinto como consequência de uma feroz disputa entre irmãos, nas presidenciais. Mas se há ministério que faz sentido em Cabo Verde, é o da Cultura, onde foi anunciado o nome de Mário Lúcio Sousa. Conhecedor do meio, enquanto artista multifacetado, com formação jurídica de base, o novo ministro pegou na empreitada de iniciar praticamente do zero a aplicação de políticas públicas culturais com o mesmo espírito com que escreve, compõe ou canta: com ousadia, criatividade e atrevimento. Espera-se que não seja engolido pelo sistema.

Abril. É lançado em Lisboa, uma obra maior: “Me-xendo no Baú, Vasculhando o Ú”, do poeta Filinto Elísio, uma complexa proposta artística, com 35 poemas, belos e inovadores, numa edição de luxo, nunca vista em Cabo Verde. O livro inclui trabalhos do artista plástico Luís Geraldes e um CD com os poemas declamados por mim e por Nancy Vieira. Orgulho por estar associado a esta empreitada artística de grande valor que precisa de ser apresentada e divulgada nas nossas ilhas, com carácter de urgência.

Maio. O jogador Rolando festeja a conquista da Liga Europa pelo FC Porto com a bandeira de Cabo Verde nas costas: a audiência global foi proporcional ao orgulho de toda uma Nação. Entretanto, na cada vez menos pacata cidade do Mindelo, o Grupo de Teatro do CCP-IC estreia “Ñaque – Piolhos e Actores” onde partilho a cena com Manuel Estêvão, actor maior da sua geração. O teatro como espaço de homenagem. A arte cénica como lugar de celebração da vida.

Junho. Estreia o filme Éden, de Daniel Blaufuks, numa comovente sessão no auditório do Centro Cultural do Mindelo. Um documentário sobre as memórias do cinema numa espécie de requiem final ao cineteatro Éden-Park, que lá continua, a apodrecer aos olhos de todos na principal praça da cidade. Num tempo em que o mar e o cinema eram as únicas formas de escapar das ilhas. O valor das coisas e a falta de respeito pelo nosso património maior. O testemunho do cinema.

Julho. Um abraço sentido entre um ex-presidente da Câmara da cidade da Praia e um candidato a Presidente da República deu o mote para uma luta sangrenta que deixaria mossas no partido que sustenta o Governo: está na estrada a campanha eleitoral para as eleições presidenciais, e nada mais será como dantes na politica crioula. Será? Nem por isso, porque na politica o que parece, muitas vezes não é. No final, amigos como sempre. Com palmadinhas nas costas.

Agosto. Novo Presidente, uma surpresa para muitos ou a prova definitiva da maturidade democrática do povo cabo-verdiano. Num mês de enxurradas na cidade do Mindelo, o vendaval politico trouxe à baila Jorge Carlos Fonseca como o mais alto representante da Nação. Um presidente como coração de poeta. Desta vez, ficamos todos a ganhar.

Setembro. O mês do teatro, da festividade artística, da partilha em torno de uma mesma paixão, a arte cénica. Bodas de Sangue, um Garcia Lorca revisitado em crioulo, casamento, bodas, paixão, morte. Foi gratificante e cansativo, como é quase sempre quando nos entregamos de corpo e alma às coisas da vida. Os Saltimbancos, os meninos do coro Jorge Barbosa, um musical para as crianças que celebra a liberdade. Valeu cada gota de suor, cada lágrima de desespero. Assim sim.

Outubro. Deixa-nos o Presidente Aristides Pereira. Luto nacional. Homenagem aos fundadores da Independência. Há que ser digno das heranças deixadas. Éramos um país improvável, hoje somos uma nação orgulhosa e que quer ser melhor. Para alguns, já somo exemplo. Há que procurar a excelência. Para isso, urge mudar de mentalidades.

Novembro. Crise. Não se fala de outra coisa. Na Islândia, processaram e prenderam os banqueiros responsáveis pelo descalabro e o povo voltou a ter poder nas decisões. Os gregos não tiveram a mesma sorte. A fortuna dos primeiros foi não pertencerem à tirania capitalista, comandada pelos senhores do FMI. Parece que há outros caminhos. Pena que sejam tão pouco divulgados.

Dezembro. Adeus Cize, luz de nôs vida. Lágrimas. Mar de gente. Depois deste dois mil & 11, há que ser dignos das heranças deixadas.




Há pouco mais de dois anos, quando de forma inesperada a minha mãe faleceu, desloquei-me a Portugal acompanhado da minha filha Laura, com quem ela tinha uma ligação muito forte. A morte ocorreu no dia 15 de Agosto e as cerimónias fúnebres tiveram lugar dois dias depois, precisamente no dia de aniversário da Laura. Sempre vi isto como um sinal de continuidade, a neta que continua a avó, tal era a força do que as unia e as semelhanças que as caracterizam. A morte e a vida ligadas, como sempre acontece.

Ontem, foi um dia tremendo para Cabo Verde, o da despedida de Cesária Évora. Com choros, cânticos, lágrimas e a alma profundamente ferida. Foi também o dia de aniversário da minha mulher, meu amor meu grande amor, e por isso vi-me mais uma vez confrontado com a situação de partilhar, numa mesma hora, a dor provocada pela morte com a celebração da vida. Queria ter feito mais, abraçado melhor e por isso me penitencio, Jana. 

É estranho e mexe com as nossas entranhas. A tristeza e o vazio convivendo com a vontade de celebrar uma vida, o amor e a pessoa luminosa que partilha connosco todos os nossos dias e noites. Mas é também resultado da nossa existência e da nossa passagem pelo mundo. Estaremos sempre em contacto com essa outra realidade, que não é outra, afinal, mas tão natural como a própria vida. 

Ilustração: "vida & morte", de Klimpt




A forma como Cabo Verde se despediu de Cesária Évora foi bela, emocionante e histórica. Pela primeira vez em muitos anos, que eu me lembre, o ironicamente designado Palácio do Povo, foi realmente do povo e foi o palco escolhido para homenagear a sua maior representante. O povo, esse, disse presente de uma forma extraordinária, prestando um tributo que vai ficar para a história do arquipélago. Esteve bem o Governo, esteve bem o Presidente da República, esteve bem S. Vicente e Cabo Verde. Os discursos, tanto do Mário Lúcio como o do Presidente, foram sentidos, poéticos e reveladores da dor sentida por todo um povo. O tributo foi feito, mas muito mais há por fazer.

Duas medidas urgem, no imediato: em primeiro lugar, um novo baptismo, tão rápido quanto possível, do Aeroporto Internacional de S. Pedro, com o nome de Aeroporto Internacional Cesária Évora, de onde ela tantas vezes saia para espalhar o nome de Cabo Verde pelo mundo. Em segundo lugar, a preparação, com gente empenhada, preparada e tecnicamente qualificada de uma candidatura da Morna a Património Universal da Humanidade, canção nacional de Cabo Verde, como aconteceu com o Tango, na Argentina e, mais recentemente, com o Fado, em Portugal. Duas iniciativas que não nos vão trazer a diva de volta ao nosso convívio diário, mas irão, certamente, contribuir para engrandecer toda a monumental herança que ela nos deixou. É hora de sermos dignos dela.

@Foto de João Barbosa, todos os direitos reservados





Cesária Évora, no filme "O Testamento do senhor Napumoceno"




Um país inteiro de pés descalços

A primeira vez que chorei em Cabo Verde, há quase vinte anos, foi por ter ouvido a voz de Cesária Évora, que se apoderou de mim como um furacão de alma e sentimento. Tinha acabado de chegar ao Mindelo e pela mão do músico Vasco Martins fomos a um bar de amigos, para um serão tranquilo de boa conversa. Estava sentado, distraído com uma qualquer leitura, quando aquele espaço foi invadido por uma voz única, grave, possante. O disco era o Miss Perfumado, o CD que haveria de catapultar Cesária para a fama internacional, por via do mercado francófono e a transformaria na maior embaixadora da história do arquipélago, hoje no mapa global muito por responsabilidade do retumbante e espantoso sucesso da sua ímpar carreira.

No saudoso Café Royal, da mítica Rua de Lisboa, para onde ela ia quase diariamente, numa época em que ainda não tinha que viajar constantemente, com tournées que a obrigavam a ficar tão longe da sua cidade querida, a sua chegada de carro, sempre com um condutor próprio, e a entrada com os pés descalços no estabelecimento, eram dignos de um cerimonial que nunca mais esquecerei.

A mesa onde se sentava Cesária ia-se enchendo e esvaziando, à medida que ela recebia amigos, familiares, conhecidos ou curiosos. Pagava bebidas a todo o mundo, dava dinheiro aos pedintes, brincava constantemente com aqueles que a rodeavam, muitos já adivinhando que ali estava uma fonte inesgotável de talento e projeção. Na sua casa, sempre tinha a porta aberta, com o mesmo espírito generoso, próprio de uma grande matriarca.

Hoje, depois do choque inicial, a voz de Cesária Évora ecoa por toda a cidade do Mindelo. Nas ruas, nos cafés, nos bares, nos carros, nas vozes das pessoas. Um mendigo grita no centro histórico do Mindelo: Cesária já morrê! Hoje, Cabo Verde, é uma Nação que se curva, de pés descalços, perante a sua maior Diva.






Cesária Évora
(1941 - 2011)

Que dia tão triste. Que dia triste...






Qual a melhor posição para dormir e porquê?




À melhor resposta, ofereço um café





A amnésia do leão é a glória do caçador

"Soube, com espanto, que a Universidade do Mindelo decidiu atribuir um doutoramento honoris causa ao Professor-Doutor Adriano Moreira, escolhendo para tal o dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

De acordo com o site da dita Universidade, farão o elogio e o apadrinhamento do homenageado dois respeitáveis cidadãos cabo-verdianos: Onésimo Silveira e Germano Almeida.

Não pondo em causa as qualidades académicas do Professor-Doutor Adriano Moreira, não posso deixar de pensar que conceder-lhe o Doutoramento Honoris Causa no Dia Internacional dos Direitos Humanos, tendo sido ele o autor da Portaria 18539, de 17 de Junho de 1961, que instituiu o Campo de Trabalho de Chão Bom – onde estiveram presos, em condições de inumanidade, mais de duas centenas de nacionalistas de Angola, Guiné e Cabo Verde – é, além de uma notável demonstração de humor negro, uma afronta à memória dos homens e mulheres que lutaram pela libertação dos seus países do jugo colonial português. Não se trata de perpetuar ódios, mas de respeitar a memória das vítimas.

No cemitério da Vila do Tarrafal permanecem ainda os restos mortais dos guineenses Cutubo Cassamá e Biaba Nabué, falecidos no campo a 12 e 24 de Novembro de 1962. Morreram também, em consequência da sua detenção no campo, os angolanos António Pedro Benge (13 de Setembro de 1962) e Magita Chipóia (13 de Maio de 1970). Muitos outros presos – alguns dos quais cabo-verdianos – vivem ainda as consequências dos maus tratos sofridos no campo mandado reabrir pelo agora homenageado no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Estranho o menosprezo da Universidade do Mindelo pela história recente do seu próprio país. É certo que vivemos tempos de amnésia e indiferença, mas temo que um povo que ignora o seu passado ponha em causa o seu futuro. Até por que, como lembra o provérbio africano, “enquanto o leão não escrever a sua História, a glória será sempre do caçador”.

Diana Andringa


Adenda: nada a acrescentar ao que a jornalista Diana Andringa escreve aqui. Esta homenagem é apenas mais um (triste) sinal dos tempos que correm. Margoso mais margoso, não há...

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