O recém mestre e ilustre cronista Paulino Dias com quem tive o prazer de me cruzar recentemente, escreveu a propósito da Pergunta Cafeana sobre a falta de espírito crítico do crioulo um comment não só esclarecido e bem escrito, como também resume um pouco o que a maioria dos participantes escreveu sobre o assunto.

Como aqui no Margoso não queremos deixar morrer tão interessante - e pertinente! - debate, aqui fica o texto do Paulino:

«Na minha modesta opinião, a deficiente cultura crítica em Cabo Verde alimenta-se de 3 pilares fundamentais: a família, a envolvente cultural e a instituição de ensino.

A família. Apesar do número elevado de famílias chefiadas por mulheres solteiras, a maior parte da nossa "elite" advém de famílias do tipo patriarcal onde, muitas vezes, a "crítica" durante a fase de crescimento é confundida com o desafio à autoridade do progenitor. Por isso, muitas vezes reprimida. Que influência isso terá tido no fraco desenvolvimento de uma cultura crítica?

A envolvente cultural. É meu sentimento (muito pessoal, sem nenhuma sustentação "científica"...) de que em Cabo Verde o comodismo, o alinhamento com as regras e normas pré-estabelecidas, é melhor reconhecido do que a crítica, a subversão, o pensar diferente. Ver apenas os debates ou certas reacções que encontramos em artigos de opinião na blogosfera, por exemplo.

Instituições de ensino. Aqui, não meto apenas as Universidades. Falo do universo global, desde as escolas primárias. Qual a relação entre o aluno e o professor em Cabo Verde no que diz respeito ao pensamento crítico? É minha impressão ou também existe aqui a mesma tendência para confundir a crítica com o desafio à autoridade do professor? Os professores - em todos os níveis - estão preparados para aceitar de animo leve as opiniões contrárias dos seus alunos? Lembro-me de um episódio quando eu estudava o então Ano Zero em São Vicente: quando contestei um dos meus professores, que dizia do grande número de trapiches tradicionais ainda existentes em Santo Antão, rapaz, levei um raspanete dos diabos com pérolas do tipo que tinha saído do campo e que agora que estava na cidade estava a armar-me em espertinho...er. E estamos a falar de alguém que é tido como uma autoridade no que diz respeito ao ensino... Qual a responsabilidade de nós, os professores (que também sou), em cultivarmos uma mentalidade crítica no seio dos nossos alunos?»

Aplausos, Paulino!





Nome: Norah Jones

Nacionalidade: EUA

E Deus criou a mulher...




1. Não tenho por hábito assistir a programas do género, mas ontem estive a ver a cerimónia dos Globos de Ouro na SIC, pelo facto da actriz Carla Galvão - com raizes cabo-verdianas, da ilha do Fogo - ter estado nomeada na categoria de melhor actriz de teatro, no espectáculo «Contos em Viagem - Cabo Verde», do Teatro Meridional. Uma peça que estreou mundialmente no festival Mindelact do ano passado e que nos mostrou uma actriz no seu apogeu, luminosa, plena de magia, sensualidade, talento, força e capacidade comunicativa. Foram momentos únicos que Carla Galvão nos proporcionou e estava curioso para saber se ela iria receber o prémio. Não ganhou. Mas o que ele nos deu, isso ninguém nos tira. Aplausos, Carla!
2. No mesmo programa, que fui espreitando depois com menos interesse, parei para ouvir a actriz Eunice Munoz, que acabava de receber um prémio de carreira e mérito. O que mais me impressionou naquela senhora foi a sua humildade e simplicidade. Com 80 anos de vida e mais de 60 de carreira, ainda nos conta que o que mais faz na sua profissão é auto-observar-se, procurar melhorar e aperfeiçoar a sua arte, não tendo problemas de ouvir a sua voz interior dizer-lhe: «que mal que estiveste hoje! Amanhã tem que ser melhor...». Uma lição.




Hoje, é uma segunda-feira. E vou dizer uma heresia: é o melhor dia de cada semana. Vem isto a propósito dos muitos insultos que a pobre da segunda-feira tem que ouvir, um pouco por todo o lado, um pouco por todo o mundo. Mas eu penso, sinceramente, que isto é só mais um sinal do triste mundo em que vivemos, onde a grande maioria parece fazer tudo para não ser feliz.

Ao contrário, o Domingo, o dia que o Criador escolheu para o descanso e a oração, não podia ser mais aborrecido. Os centros urbanos transformam-se em cidades fantasmas. O comércio fecha, os cafés também, quase ninguém sai de casa, meio mundo fechado num manto de casulos individuais. Em Cabo Verde quantos seguem o exemplo do Paulino e organizam passeios ou caminhadas por cada uma das ilhas? Os Domingos são uma seca tremenda. Está tudo morto.

Por isso gosto tanto das segundas-feiras. O dia da semana em que o mundo renasce, acorda, desperta da monotonia insuportável dos domingos e feriados. Claro que também a mim me dá gosto, de quando em quando, ficar em casa a não fazer rigorosamente nada. Há quem confunda isso com descansar, quando no meu caso, fazer nada é muito mais cansativo do que produzir alguma coisa.

Diz um artigo que dez entre dez mortais já pronunciou a frase «odeio a segunda-feira», mas isso é um exagero. eu não me incluo na lista. É o primeiro dia útil da semana. Por alguma razão se chama útil!

Talvez seja hora de pensar porque odiamos tanto este dia e se a culpa não é um bocadinho nossa. Pensar porque encaramos o nosso trabalho como se fosse uma tortura, porque andamos nas ruas como se fossemos zombies, mortos-vivos ou robots ou porque é que só nos conseguimos divertir aos Sábados, Domingos e Feriados. Nada como uma boa gargalhada, entre amigos, mesmo que seja numa segunda-feira.



Exposições, Debates e Palestras em homenagem a
Aimé Césaire‏.


A não perder!


12 de Maio
Abertura e debate sobre o tema "Nègre je suis et nègre je resterai"

15 de Maio
Palestra sobre Aimé Cesaire, por Mário Fonseca

22 de Maio
Projecção
de filme sobre alusivo à Negritude

30 de Maio
Encerramento

Uma co-produção: Centro Cultural Francês e Fundação Amilcar Cabral

Vamos ver, ouvir & comentar!

Abertura no dia 12 de Maio
Local: sede da Fundação Amilcar Cabral


Tab, «The Calgary Sun»


Bom fim-de-semana!


Via: aqui






Os candidatos destas eleições acreditam realmente naquilo que andam por aí a dizer?


À melhor resposta, ofereço um café





Nada como uma campanha eleitoral para agitar as massas. Fazem-se promessas mil, gastam-se rios de dinheiro, comunica-se com o povo, os fatos e gravatas são guardados e em sua substituição adopta-se vestuário desportivo, as gargantas procuram aguentar discursos mil, e os músicos e artistas são, por força da lei, «tradicionalizados», para poderem também ganhar o seu com toda esta movimentação. E se tivessemos que definir a presente campanha das autárquicas com apenas uma palavra?

Digam lá, que palavra melhor define a presente campanha eleitoral?

As opções são as seguintes:

1. Inteligência
2. Criatividade
3. Fé
4. Surrealismo
5. Frontalidade
6. Basofaria
7. Vazio
8. Nem quero saber!

Vamos lá a votar! Como estão a viver a actual campanha?

Urna de voto, na coluna da esquerda. Pode-se votar em mais do que uma opção (em todas, inclusivé) Não é necessário estar-se recenseado.



Eis os resultados da sétima sondagem do Café Margoso

Pergunta: Quero viajar para onde...



Número total de votantes: 43

Resultados:

Pré-história - 1 (2%)
Civilização Egipcia - 4 (9%)
Atenas Clássica - 5 (11%)
Roma de César - 0 (0%)
Idade Média - 0 (0%)
Renascimento Italiano - 7 (16%)
Século XIX Paris - 5 (11%)
Loucos anos 20 - 9 (20%)
Para o Futuro - 12 (27%)

Mais um estudo altamente científico e de enorme valor académico promovido aqui pelo margoso e que nos permite tirar aqui algumas conclusões interessantes:

Então é assim:

1. Não há muita vontade de viajar no tempo - a sondagem teve baixa participação, apesar de ter estado activa durante um maior número de dias - o que me parece ser um bom sinal. O pessoal gosta dos dias de hoje e não pensar sair daqui.

2. Não houve nenhuma época que se tenha destacado especialmente. De notar que ninguém parece estar interessado em conhecer in loco a Roma imperial ou a Idade Média e apenas um cliente gostaria de experimentar a sensação de ser-se um homem das cavernas (talvez porque homens das cavernas seja algo que se encontre com tanta facilidade por aí, hoje em dia).

3. Embora o futuro a Deus pertença, é para lá que gostariam de ir a maioria dos participantes na sondagem. Quem sabe para tentar saber os números do totoloto e voltar para jogar... pela certa!

Até à próxima!



Porque (algumas) imagens valem por mil palavras




A fotógrafa inglesa Zena Holloway especializou-se em fotografia aquática e cada imagem revela instinto, sensibilidade e muito talento.

Via: aqui
Veja a galeria completa aqui




Recebi no mail do Margoso esta mensagem da Veruska e não posso deixar de publicar:

«O menino Leonardo Spencer – Leo – tem apenas vinte meses de vida, ainda não conhece todas as cores e corre o risco de ter a sua visão limitada devido a um infeliz acidente doméstico que lhe atingiu o olho direito.

Ele encontra-se hospitalizado no Centro de Oftalmologia de Barraquer em Barcelona Espanha, considerado um dos melhores em matéria oftalmológica, para onde foi levado de urgência pelos pais, logo após o acidente do dia 28 de Janeiro.

Os jovens pais do Leo, Natalina e José Luís, esgotaram já todas as suas economias, na esperança de devolver a visão completa ao seu caçula e, para que tal aconteça, ele terá que ser submetido a uma nova operação, desta vez para reposição do humor vítreo.

É assim que dirigimos a si, caro(a) senhor(a), no sentido de o(a) mobilizar para esta campanha de recolha de fundos para a operação do LEO, cujo valor aproximado ultrapassa os vinte mil euros.

Estamos certos que não deixará de apoiar uma causa tão nobre, tendo em conta a vossa preocupação e atenção para com a comunidade em que estais inserido e todo o vosso espírito humanitário.

Com os melhores cumprimentos,

Mindelo, 05 de Maio de 2008


Conta Nº. 11969009101 – CECV
Titular Leonardo José Cruz Lima Spencer»


Vamos dar uma mãozinha?



Grande Fôlego





Para ver melhor, clicar na figura

Inspirado nesta noticia da Semana Online