A vida tem coisas terríveis, e tem outras muito boas. Uma delas é poder acordar rodeado pelas montanhas de Santo Antão, e sermos confrontados com uma das paisagens mais belas do Mundo. Poder cheirar e ouvir aquelas montanhas (sim, porque certas montanhas podem ser cheiradas e ouvidas), é um privilégio fantástico.

Pude fazê-lo envolvido no espaço agora gerido pelo querido amigo Paulino Dias, o Divin'Art, num ambiente de conforto, bom gosto, um toque bucólico e saudosista, muita criatividade e simpatia. A possibilidade de residências artísticas é fantástica, principalmente para o artista. Naquele local, não há razão para que não venha a inspiração. Ela já está lá.

Uma programação cultural de tal riqueza que já haja quem pergunte se mora ali o representante do Ministério da Cultura, Um café da manhã digno dos Deuses. Um sossego raro e acolhedor. Qualidade e bom gosto dão o mote.

Aconselho vivamente. Afinal, há vida além dos resort's do tudo incluído menos as coisas da terra. Aqui, é ao contrário, nós nos incluímos e as coisas (boas) da terra já lá estão, à nossa espera. Parabéns ao Paulino Dias e toda a sua equipa. Este já é um espaço exemplar. Por um turismo de rosto humano e alma cultural.  


Algumas imagens para encher o "apetite"













Lançamento do novo livro de José Vicente Lopes

"Onesimo Silveira, Uma vida, um mar de histórias"

A não perder

Onde: auditório da Universidade do Mindelo
Quando: 29 de Janeiro / sexta-feira / 18h00






O meu amigo Salvador Mascarenhas, que em boa hora resolveu regressar a Cabo Verde e fincar os pés no chão, lembro algo que me parece básico: não faz sentido que deputados que concorrem pelos dois maiores partidos para o círculo eleitoral de S. Vicente, não só não vivam na ilha, como digam abertamente que não o pretendem fazer. Como ele pergunta, e bem, "casta de representação é essa?"

Eu concordo, e falando em fincar os pés no chão, considero que é de uma suprema hipocrisia virem com listas onde estejam políticos que passam em S. Vicente apenas no Carnaval e no festival Baía das Gatas, isto é, quando passam. Que ao longo de uma legislatura botam faladura no Parlamento uma ou duas vezes lembrando dos problemas da ilha, sendo que se for de uma cor acusam a Câmara Municipal dos desmandos, se for da outra cor, o culpado pelo "abandono a que S. Vicente está sujeito", é o governo centralista.

Até quando?

Por isso, com todos os defeitos ou incoerências que lhe possam apontar, admiro o político Onésimo Silveira. Foi o único que conseguiu quebrar esta dicotomia partidária que, infelizmente, não muda de discurso, nem de postura, nem demonstra uma ponta de criatividade, ao menos isso! 

Finalmente, virem falar de renovação é outra forma de troçar com o povo desta ilha. A gente olha para as listas e pergunta: renovação é ess? Bzot ta maj é na brinkadera!






"Portanto, mais uma vez, a malta pode dizer o que quiser; porque se ouvimos o que eles dizem, também somos capazes de VER o que eles fazem. E o que ambas as corporações fazem é perpetuar a polarização do nosso entendimento da História de Cabo Verde. E não há coisa mais perigosa – ver Israel, por exemplo – do que gente que partilha o mesmo espaço ter entendimentos polarizados da sua história."

Rosário Luz




Bem que podiam experimentar este método com algumas músicas da nossa praça...
Muito bom.

Boa semana!

A gerência






O quê: Over12 (Abertura Oficial da ALAIM)
Onde: Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo

Quando: 22 de Janeiro, 17h00





Um dia, tínhamos marcado uma apresentação com as crianças das duas oficinas permanentes com crianças, de música e teatro, do Centro Cultural Português do Mindelo. Chamamos os pais e amigos próximos. Era para ser um momento único, de confraternação artística e familiar. 

Ora, acontece que no lugar onde estava marcada a apresentação, na mesma hora previamente marcada, decorria uma pequena obra que utilizava uma cola com um cheiro fortíssimo, que não só impedia que permanecêssemos naquele lugar, como provocou que algumas crianças se começassem a sentir mal. Abandonamos de imediato o local - um espaço público - e adaptamos a biblioteca do Centro Cultural Português, onde realizamos a nossa atividade, um pouco apertados, mas o certo é que a coisa se fez, com dignidade e alegria.

Juramos que a partir desse dia tudo faríamos para conseguir um espaço para dar ao ensino artístico o mínimo de dignidade. Dar àquelas crianças a oportunidade de crescerem e evoluírem de forma saudável. Entretanto, na dança os problemas eram os mesmos. A única escola existente dá aulas de ballet e dança contemporânea em chão de cimento. Grupos de dança e de teatro ensaiam nas ruas e praças da cidade, uma imagem que pode ter até algo de poético, mas que se for regra e não exceção, torna-se uma aberração para os artistas do Mindelo. 

Nasceu assim o sonho da ALAIM - Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo. A história é muito mais longa, envolve centenas de pessoas, parcerias e colaborações. Outros episódios serão relatados aqui e por outros meios. Mas o que importa sublinhar é que este sonho, que se concretizará no próximo dia 22 de janeiro, dia de S. Vicente, é um grito pela dignidade dos artistas do Mindelo, uma luta por um ensino artístico informal com as mínimas condições de aprendizagem, uma conquista para as nossas crianças, jovens, monitores, artistas e grupos. 

E pela liberdade, sempre.  





TUDO É FINITO

Pronto!


A Vénus de Milo está gorda

E fez cesariana


Apolo tem rugas

e usa lunetas


Cupido cresceu

e sofre de hérnia.


Acabou!


Arménio Vieira





E é com uma fotografia de Beckett bebendo café, que anuncio, sem pompa nem circunstância, o renascimento do blogue Café Margoso!

Haja criatividade, tempo e paciência para manter isto com vida. Dou-vos as boas vindas com esta famosa frase do homem que ali em cima bebe o seu café:

"Todos nós nascemos loucos. Alguns permanecem." 

O meu compromisso? Um post por dia, é o mínimo. Sempre colocado no início do dia, que o café fresco quer-se pela manhã. 


Os princípios que regeram o nascimento deste blogue, há quase dez anos atrás, mantêm-se inalterados. Liberdade de pensamento e expressão, sentido de humor, crítica construtiva e promoção artística, com o foco inevitável em Cabo Verde, mas os olhos voltados para o mundo inteiro.

E pronto, é isto. 

Amanhã há mais!