Declaração Cafeana

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Este fim de semana, que a cidade do Mindelo está em festa com celebrações de finalistas de praticamente todos os graus de ensino, desde os infantários até às Universidades, lembrei-me que talvez não fosse má ideia comentar uma notícia que saiu esta semana na Nação, que dá conta, em letras garrafais que a "Uni-Cv abre caça às bruxas". Fiquei curioso e fui ler em que consistia essa terrível represália, certamente pouco recomendável num país democrático. E fiquei informado do que seria essa tal "caça às bruxas": a Reitoria colocou em prática uma avaliação dos professores cujo contrato caduca no presente ano lectivo. Segundo ainda vem escrito, a medida está a ser recebida pelos professores "com um misto de espanto, apreensão e revolta."

Não sei se percebi muito bem a razão para tanto alarido. Em primeiro lugar, se os professores fizeram o seu trabalho bem feito, e todos queremos crer que o fizeram, não tem nada a temer. Em segundo lugar, se estão em fim de contrato e há a possibilidade deste ser renovado, há que ter algum critério para se decidir se o professor a, b ou c merece a confiança do Estado para continuar a dar aulas na Universidade Pública. Não vejo onde possa estar a polémica. 

Talvez o maior problema aqui seja a falta de conhecimento sobre como será feita a referida avaliação e saber se, tendo esta como pretexto, a ocasião será aproveitada para afastar vozes críticas. Mas isso são contas de outro rosário. Uma vez sabidos os resultados e os métodos, poderemos então tirar conclusões. Se um professor com reconhecida e comprovada competência técnica, científica e pedagógica não vir o seu contrato renovado por alguma razão menos clara, terá, então sim, todas as razões para protestar, com os instrumentos legais que certamente tem ao seu dispor. 

Quem não deve não teme. Se os professores fizeram o seu trabalho bem feito, não tem nada a temer, antes pelo contrário. Agora, não podemos estar sempre a mandar bocas sobre a falta de qualidade do nosso ensino superior, privado e público, e depois bradar aos céus, e gritar que há uma "caça às bruxas", só porque os principais responsáveis pela transmissão dos conhecimentos ministrados nas Universidades estão ser avaliados para que se decida se um contrato de trabalho é ou não renovado.



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9 comentários:

Tchale Figueira disse...

OK João competencia em primeiro lugar! Agora!

Porque os formados da UNICV teem que pagar até Setembro se o curso terminou em Julho? se não pagarem não lhes dão o diploma... Chantagem ou roubo qual é a palavra para esta malandragem?????

Estive na cerimonia e jantar dos alunos da UNICV e tive que sair indignado... Era musica CU DURO e TECNO... como diz um amigo meu: GENTE NUM CALDEIRÃO COM OLEO A FERVER SALTANDO NO INFERNO...SALTAVAM TODOS EM HISTERISMO GRITANDO, NÃO ME PUDE CONTER E DISSE: VOCÊS PODEM TER DIPLOMA, MAS NIVEL VOCÊS NÃO TEM...Prova, que deixa muito a desejar o nivel intelectual destas pessoas. CARAMBA!!!!

Jandir disse...

Onde esta o botao LIKE ou +1 , gostei da cronica de hoje ....

jandir

Anónimo disse...

o que dizer do Jornalista que escreveu a matéria? é um profissional com a sério? devia ser desterrado para a Antartida...

Djinho Barbosa

Mário Vaz Almeida disse...

João, as manchetes na imprensa caboverdiana dariam uma tese de doutoramento. Já se tornou sintomático.

daivarela disse...

O que dizer de uma classe universitária que "abençoa fitas" na sua cerimônia de formatura?
É pra rir ou pa chorar?

Anónimo disse...

Só para dizer que todos deveriam ser avaliados:professores, médicos, jornalistas, banqueiros, politicos, artistas, funcionarios poblicos, os avaliadores ....todos.....ninguem deveria escapar à avaliação.

O facto de só os professores em fim de contratto serem avaliados......quer dizer alguma coisa.....todos deviam ser avaliados.

TODOS

Anónimo disse...

é necessario também saber como é que a maioria desses profs. foram lá parar....as contratações da unicv nem sempre são claras.

para se ser contratado pela unicv o interessado tem que ter um QI muito forte.

QI - quem indica

Benvindo Chantre Neves disse...

Eu fiquei estupefacto quando terminei de ler a matéria. O que mais me impressionou foi ler que que os professores estão apreensivos, espantados e revoltados. Se não tiverem "rabu-padja" deviam era estar tranquilos. Entender um processo de avaliação como "caça às bruxas"!!! caramba, o culto da mediocridade é cada vez mais preocupante nesta terra.
A avaliação, seja de alunos, seja de professores, seja de outros integrantes da comunidade académica não é um processo contínuo e necessário numa instituição de ensino?????

argumentonio disse...

muita razão quanto à necessidade de normalizar e apaziguar o processo de avaliação: praticamente em todas as profissões há avaliações e, em muitos países do mundo, incluindo professores de vários graus de ensino

em Portugal tem sido traumático e toda a tentativa de avaliação (dos professores do ensino não superior, os do superior já são avaliados há muito) tem sido objecto de contestação e histeria, à mistura com ostensivas ambições sindicais e, encapotadamente, partidárias, o cantiflas que o diga

oxalá em Cabo Verde a avaliação dos professores seja extensiva a todos os profissionais deste ofício, sem discriminações injustificadas, segundo regras transparentes, metodologias consensualizadas quanto possível, processos isentos e resultados publicados

;_)))