Café World Music

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O termo World Music ganhou projeção internacional a partir da década de 1980, graças a utilização de elementos musicais pouco conhecidos do público de cultura anglo-saxónica em geral. A sua utilização na música pop aconteceu pelas mãos de artistas como Peter Gabriel (que fez parceria com o artista paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan e com o senegalês Youssou N'Dour), Paul Simon ou David Byrne. Um outro colaborador importante foi George Harrison, que nas décadas de 1960 e 1970 trouxe ao mundo do rock a sitar indiana, tornando-se amigo de Ravi Shankar. Um representante muito importante da "pop world music" no Brasil é André Abujamra, que tem uma extensa obra dedicada à pesquisa e divulgação da diversidade cultural.

Pois bem, a cidade da Praia viveu este fim de semana a primeira edição do um auto-intitulado Cabo Verde World Music Festival. Quando fiquei a saber que o país promoveria um festival do género confesso que fiquei esperançado de que esta pudesse ser uma excelente ocasião para termos um festival de música que saísse dos padrões habituais dos grandes festivais organizados pelas Câmaras Municipais, incluindo a Baía das Gatas, Gamboa e o festival de Santa Maria.

Mas quando vi que para representar aquele que é, muito provavelmente, o país mais rico, criativo e diverso do mundo na área da produção musical (o Brasil), tinha sido escolhido o grupo As Tigresas do Funk (na imagem), confesso que fiquei não só desiludido como espantado. Aliás, pelas imagens que foram seleccionadas na televisão nacional de Cabo Verde dos vários participantes, talvez não fosse mau dar um novo nome a este evento, certamente fundamental para a promoção do país além fronteiras, como por exemplo, World Bundas Festival. 

Enfim, não vai ser desta que vamos poder ter um Zeca Baleiro a tocar nas nossas ilhas.




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10 comentários:

pura eu disse...

pois, pois...uma tristeza!

Anónimo disse...

mas achas que os fazedores de cultura que tanto reclamam sabem fazer as coisas, tirando tu e poucos mais???? Felizmente que não foi o governo a organizar uma coisa dessas?

Tony Reis

Anónimo disse...

uma das tigresas disse ao responder o que espera da participação no World Bundas Festival disse: "nóis quer deixar os omi loco"...

estamos entregues à bicharada.

Djinho Barbosa

Mário Vaz Almeida disse...

Acho que têm mesmo que trocar o nome de festival. Porque "wold music" já é uma categoria musical e não tem nada a ver com os artistas que actuaram neste festival.

Lily disse...

Esta foi para rir... ou chorar, já nem sei...

JonDays disse...

Joao, manda as tigresas para aqui, que eu até faço a dança do ventre para sambar com essas gostosas! hehhehe

kriolbox disse...

caro joão, devido a essas vossas criticas que cabo verde está onde está em termos musicais hoje em dia, alguns querem a elite, mas o povo esse som quer se divertir e ter 1 momento de gozo, fugir de seus problemas, pois já há o krioljazz, vamos diversificar. Deixe o publico seja o juiz, e se partilharem do teu sentimento certamente o recinto ficará as moscas. Deixem que a musica que circula em Cabo Verde seja da responsabilidade do seu povo e não da responsabilidade de 1 ponhado de gente letrada.

JB disse...

Prezado Kriolbox, nada a ver. Nada a ver mesmo. Há 40 mil grupos e artistas mais interessantes, em todos os pontos de vista, populares e que vendem milhões de CD's e fazem concertos para outros milhares, que poderiam representar muito melhor o Brasil num festival dessa natureza. Se querem é ver Bundas e danças eróticas com laivos de pornografia, então mudem o nome do festival. Aqui de World Music não tem rigorosamente nada. Não tem nada a ver com elites ou gostos de meia dúzia.

kriolbox disse...

mas convenhamos caro João, cabo verde nesse preciso momento precisa de musica que possa ser vendida em grande escala, e funk é uma delas, para ter financiamento de proporcionar um espaço mais diversificado em Cabo Verde, falo porque a cultura é linda, a arte em cabo verde e que passa em cabo verde está num grande momento, mas precisamos desses tais artista para financiar grandes projectos, e já agora gostaria de assistir não só Zeca Baleiro mas também Ney Matogrosso e porque não Chico César fazer 1 concerto/workshop para explicar o seu Brasil e a sua africanitude, seria o momento ideal. Abraço

JB disse...

Lá está. Acabas de dar 2 exemplos importantes. E há tantos, tantos, naquele país maravilhoso! Agora, Tigresas do Funk, convenhamos...