Declaração Cafeana

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O programador António Pinto Ribeiro deu uma conferência no Mindelo, onde falou de um exemplo de aplicação de políticas públicas para a cultura que talvez poucos conheçam: a antiga presidente do Chile, Michelle Bachelet, que liderou o país entre 2006 e 2010, durante o seu mandato fazia-se acompanhar em todas as suas viagens, por um grupo de teatro. A apresentação pública desse grupo no país visitado era quase sempre um dos pontos altos da agenda da visita e foi esta a forma que ela encontrou para promover o seu país e contribuir para o desenvolvimento teatral do Chile que também por causa desta medida conheceu nos últimos anos avanços extraordinários.

Ora cá está algo que nunca entendi porque não é aplicado a Cabo Verde: a diplomacia cultural. Não se entende porque é que não existem Adidos Culturais nas Embaixadas de Cabo Verde, responsáveis por uma programação dedicada à promoção da cultura do país, convidando artistas residentes no arquipélago ou no país da própria embaixada e promover um programa vasto de promoção cultural. Não se entende porque é que os artistas, músicos, bailarinos, actores, artistas plásticos, poetas, são tão poucas vezes convidados a fazer parte das comitivas, sejam elas Presidenciais ou o Chefe do Governo. 

Intitulamos Cesária Évora de "nossa embaixadora" mas nem paramos para pensar no que isso realmente significa. Cabo Verde deve ser dos países do mundo que mais teria a ganhar com a implementação séria, sustentada, programada, de uma vasta diplomacia cultural. Com ganhos, inclusive, de teor económico, até porque dar o país a conhecer ao mundo tendo a cultura como principal motor de promoção, é a melhor forma de contribuir para o seu pleno desenvolvimento. O que se tem visto nesta área? Muito pouco. Quase nada. Achar-se que a distribuição de alguns passaportes diplomáticos a artistas resolve esta lacuna é demasiada ingenuidade, para não lhe chamar outra coisa. 

Imagem. «petalaflor desta varanda», de Manuel Figueira




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2 comentários:

Anónimo disse...

Adidos culturais nas nossas embaixadas? Integrar comitivas do governo ou PR? Já ouviste falar em restrições orçamentais de um minúsculo país que vive de ajuda externa?!

JB disse...

Por acaso já ouvi falar de um país cujo principal (senão) único bem exportável é a sua Cultura. Tudo o resto é uma questão de visão.