Declaração Cafeana

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Acompanhar uma campanha eleitoral com a importância e a intensidade que esta última teve estando fora do arquipélago, teve duas vantagens: a primeira, mais óbvia e compreensível, está relacionada com o facto de não ter que conviver diariamente a um ritmo perto do insuportável com a tremenda poluição sonora que estes momentos sempre provocam, dando cabo dos nervos de qualquer cristão. Para quando uma legislação séria sobre esta questão da poluição sonora? Porque temos que levar todos os dias, com anúncios de festas, concursos de misses, promoções de mini-mercados ou publicidade de eventos, a altos berros, provocados por carros sonorizados para o efeito que invadem todos os cantos da cidade? Se esta legislação já existe, ela nunca foi aplicada. O problema da poluição sonora tem, pois, em tempos de campanha eleitoral, uma precursão ainda mais avassaladora nos nervos de toda a gente e portanto, dei graças a todos os deuses o facto de poder acompanhar todo esse carnaval politico-partidário a uma distancia considerável, não sem imaginar, com algum desconsolo, a provação que muitos tiveram que suportar durante estas últimas semanas.

A outra vantagem é que a distancia dá-nos algum discernimento. O crivo apertado e quase fundamentalista da Comissão Nacional de Eleições, gerido por um Código Eleitoral demasiado rígido, permitiu, por outro lado, um acompanhamento da campanha eleitoral através da Internet a partir de uma cobertura mediática feita como quem pisa ovos, com cada jornal, rádio ou televisão a tremer que a mão pesada da CNE lhe caísse em cima da cabeça. Pelo menos deu para ver o que o exótico PSD crioulo andou a propor às massas em geral e aos coitados que eram apanhados pelo famoso e indispensável porta-a-porta em particular, o que sempre foi divertido e serviu para desanuviar um ambiente carregado de nuvens cinzentas.

Perante isto há que pensar muito bem sobre o que pretendemos para Cabo Verde e votar em consciência. Acredito que depois da tempestade que se avizinha, volte a bonança e a morabeza às ilhas crioulas e que o magnifico percurso feito até agora pela nossa Nação possa seguir seu curso, com maturidade democrática e admissão tranquila de que nem todos que pensam como nós são anjos assim como nem todos que estão do outro lado da barricada são, necessariamente, uns demónios.




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6 comentários:

Anónimo disse...

Ainda mais irritante é quando nos reunimos aos amigos para tomar aquele cafézinho, no fim de um dia de trabalho e esquecer por momentos as agruras da vida, e damos por nós dentro de um fogo cruzado, entre duas barricadas, discussões acesas sobre a campanha! Só apetece gritar! Discutir, brigar para quê, se necessariamente temos todos opiniões diversas, cada um de nós quer é garantir o seu tacho e puxar a brasa para a sua sardinha, como se diz? Trocar impressões, até vai, mas brigar, sair de cara amarrada, e instalar-se aquele clima pesado para quê? Isso não somos nós, não é ser criol! Por isso pessoal, melhor disposição, mais tolerância e racionalidade neste resto de campanha e principalmente no dia de eleições e nos dias após.

Amén,
Pimintinha

Anónimo disse...

... qualquer cristao??!!E os outros? Onde està a liberdade de consciência e religiosa? Depois você é capaz de dizer que é ateu!qualquer muçulmnao também, qualquer ou coisa também etc e tal e a vida continua.

daivarela disse...

Voto vendido (também) é voto consciente.

Quem dá mais?

Anónimo disse...

Aqui no Mindelo, o JMN teve uma recepção fantástica, ele não ofendeu o Veiga em momento algum, ao contrário deste último que continua com o baixo nível no discurso. A Rua de Lisboa estava a arrebentar-se pelas costuras da onda amarela. Havia 2 ou 3 vezes mais pessoal que o MPD. Quanto às sondagens o Veiga fala das sondagens, mas ninguém do MPD refere as fontes. Daquilo que é oficial é a sondagem da MGF Research (data do dia 31 de Janeiro) que dá vitória ao PAICV, com 53,30% das intenções de voto, contra 39,30% do MPD, 6,40% da UCID, 0,70% do PTS, e 0,20% do PSD. São sondagens, é claro. Mas os sinais cá na terra são claros, também.
Djon.

Anónimo disse...

Podes delirar anonimo de mindelo! Nao é pecado quer sejas um cristao ou um maometano; és bem-vindo à familia vitoriosa no domingo. VAmos implantar a democracia e a liberdade defintivamente nesta terra. O MPD dirigirà tudo com a ajuda de todos!

Anónimo disse...

Sobre a poluição sonora queria só concordar com uma legislação que regulamente esse abuso e violação dos nossos ouvidos. Ontem, aqui no bairro da Terra Branca, Praia, houve uma alma caridosa que resolveu brindar aos vizinhos (e não só), a partir das 9 da manhã e até quase 10 da noite, com o repertório completo das músicas de camapnha do PAICV (5 musicas, creio) a alto e bom som! Eu , que até nem me desgostou (muito)a vitória tambarina,fiquei aborrecidíssimo com esse abuso. Excusado será dizer que liguei duas vezes para a polícia a qual me prometeram mandar lá um carro de piquete mas..