Só mais uma. Bem que se tenta passar uma semana sem falar das calinadas da cúpula da Igreja Católica, mas eles não querem. Vai ver e isto não passa de uma bem pensada estratégia de marketing para dar nas vistas. Só pode!

Desta vez foi notícia a afirmação do Papa Ratzinger, a caminho da sua primeira visita ao continente Africano, de que a distribuição de preservativos não é a solução para a SIDA/AIDS. "Não se pode resolver isso com a distribuição de preservativos. Pelo contrário, apenas aumenta o problema."

Cerca de 22 milhões de pessoas estão infectadas na África Subsaariana, o que corresponde a cerca de três quartos das vítimas de SIDA no mundo inteiro. Talvez, sublinho, talvez a utilização massiva de preservativos tivesse impedido tamanha catástrofe humanitária. Mas sobre isso o Papa não tem nada a dizer. Quem sabe se daqui a 500 anos o Vaticano estará a emitir um pedido público de desculpas. A história repete-se, deviam saber.




Graciosas vozes ébrios de luz
Garça-real paira no céu
Regresso aos sonhos
Contemplo a vida

A ilha… o lírico, e o onírico,
Rosto de pedra violão tocando

Nascente cristal perfume de mulher
Branca espuma rumor do mar
Forte é o sorriso de mil mulheres

Crepúsculo sereno olhos de água
O fogo do dia… vai apagando, montanhas e
Vales, sombras no mundo, a primeira estrela,
Guia da noite.


    Tchalé Figueira


Fotografia de Pedro Madeira Pinto







Agora sim, já entendi!




Ontem foi um dia extraordinário. Chegou às minhas mãos, a pedido do próprio, o novo trabalho discográfico de Vasco Martins. Um disco absolutamente fabuloso, denominado "Lua Água Clara" onde o músico apenas está acompanhado do seu piano.

Falo a sério: este é um trabalho comparável às interpretações de Keith Jarrett no mesmo instrumento, e que dei conta neste post, há um ano atrás.

Podem ouvir alguns temas deste novo trabalho a partir deste sítio: aqui

Vale a pena. Grande Vasco Martins. Cada vez mais estou convencido que tantas & tantas vezes não temos consciência do talento e da sabedoria que mora nas ilhas afortunadas.  




Estou à vontade para escrever este post. Sempre fui - e sou - a favor da oficialização do crioulo, faço muito teatro em crioulo, falo e escrevo em crioulo, fazendo um esforço titânico para me habituar às regras alupekianas dessa escrita  e tenho ainda incentivado aqui e noutros círculos este apaixonante debate sobre a língua nacional cabo-verdiana. Sempre ouvi dizer, não só do Ministro Manuel Veiga como de outros defensores do sistema que está a ser implementado por intermédio do ALUPEC - que entretanto se reforçou pela força de Lei - que este alfabeto não impediria nunca ninguém de escrever o seu crioulo já que as regras seriam exactamente as mesmas, estivesse eu escrevendo o crioulo de Santiago ou de Santo Antão. A base desta teoria é claramente fonética: escreve-se como se ouve, com o argumento que tudo fica mais simples até porque o português "só complica". 

É um argumento discutível, mas é com ele que temos que lidar. Agora não deixei de estranhar este post de Redy Lima, logo calorosamente defendido pelo Marciano Moreira (que é quem tem mais dado a cara na comunicação social e até nos blogues em defesa deste crioulo), e onde ele escreve, taxativamente isto: 

"Como disse alguém no tal debate, o crioulo surgiu em Santiago, berço da nossa identidade que é a ilha mais habitada, mais cosmopolita e onde o crioulo possui uma estrutura mais rica. Com isso quero dizer, que não vejo nenhum acto ditatorial em ter o badio como a base do crioulo. Em Portugal, temos o português formal e as suas variantes açoriana, madeirense, algarvia, alentejana, angolana, brasileira, etc. e está tudo bem. Porque raio então não podemos ter aqui um crioulo formal com estrutura badia e as suas variantes foguense, mindelense, santatonense, salense, bravense, etc.? "

Bem, para além de questões bastante discutíveis relacionadas com pódios de cosmopolitismo ou de estruturas mais ou menos ricas de cada uma das variantes, e ainda do facto de o Redy fazer uma confusão terrível considerando o português de algumas regiões de Portugal, e ainda de outros países como o Brasil e Angola, como variantes de um "português formal" - o que é uma asneira de todo o tamanho - pergunta porque não se pode ter um "crioulo formal com estrutura badia". E eu que pensava que nunca foi essa a intenção! Que o ALUPEC defende a padronização dos processos de escrita mas que nunca porá em causa as características intrínsecas de cada um dos crioulos de cada uma das ilhas. E eu que pensava que aqueles que defendem argumentos contra esta oficialização do crioulo dizendo que o objectivo final é fazer um crioulo dominar os outros todos, eram exagerados e irrealistas.

Desculpem lá qualquer coisa. Mas perante esta posição clara e frontal eu pergunto: Redy, isso foi algum lapsus lingae ou fugiu-te a boca para a verdade? 


Ilustração: Jornal de Hiena





É triste não ter amigos.
Mas mais triste deve ser
Não ter inimigos.
Porque todo aquele
Que inimigo não tenha
É sinal que não tem:

Nem talento que faça sombra,
Nem carácter que impressione,
Nem honra que dela murmurem,
Nem bens que lhe cobicem,
Nem coisas que se lhe inventem.

Jose Marti



"Em tempos de crise, ninguém quer saber da origem do dinheiro."

Clara Ferreira Alves, "Eixo do Mal"



"A muitos jornalistas interessava-lhes a minha decisão de escrever na “página infinita da Internet”. Será que, aqui, melhor dito, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos? Somos mais companheiros quando escrevemos na Internet? Não tenho respostas, apenas constato as perguntas. E gosto de estar escrevendo aqui agora. Não sei se é mais democrático, sei que me sinto igual ao jovem de cabelo alvoroçado e óculos de aro, que com os seus vinte e poucos anos, me questionava. Seguramente para um blog."

José Saramago, in A Página Infinita da Internet



Diz uma das mais famosas coladeiras que "é na marginal ke ta morrê pex." Para quem não sabe o que isto significa, apenas posso dizer que tem a ver com um dos passatempos preferidos dos machos mindelenses: encontros furtivos com crioulas, dantes apenas na Avenida Marginal, hoje noutros locais mais recatados, se possível com vista para a cidade, dentro de automóveis que podem ir deste modestos Starlets a jipes de última geração.

Pois bem, para esse pessoal que habitualmente anda nessas aventuras aqui fica o guia que faltava. Kamasutra? Qual Kamasutra! Este é que está na moda: o Karrimsutra. Confiram, aqui.

Não precisam de agradecer. Isto sim, é serviço público!





Qual a distância exacta entre o hábito e o vício?

À melhor resposta, ofereço um café




Ouçam esta pimbalhada de um rapaz chamado Élvio Santiago (aqui). Mas ouçam mesmo. 

Já está? Pois, aqui fica o refrão desta enorme preciosidade, para decorarmos e cantarmos no aeroporto da Praia, da próxima vez que vier mais um Primeiro Ministro lusitano cheio de computadores. Afinal, tem tudo a ver, não é? Gosto particularmente da forma como o artista soletra a palavra msn (ême ésse êne). Genial.

"Eu vou-te bloquear no meu Hi5 / Tuas fotos e mensagens vou excluir / Vou até mudar mudar o número do telemóvel / Para a tua voz eu nunca mais ouvir / Não entras mais no meu msn / Para um novo endereço eu vou mudar / Nem até na webcam eu nunca mais para essa tua cara eu quero olhar."

O que se pretende com este café pimba oriundo de terras lusas? Depois desta experiência surreal, que nunca mais ninguém tenha o atrevimento de falar mal do nosso zouke love! Falo a sério!

É só ouvir e comparar - aqui - para sair cantando: "Bô corpo, caliente / bôs lábios, caliente / bôs beijos, caliente / kel bo korpu, suavemente". Obrigado, Nelson Roque! Bô kre dansá ma mim?


Fonte da pimbalhada lusa: Bagaço Amarelo
Fonte da pimbalhada nossa: arquivo pessoal






Que legenda, para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café