Como se pode ler aqui, a Agência de Regulação Económica decidiu mandar baixar os preços dos combustíveis em cerca de 5%, no dia em que o preço do barril de petróleo voltou a ter uma queda acentuada de 6%, só de ontem para hoje, tendo baixado a barreira psicológica dos 69 dólares, algo impensável e até pornográfico, há uns tempos atrás. Neste preciso momento em que escrevo este post, o preço certo do barril de petóleo é de 67.86 dólares por barril.

Resta dizer que esta redução é ridícula, sabendo-se que o preço do petróleo já diminuiu para metade em relação ao mesmo período do ano transacto. Mas seja como for, agradecemos a esmola.




Gosto do autor, já o adaptei para teatro - com o seu conhecimento e devida autorização! - e cheira-me que este livro ainda vai dar uma outra peça crioula, um dia destes. Oh Rui Zink, não dá para me enviares um exemplar?

A gerência agradece.

Lançamento da obra, no dia 26 de Outubro às 17h na FNAC Chiado, em Lisboa, com a presença da escritora Inês Pedrosa e do editor Carlos da Veiga Ferreira. Como disse o autor, «se não puderem aparecer não apareçam. Mas se puderem aparecer apareçam.»

Eu não posso. Mas gostava
.




Depois de uma semana em branco, regressa o Blogómetro Cabo Verde. Como se tem vindo a dizer, esta é também uma oportunidade de reflexão, análise e crítica do que de melhor ou menos bom se vem fazendo na blogosfera crioula. Hoje é dedicado a dois anónimos: não sabemos quem são, mas são responsáveis por alguns dos melhores momentos da blogosfera berdiana. Minhokinha e Hiena. Já agora, os blogueiros anónimos têm sempre nomes de animais?


A subir


A descer

    Pedra Bika, a «voz» do Tide, precisa de ser mais ouvida...


Lindas Mandrongas em Cabo Verde na zona de links:

http://www.lamannade.blogspot.com/


Blogómetro Cabo Verde: todas as 4ª feiras no Café Margoso



Diz-me com quem andas...




...e dir-te-ei quem és!



Fonte: 20 minutos





Levâm ma bô. Foi assim, sem mais nem porquê que ela quase suplicou que ele a levasse dali. Mas porquê, não entendo. Aqui tens paz, tens tempo, tens espaço, tens qualidade de vida. Levâm ma bô. Um abraço mais apertado ainda, uma mão numa perna. Mas tens a certeza que é isso que queres? Aqui tens mar, tens Sol todo o ano, tens razoáveis condições de saúde, tens como educar o teu filho. Levâm ma bô, un ka krê sabê. Desta vez era um aperto urgente, como quem quisesse desnascer, para de novo surgir no mundo dos vivos, mas num outro local qualquer que não esse lugar inóspito, ventoso e sem perspectiva de futuro, para além do facto de saber que num próximo fim-de-semana, aplicará toda a sua arte e sabedoria para tornar-se irresistível, sair à noite como uma sereia de duas pernas, cheirosa, decote saliente e um sorriso que transparecesse uma felicidade que nunca existiu. E à primeira oportunidade, aquele abraço, aquele apelo desesperado. Agora calá boca e levâm ma bô.


Imagem: fotografia de negateven




Nome: Allison Stokke

Nacionalidade: EUA


(nunca o salto à vara foi tão sensual)






Foi anunciado, para grande surpresa minha, a apresentação do espectáculo «Contigo», da companhia Último Momento, no passado dia 18 de Outubro, na Assembleia Nacional. Este foi daqueles espectáculos que sempre tentamos trazer ao Mindelact e nunca conseguimos. Foi a nossa vez de sentir aquela pontinha de inveja.

Dois dos maiores performances portugueses estiveram na cidade da Praia e ninguém diz nada?


Que raio de mistério é este?





«Nunca a condição da humanidade no seu conjunto foi tão ignóbil como hoje. Estamos todos ligados uns aos outros por uma igniminiosa relação de senhor e servo; todos presos no mesmo círculo vicioso entre julgar e ser julgado; todos empenhados em destruir-nos mutuamente quando não conseguimos impor a nossa vontade. Em vez de sentirmos respeito, tolerância, bondade e consideração, para já não falar em amor, uns pelos outros, olhamo-nos com medo, suspeita, ódio, inveja, rivalidade e malevolência. O nosso mundo assenta na falsidade. Seja qual for a direcção em que nos aventuremos, a esfera de actividade humana em que nos embrenhemos, não encontramos senão enganos, fraudes, dissimulação e hipocrisia.»


Henry Miller, in «O Mundo do Sexo»
Via: aqui


Imagem: pintura de Abraão Vicente





A gente até quer ter boa vontade, procurar pretextos para parabenizar, mas há coisas que não se entendem (ou talvez expliquem muito):

Faz sentido que na gala oficial da Cultura Cabo-verdiana a língua «oficial» utilizada nos discursos não tenha sido a Língua Cabo-verdiana? E depois, ainda se admiram de o crioulo não ser oficializado.

Francamente!

Para mais pormenores, ver este post do Djinho, que diz quase tudo.





Canta, logo existe

1. Imaginem este cenário: terreiro da Vila, na ilha de S. Nicolau. Um pequeno palco improvisado, com algumas tábuas de madeira colocadas sobre um conjunto de bidões de metal. No início ninguém acredita que «daquilo» possa nascer um palco, mas como se comprovou nessa noite, o palco, é quem o pisa que o faz.

2. Noite. Lua cheia. Os convidados e ilustres estão sentados em cadeiras mesmo em frente ao palco, o povo invadindo o belo terreiro, com a biblioteca municipal ao alto e ao fundo, a Igreja, vaidosa e de cara limpa, do lado direito da Praça.

3. Noite. Lua Cheia. Paulino Vieira vem a Cabo Verde pela primeira vez depois da sua longa convalescença. Houve mesmo quem tivesse afirmado, nesse período, que o Paulino nunca mais recuperaria a alegria suficiente para voltar a cantar e a compôr. Mentira. Ali estava ele, cheio de talento. Com o génio de sempre.

4. Mas não veio sozinho. Ali estavam Bau e Voginha, a dupla de guitarristas, representantes maiores de uma nação de tocadores de violão. E para o final, também depois de muitos anos sem cantar em palcos do arquipélago, o nosso bom gigante, enorme, imponente, houve mesmo gente que duvidasse se aquele frágil palco aguentaria aquela figurona. Mas aguentou. Oh, se aguentou!

5. Bana cantou naquele terreiro as mais belas mornas de B'Leza. Acompanhado por um Paulino renascido para a vida no seu torrão natal e por dois guitarristas de primeira linha. Eu abençoei o facto de poder estar ali, a presenciar aquele momento histórico. Nunca tinha visto o Bana cantar ao vivo e muito menos naquele lugar. Eu estava a poucos metros da lateral do palco improvisado, onde podia ver, detalhadamente, as expressões daquele rosto emocionado.

6. Bana canta morna como ninguém. E apesar da sua visível debilidade física, é um monstro em palco, no sentido metafórico do termo, como é evidente. Ver de perto Bana cantar é como conseguir ver a alma de um povo através de um microscópio super-potente, daqueles que só vemos nos filmes de ficção científica. Um imenso mundo novo, que sabíamos existir, mas que nunca tinhamos visto a olho nú, se nos apresenta bem à frente do nosso nariz.

7. Aquela forma tremida de cantar a morna, o lenço branco na mão, o gesto para limpar o suor (e as lágrimas), a expressão facial que nos dá a impressão que está sempre a sorrir. E o humor e carinho com que se dirige à sua plateia. Nesse memorável concerto do terreiro, ele cantou mais duas músicas do que o previsto, a pedido do seu povo e por vontade própria, e acabou dizendo, porque era um Domingo: «oh menis, amanhâ tud gent tita ba tchgá tard na traboi!». Uma delícia.

8. Foi lançada uma biografia do cantor, que será também apresentada no Mindelo, da autoria de Raquel Ochoa, intitulada «Bana: Uma Vida a Cantar Cabo Verde» e que segundo foi referido na apresentação, está escrito como um romance e retratando a vida de uma pessoa, mas que é também uma espécie de biografia de Cabo Verde. É natural que assim seja, e quem já viu Bana cantar ao vivo entende como isso é possível.

9. Bana foi homenageado na cidade da Praia, no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Cultura, e será homenageado na sua ilha natal, S. Vicente, no dia 21 de Outubro, amanhã, numa sessão promovida pela Câmara Municipal. Merece, certamente, esta e todas as homenagens que lhe couber em sorte, porque não são todos os países que tem um homem assim, um homem que carrega nas costas, no corpo, no coração mas sobretudo no jeito de cantar, o espírito indelével de um povo único e orgulhoso.

10. Como afirmou Celina Pereira recentemente, Bana «canta, logo existe.» E nós, humilde e orgulhosamente, agradecemos.


Mindelo, 20 de Outubro de 2008




Fonte: Jumento




1. Pronto, aconteceu: o General Colin Powell anunciou o seu muito aguardado apoio a Barack Obama, um agente de transformação ("transformational figure"). Segundo as suas palavras, Obama tem todas as condições para vir a ser «um presidente excepcional». E este não é um apoio qualquer. Powell foi nada mais nada menos do que Secretário de Estado no primeiro mandato de Bush e um republicano conceituado nos EUA. Mais uma (pequena) vitória para Obama.

2. O candidato democrata entretanto, terá realizado aquele que foi o seu maior comício até hoje, conseguindo juntar em St. Louis, Missouri, mais de 100 mil pessoas que foram ouvir o candidato democrata. O Missouri é um dos estados onde Mccain está “obrigado” a vencer, pois os seus 11 votos eleitorais poderão fazer a diferença, caso a eleição seja renhida. As últimas sondagens têm dado uma ligeira vantagem a Barack Obama.