Qual a melhor posição para dormir e porquê?




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A amnésia do leão é a glória do caçador

"Soube, com espanto, que a Universidade do Mindelo decidiu atribuir um doutoramento honoris causa ao Professor-Doutor Adriano Moreira, escolhendo para tal o dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

De acordo com o site da dita Universidade, farão o elogio e o apadrinhamento do homenageado dois respeitáveis cidadãos cabo-verdianos: Onésimo Silveira e Germano Almeida.

Não pondo em causa as qualidades académicas do Professor-Doutor Adriano Moreira, não posso deixar de pensar que conceder-lhe o Doutoramento Honoris Causa no Dia Internacional dos Direitos Humanos, tendo sido ele o autor da Portaria 18539, de 17 de Junho de 1961, que instituiu o Campo de Trabalho de Chão Bom – onde estiveram presos, em condições de inumanidade, mais de duas centenas de nacionalistas de Angola, Guiné e Cabo Verde – é, além de uma notável demonstração de humor negro, uma afronta à memória dos homens e mulheres que lutaram pela libertação dos seus países do jugo colonial português. Não se trata de perpetuar ódios, mas de respeitar a memória das vítimas.

No cemitério da Vila do Tarrafal permanecem ainda os restos mortais dos guineenses Cutubo Cassamá e Biaba Nabué, falecidos no campo a 12 e 24 de Novembro de 1962. Morreram também, em consequência da sua detenção no campo, os angolanos António Pedro Benge (13 de Setembro de 1962) e Magita Chipóia (13 de Maio de 1970). Muitos outros presos – alguns dos quais cabo-verdianos – vivem ainda as consequências dos maus tratos sofridos no campo mandado reabrir pelo agora homenageado no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Estranho o menosprezo da Universidade do Mindelo pela história recente do seu próprio país. É certo que vivemos tempos de amnésia e indiferença, mas temo que um povo que ignora o seu passado ponha em causa o seu futuro. Até por que, como lembra o provérbio africano, “enquanto o leão não escrever a sua História, a glória será sempre do caçador”.

Diana Andringa


Adenda: nada a acrescentar ao que a jornalista Diana Andringa escreve aqui. Esta homenagem é apenas mais um (triste) sinal dos tempos que correm. Margoso mais margoso, não há...




Mulheres experimentam, em média, 21.000 peças de roupa durante a vida
(fonte: aqui)


Nada que um homem que acompanhe habitualmente a sua cara metade às compras não saiba já!








Muito bom para começar a semana! E só para contrariar, adoro segundas-feiras!






A pior forma de encarar determinadas realidades é pensar que certos males só vão acontecer aos outros. Isso continua patente, por exemplo, na forma como encaramos a prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, como não nos preocupamos em poupar energia, ou como continuamos a apontar o dedo aos problemas do vizinho. Estamos perante o conhecido - e quase tradicional - meter a cabeça na areia ou tapar o sol com uma peneira, expressões que combinam com as características naturais e geográficas do arquipélago cabo-verdiano, já que. como sabemos, areia e Sol são elementos que nunca faltaram por estas paragens.

E tem dias em que tudo isto mete medo. Continuamos a olhar para S. Vicente duma forma superficial, redutora, escolhendo o ângulo que melhor serve os nossos interesses ou a empatia que temos pelo lugar. Costuma-se dizer que o amor é cego, mas neste caso não é apenas cego, é perigoso. Amar a cidade e a ilha requer abrir o olho para a realidade que nos cerca e não sair cantando alegremente que Soncent é sab pa cagá, mesmo que essa "melodia popular" já tenha sido utilizada como exemplo na rádio por um convidado ilustre, como uma música característica da ilha do Porto Grande (ao que isto chegou!).

Na passada semana, uma senhora e uma jovem, mãe e filha, foram brutalmente baleadas, à porta da residência e dentro da própria viatura, para onde se dirigiram, numa fuga desesperada. Foram disparados quatro tiros, com uma arma de guerra. Todos eles acertaram nas vítimas, que só escaparam por milagre, embora ainda estejam no hospital em estado considerado grave. Foi uma execução. Falhada, mas foi, porque quem disparou, atirou para matar. Tudo isto aconteceu em Alto de S. Nicolau, onde vivi recentemente durante alguns anos. Numa zona movimentada. Por onde eu passava todos os dias, com as minhas filhas. Se isto não é suficiente para reflectirmos sobre o estado a que isto chegou, abrir os olhos e não cruzar os ombros, à boa maneira mindelense, e dizer que estas coisas "só acontecem na Praia", não sei o que mais será preciso.

Não dar atenção aos sintomas é o primeiro e definitivo passo para definhar de uma doença terminal. Falar que S. Vicente está falido e ver a fila monumental de gente à porta do Ponta d'Agua todos os Sábados, pronta para pagar por mais uma valente paródia de fim-de-semana, não combina. Há muita coisa que não bate certo nesta história. Mais: afirmar, nos discursos políticos, que "S. Vicente tem tudo para dar certo", tem o mesmo peso e a mesma redundância, que os cânticos do povo no já célebre Sab pa Cagá. 

Um dia, acordaremos para esta triste realidade e por amor à minha ilha e à minha cidade, só espero que esse despertar não chegue tarde demais.




Que legenda para esta imagem?

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Li isto no Facebook, não tenho como não partilhar:

"A Alemanha atribuiu um orçamento extra de 50 milhões de euros para a Cultura. O ministro alemão da cultura declara à imprensa "Não se trata de um subsidio. Trata-se de um investimento significativo no futuro da sociedade alemã". Todos os partidos, desde a esquerda à direita, aplaudem o Ministro Alemão da Cultura e congratulam esta medida. A cultura passa a ser assim 5,1% do Orçamento de Estado na Alemanha."

E isto, em plena crise, provavelmente a maior desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Ver o link da notícia, aqui.


Imagem: "The Rite of Spring" de Pina Bausch




Para que a gente nunca se esqueça de que, apesar de hoje ser oficialmente o Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher, essa luta deve ser feita diariamente e a todo o momento. Quem cala consente. Há que denunciar e acabar com essa hipócrita e cínica desculpa de que entre marido e mulher não se mete a colher. Oie viv na melon e mai nada!








"A economia de São Vicente é muito baseada no tinha. A ilha tinha o maior complexo de frio do país onde armazenava peixes e outros congelados mas este pegou fogo e nunca mais foi reconstruído. Tinha fábricas de sapato e vestuário que fecharam e hoje os operários estão no desemprego. Tinha a intenção de receber grande número de embarcações no seu Porto Grande que já foi muito frequentado mas que hoje recebe poucos navios anualmente. Tinha o desejo de incrementar o turismo com vários vôos no Aeroporto de São Pedro mas na verdade recebe escassos voos internacionais por semana."

Odair Varela - Jornalista (crónica completa, aqui)






Porque raio é que as mulheres continuam a justificar-se com o misterioso TPM, quando o mau-humor feminino pode aparecer a qualquer momento independentemente dos ciclos menstruais ou das fases da Lua?

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Estas imagens tem muito de teatral, não tem? 

Magnífico trabalho do fotógrafo Dariusz Klimczak (galeria completa, aqui)






Depois do comportamento dos senhores deputados na sessão da manhã da Assembleia Nacional só me vinha à cabeça uma frase do dramaturgo Nelson Rodrigues:

"Hoje é muito difícil não ser canalha.
Todas as pressões trabalham para o nosso
aviltamento pessoal e colectivo."

Se estes senhores são representantes do povo, estamos mesmo entregues à bicharada! Se os dois maiores partidos, que constitucionalmente representam mais de quatro quintos dos cabo-verdianos tivessem um pouco de coragem, a solução seria simples: processos disciplinares nos dois deputados que pisaram o risco e extravasaram uma discussão política para o campo do insulto pessoal. Inadmissível. Mas claro que todos sabemos que isso nunca irá acontecer...

Além disso, esta sessão só veio demonstrar, mais uma vez, que o senhor Presidente da AN não tem pulso para dominar o plenário. Não o respeitam e não se faz respeitar. Parece o actual treinador do FC Porto, credo!