Natal 01

"O Natal é uma grande celebração dos valores da Classe Média. Grandiosas e fartas festas são oferecidas em nome da santíssima trindade: a tradição, a família e a propriedade. Para celebrar estes três pilares de devoção, institui-se a figura do “Natal em família”, uma festa que acontece tradicionalmente todos os anos, com o maior número de familiares possível, normalmente na propriedade do patriarca. E não é uma festa qualquer: é uma espécie de prestação de contas coletiva e anual, algo como uma convenção para tornar pública as vidas alheias. Principalmente suas partes ruins."

Natal 02

"Não adianta tentar fugir: para ser médio-classista, é estritamente necessário gostar do Natal. O Natal é uma festa que acontece todo final de ano, onde as pessoas louvam um deus sempre retratado de barba, que veio do céu para trazer à humanidade o que realmente importa nesta vida. Trata-se do Papai Noel, carregado com um saco bem grande de bens de consumo. O Papai Noel é uma divindade muito louvada pelos médio-classistas, um personagem criado pela indústria de refrigerantes como o símbolo da festa mais importante para a Classe Média: a época das compras de Natal."

Pierre do Brasil in Blogue Classe media way of life







Enquadrado


Havia um bloqueio militar na estrada. A polícia estava à procura dos assaltantes de um banco, do qual há poucas horas roubaram uma pequena fortuna. Policiais armados paravam motoristas, revistavam automóveis.

Numa dessas revistas, encontraram alguns pacotinhos de maconha no porta-luva de um fusca meia-oito. Flagrado e enquadrado como traficante, o jovem motorista foi condenado a dez anos de prisão.


Tivesse roubado um banco, teria amargado apenas cinco.


Wilson Gorj








Estou com sérias dúvidas: que prenda de Natal posso oferecer a José Maria Neves e a Carlos Veiga (ou será que estes já tem tudo o que precisam)?



À melhor resposta, ofereço um café







Hoje é inaugurado o aeroporto internacional de S. Vicente. Que ninguém tenha dúvidas: aquele é um chão abençoado, porque já teve tantas inaugurações que vai ficar difícil habituar-se a que passem mais alguns anos sem que mais nada seja inaugurado por ali. Primeiro, ainda no tempo do outro senhor, foi uma big party para inaugurar a iluminação e o prolongamento da pista (se bem me lembro foram mesmo duas inaugurações, uma para cada obra) e naquela época foi anunciada uma nova era para a ilha, graças à iluminação que passava a permitir voos nocturnos. A verdade é que se chegou uma nova era para a ilha ninguém deu por nada, porque continuou tudo mais ou menos na mesma pasmaceira de sempre, a não ser o facto de os passageiros que regressavam a Cabo Verde acabavam por ficar ainda mais tempo nos aeroportos internacionais do Sal ou da Praia, porque agora sim, Soncent tinha iluminhação na pista do seu aeroporto pelo que não viria nenhum mal ao mundo se os coitados dos mindelenses esperassem mais uma horitas para regressar ao conforto dos seus lares.

Depois foi a inauguração da nova gare, uma estrutura toda basofa, estive lá e até fui o inaugurador da máquina de café do local, tomei o primeiro dos primeiros, o Anselmo Fortes lá estava para registar o momento e a foto foi publicada no Café Margoso (não foi assim há tanto tempo!). Mas foi emocionante: teve direito a ministros, discursos, flores para a chegada do primeiro avião (ainda e apenas doméstico) e o pessoal da ASA e dos TACV todo contente com a nova casa. Ainda se ouviram umas bocas maldosas (tem que haver sempre quem diga mal de alguma coisa ou contrariamos a nossa própria natureza), que aquilo não tinha capacidade para aguentar um aperto maior, que é como quem diz que bastaria a chegada de três ou mesmo dois aviões em simultãneo para rebentar pelas costuras, mas eu acho que isso é mas é inveja, a gare é toda fashion, agradável a todos os sentidos e certamente dará conta do recado.

Disso daremos nós conta a partir d'agora com esta última e fantástica inauguração. O aeroporto vai-se tornar internacional. Vai ser grande, finalmente. O primeiro voo vem da Praia e sai directo para o Brasil, o que tem até uma certa lógica tendo em conta o brasilim que gostamos de cantar que somos. Desta vez temos direito a concertos musicais com dois dos maiores nomes da Nação, em palco pomposo montado para o efeito, tendas para os VIP's, luz para o Monte Cara, transporte de graça para o povo, tolerância de ponto para os trabalhadores, tudo comme il faut para sustentar este dolce fare niente, património local cada dia mais valorizado. E não estou a criticar nenhuma destas medidas, não me interpretem mal! Aplaudo e apoio. O sonho de chegar do estrangeiro directamente para a ilha merece toda festança e só quem não foi obrigado a passar horas e horas nos aeroportos do Sal e da Praia é que não entende a razão de tanta euforia. Será anunciada, certamente, a chegada de mais uma nova era. E cá estaremos para a receber de braços abertos. Se for com festa, melhor. Afinal de contas, estamos, nós os mindelenses, e a cada dia que passa, mais próximos dessa utopia de Agostinho da Silva, onde ninguém trabalha, onde há de tudo para todos e a vida mais não é do que uma grande paródia partilhada. Que lugar melhor que o Mindelo para a execução desse sonho filosófico?

Imagem: David la Chapelle







Que legenda para esta imagem?


À melhor legenda ofereço um café






"Morreu na semana passada, aos 71 anos, o velho Manel d’Novas. Para quem não saiba, Manel d’Novas é num dos mais notáveis escritores de mornas de Cabo Verde. Como o seu falecimento não suscitou quase atenção nenhuma nos media portugueses, fiquei um pouco indignado e triste com mais este exemplo do galopante triunfo de um certo cosmopolitismo parolo.

Fosse Manel d’Novas inglês, francês, cubano ou norte-americano e o acontecimento teria dado origem, pelo menos, a uma ou duas daquelas primeiras páginas estilosas, com uma fotografia a preto-e-branco a toda a altura da página e uma frase de efeito, compungida, rendendo homenagem à genial simplicidade do trovador da boina. Mas Manuel Jesus Lopes é apenas um escritor de canções num idioma exótico falado em bairros problemáticos de Lisboa."

M.J. Marmelo in Público (via Teatro Anatómico)






Que se lixe o voyerismo. O amor é mesmo uma coisa linda...




A BBC publicou as 10 fotografias que, segundo a escolha de seus editores, são as mais representativas da década que finda. Até aqui tudo normal, todos os principais orgãos de comunicação social também o fazem. O que chama atenção para a selecção de 10 imagens é que 8 delas retratam situações de violência extrema. Mais uma razão para pensarmos que a década que aí vem terá que ser um pouco melhor, não. Pior é impossível, apetece dizer...

Ver selecção completa, aqui






Um interessante e bem estruturado artigo publicado no Jornal de Negócios, de Portugal, dá-nos conta das tendências e previsões para a nova década que daqui a pouco mais de uma semana se vai iniciar. Sinceramente, tirando um ou outro aspecto, gostei do que li, e sendo um optimista militante por natureza, estou convencido que a próxima década não só vai ser bem melhor que a anterior, como será menos violenta, mais ecológica e mais saudável. Até porque se assim não for, dificilmente teremos muitas mais décadas pela frente.

Alguns dos in's e out's para os próximos 10 anos:




Diversidade
São cada vez e mais diversos os lóbis que apelam à diversidade nas administrações da empresas. O tema das mulheres no topo promete continuar bem no topo da agenda. E há ainda que contar aquele a que muitos especialistas já chamam "o efeito Obama" nas empresas, ou seja, a maior diversidade de raças.

A Ética
Mais do que "in", é caso para dizer que estará "on". O maior escrutínio de supervisores, reguladores e do poder políticos, de accionistas e investidores é um dos preços a pagar pela crise financeira da década que agora acaba e que, como nunca, ocupou estabelecimentos prisionais com gestores de topo caídos em desgraça.

A Globalização
A internacionalização continuará a ser o paradigma das novas empresas. Mais de 75% das 500 maiores companhias já geram receitas fora das portas da casa mãe. O movimento deverá intensificar-se.

Redes Sociais
As redes sociais surgiram na década que agora termina, mas vão entrar em definitivo no quotidiano das pessoas nos próximos anos. Permitem um contacto permanente e instantâneo entre pessoas que, de outra forma, não comunicavam ou comunicariam menos. Os próprios responsáveis das redes sociais acreditam que esta comunicação permanente vai permitir mais encontros face-a-face.

Melhor Ambiente
As preocupações ambientais não vão também desaparecer. Pelo contrário, tendem a aumentar à medida que os problemas se sucedem.

Sectores do Futuro
Os negócios associados à saúde, às energias renováveis e ao turismo, serão os pontos fortes da próxima década.

Cidades Diferenciadas
As cidades vão querer diferenciar-se e vão desenvolver projectos no sentido de ganhar diferença relativamente umas às outras. Muitas cidades europeias estão já a marcar os seus territórios. Além de que as pessoas vão mexer-se mais e irão viver em vários sítios.

Os Novos Produtos
A televisão 3D [Já está aí. A Sony vai gravar os jogos do Mundial 2010 em 3D.] Alforrecas Gourmet [Apreciadas na Ásia, estes "bichinhos do mar", que se reproduzem até mais não, estão a chegar às cozinhas refinadas da Europa.] Combustíveis de algas [Reproduzem-se a um bom ritmo e não levantam a polémica dos biocombustíveis. Um terreno fértil para as renováveis.] Schools of Life [e, se em vez de se licenciar em gestão, apostar num "curso para a vida": aprender a amar, ler poesia e a relacionar-se. Já existe em Londres: www.theschooloflife.com]

Brasil e India levantam voo
É uma potência florescente apesar da extrema desigualdade na distribuição do rendimento. Também a India, apesar de padecer de problemas sociais gravíssimos, continuará a exibir um crescimento pujante, alicerçado numa mão-de-obra jovem.

Novos Conceitos da Actividade Económica
Risco e imaginação; reinventar os sectores tradicionais; a qualidade de vida.

Os novos dispositivos móveis
Os telemóveis de nova geração e os computadores portáteis serão centrais na relação dos seres humanos uns com os outros, ligados a sistemas globais da Internet.

Eficiência energética
É impossível falar de redução de emissões de dióxido de carbono sem falar de eficiência energética. Apesar da aposta que tem sido feita nas energias renováveis, estas estão ainda muito longe de conseguir substituir os combustíveis fósseis. O petróleo, o carvão e o gás natural vão continuar a ter um peso elevado no "mix" energético durante muito tempo.




Excesso de formalismo
As variáveis serão mais e exigirão maior rapidez e capacidade de decisão, condições que se compadecem pouco com esquemas rígidos e burocratas. Ou seja, "keep it simple".

Fim do anológico
Aconteceu com as câmaras fotográficas, com os dispositivos de música, com a televisão. Será na próxima década que a televisão analógica vai ser definitivamente desligada e dará lugar à televisão digital, com melhor som e imagem.

Privacidade by by
As redes sociais reintroduziram o tema. As pessoas estão cada vez mais dispostas a partilhar informação sobre a sua vida. É essência das redes sociais. As novas gerações têm hoje uma visão da privacidade diferente. Partilham estados de espírito. Partilham fotografias. Partilham vídeos. E até contactos.

A importância dos países
Estamos num processo de diluição das fronteiras, os países perdem, de certa maneira, importância, ou têm-na a um outro nível.

A agricultura tradicional
A agricultura tradicional tenderá a acabar porque o seu custo, tal como a agricultura é hoje, será cada vez maior e tornar-se-á quase incomportável. A agricultura irá para as cidades, invadirá os apartamentos.

Cursos de papel e caneta
O baixo custo por aluno associado a cursos como História, Filosofia, Sociologia e formação de professores, entre outros, levou à formação de um número excessivo de profissionais nestas áreas. Eles continuam a ser obviamente necessários, mas o mercado está saturado. Os cursos demasiados especializados também vão sair de moda.

Os velhos produtos
Motores a gasolina [ter um carro a gasolina é estar "out" e ser irresponsável]; reality shows [este "voyeurismo" da sociedade vai estar "fora". Virá outro]; paraísos artificiais tipo Dubay [no cool anymore]; determinismo [não às teorias cartesianas e explicações fechadas]; facebook [Vão existir outras redes. Não as de um "personal reality show"].

Europa, velha Europa
Com uma pirâmide etária envelhecida, a Europa vai perder peso político e económico na cena internacional e defrontar-se-á com crescentes problemas para financiar a Segurança Social. O mesmo destino terá o Japão.

Domínio liberal sobre o pensamento económico
O domínio quase exclusivo dos académicos e do pensamento liberal sobre o pensamento económico terá chegado ao fim com esta crise. As imperfeições e limitações dos modelos e dos mercados exigirão abordagens mais pragmáticas.

Canais de TV generalistas
Os canais de televisão que tentam agradar a todos os públicos vão continuar a emagrecer, face à diversidade disponível em todos os meios de comunicação e na Internet.

A falta de qualidade
Num mundo em que vamos estar com a nossa atenção muito dividida, um novo valor vai emergir - a qualidade. Ela será determinante para consagrar produtos para públicos cada vez mais específicos. A ligação da qualidade às audiências e à captação de publicidade será determinante no novo modelo de produtos de media que chegará na próxima década.

Não fazer nada
As alterações climáticas representam um desafio para a humanidade. Sem a acção de todos - governos, empresas e cidadãos - poderemos assistir a um agravamento da situação ambiental. Sem um acordo internacional, podemos ainda registar uma deterioração das relações internacionais, que afectaria todos os regimes, incluindo o comércio internacional.

Desperdício
O desperdício vai estar "out" durante a próxima década. A mudança do padrão energético vai levar a um aumento dos preços da energia, o que levará, obrigatoriamente, a uma maior racionalidade e a um menor desperdício.


Tendo em conta, pois, o deve / haver destas previsões, temos ou não temos razões para estar optimistas para os novos tempos que aí vem? Eu penso que sim. Leiam o artigo completo, aqui.

Na imagem, o cartaz do filme "2010" de Peter Hyams.








Caros clientes: daqui a uma semana precisa o blogue Café Margoso comemora o seu segundo aniversário. Sem querer receber parabéns por antecipação - até porque é sinal de má fortuna - deixo aqui o desafio para que deixem sugestões, dicas, críticas sobre como melhorar este blogue na entrada do seu terceiro ano de existência. Porque aqui como noutros locais, o cliente tem (quase) sempre razão. Abraço.


























Sou fã incondicional dos anúncios de perfumes. Há uns melhores do que outros, naturalmente. As principais marcas pagam enormes fortunas para utilizar a imagem das maiores estrelas de cinema para as suas campanhas. Audrey Tautou, por exemplo, depois de ter dado vida à estilista Coco Chanel no filme «Coco Before Chanel» (tendo confessado que o papel mudou a sua maneira de ver a marca) empresta a sua imagem à nova campanha do perfume Chanel Nº5, a mais famosa fragância de todos os tempos. «Ela (Coco Chanel) estava sempre à frente do seu tempo. O facto de ela ter criado um perfume em 1920 que poderia ter sido criado ontem mostra bem isso», explicou Audrey. O anúncio é belíssimo e cheio de glamour, como se pode ver pelo mural ora publicado. Bom Domingo.





Também são daqueles que acham extraordinário que nas rúbricas radiofónicas do tipo "Avisos e Anúncios" se leiam anúncios de falecimento, de palestras de vulcanologia ou de descontos em caldas de tomate no supermercado Mendes & Mendes, sempre utilizando o mesmo tom de voz?



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