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Esta foi uma semana cheia de boas notícias para o Governo de Cabo Verde. Bem podem os radicais da oposição bradar aos céus que tudo isto não passa tudo de pura propaganda governamental mas contra factos não há argumentos (pelo menos, válidos). E os factos desta semana mostram-nos um conjunto de pequenas vitórias diplomáticas da situação que não devem ser ignoradas. Algumas destas boas novas dos últimos dias foram:

1. Catarina Furtado (na foto) visita o país e considera que Cabo Verde "está no bom caminho." A actriz e apresentadora portuguesa, que veio na condição de Embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), referindo que Cabo Verde é "um exemplo em África", mostrando-se impressionada com o progresso no domínio da saúde reprodutiva e com a "dinâmica" da juventude cabo-verdiana. [Fonte: aqui]

2. Nils Maehel, chefe de uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o desempenho e a gestão macroeconómica do governo de Cabo Verde neste período de crise mundial, afirmando que graças às medidas tomadas pelo executivo o arquipélago tem atravessado a crise económica mundial "a partir de uma posição de força". [Fonte: aqui]

3. Cabo Verde aparece em segundo lugar no ranking dos países mais bem governados de África, apenas atrás das ilhas Maurícias, classificação anunciada pela Fundação Mo Ibrahim, uma organização empenhada em apoiar as grandes lideranças africanas. O Índice Ibrahim mede a entrega de bens e serviços públicos aos cidadãos pelo governo e por actores não-estatais através de 84 indicadores de governação. Esses indicadores de governanção são agrupados em quatro categorias gerais: Protecção e Segurança, Participação e Direitos Humanos, Oportunidade Económica Sustentável e Desenvolvimento Humano. [Fonte: aqui]

4. O ministro britânico dos Assuntos Internos para o Narcotráfico Alan Campbell, que acaba de realizar uma visita de 24 horas ao país para debater a segurança e o narcotráfico, disse ontem que Cabo Verde é um bom país para investir e que dá confiança aos investidores externos, devido à boa governação que tem demonstrado. [Fonte: aqui]

5. Portugal vai disponibilizar uma linha de crédito de cerca de 200 milhões de euros para o financiamento de habitação em Cabo Verde, e nesse quadro, o Governo pretende construir 8.000 habitações sociais e reabilitar 15.000 outras degradadas até 2013, projecto cujo financiamento está garantido através do memorando de entendimento rubricado pelas duas partes em Junho último, em Lisboa, sendo um fundo garantido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e participado por empresas portuguesas. [Fonte: aqui]

6. Cabo Verde está entre os 50 países mais bem classificados na lista dos menos corruptos da ONG Transparency International. O arquipélago surge em 47.º lugar com 5,1 pontos, numa avaliação de 0 a 10 a que foram submetidos 180 países. Em 2007, Cabo Verde ocupava o 49.º lugar no ranking da Transparency International. [Fonte: aqui]


A única nódoa neste semana quase perfeita para o Governo, foi o anúncio do tombo de 19 lugares de Cabo Verde no ranking das Nações Unidas relativo ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), encontrando-se agora no 121º lugar, a meio da tabela dos países de desenvolvimento médio. Seja como for, temos que pensar que nem tudo isto pode ser sinal do acaso, nem faz muito sentido pensar que a embaixadora Catarina Furtado, o economista Nils Maehel, a Fundação Mo Ibrahim, o ministro Alan Campbell ou a ONG Transparency International, que provavelmente não se conhecem de lado nenhum, tenham conspirado para acertar umas visões "favoráveis" a Cabo Verde por razões inconfessadas. Ou seja, critique-se sempre e bem, mas valorizar o que se tem feito bem também é sinal de sabedoria.









Porque sim...







O blogueiro português Marcos Santos, do Bitaites, escreve um texto com muita piada sobre mais algumas regras de como blogar (leiam porque vale a pena, aqui). E começa nos dizendo que se queremos ter uma vida descansada enquanto nos dedicamos ao nosso blogue não devemos nem falar de política, nem de futebol e sobretudo, não falar de política como se estivéssemos discutir futebol, nem falar de futebol como se estivéssemos a discutir sobre política. Mais importante: se estamos dispostos a seguir qualquer uma destas regras, então é porque não temos nem o espírito, nem a paciência indispensável a qualquer blogueiro que se preze.

Aqui é um pouco a mesma coisa, mas o leque de temas proibitivos sobe de forma exponencial, deve ser por estarmos num local pequeno onde toda a gente se conhece. Deus defende, se falarmos do crioulo ou do Alupec, é um rodopio de comentários, de guerras e maledicências que nunca mais acabam. Cruz credo, se elogiarmos ou criticarmos o trabalho de alguém, porque esse alguém, num meio pequeno como este, já teve certamente algum problema de índole pessoal com outro alguém que vai, definitivamente, ler este blogue, e pronto, vem aí um comentário de má língua, um chiça ou um porra, ou então o já habitual e costumeiro "lá estão vocês a lamberem-se uns aos outros, não têm mais nada que fazer?"

Mas olhem, tenham paciência, ter um blogue é também opinar, pensar pela própria cabeça. Isso custa a entender a algumas mentes iluminadas, mas pronto, fazer o quê? Por vezes acontecem fenómenos como o acontecido no Bianda, onde a partir de um simples anúncio para um curso de escrita criativa, se levantou um coro de comentários obtusos acerca de... nada. E que tanta falta faz por aqui, escrita e criatividade!

Mas a verdade é que isto de blogar em Cabo Verde, embora ainda seja um pouco tipo desporto radical, não é muito diferente de fazê-lo em qualquer outra parte do planeta. Há que ter jogo de cintura e encarar o insulto com a mesma indiferença com que se passa ao lado de um pedaço de caca de cachorro. E parafraseando Abilio Duarte (recordado por Mário Fonseca na notável entrevista dada para o último número do jornal A Semana), há que ter a canela para aguentar o atrevimento, já que quisemos ser blogueiros.




Aos anónimos que ao que parece carregam o peso do mundo nas suas costas, aviso mais uma vez: não insistam. Por princípio os vossos comentários não serão publicados aqui. Mas é fácil manterem-se no anonimato, entendam que isto é apenas um mero pro forma: arranjem um nome qualquer, uma alcunha, qualquer coisa e pronto, podem continuar com as vossas máscaras sem problemas. Pode até nem parecer, mas o Café Margoso (ainda) é um espaço de liberdade.

A Gerência




            Por que me descobriste no abandono
            Com que tortura me arrancaste um beijo
            Por que me incendiaste de desejo
            Quando eu estava bem, morta de sono

            Com que mentira abriste meu segredo
            De que romance antigo me roubaste
            Com que raio de luz me iluminaste
            Quando eu estava bem, morta de medo

            Por que não me deixaste adormecida
            E me indicaste o mar, com que navio
            E me deixaste só, com que saída

            Por que desceste ao meu porão sombrio
            Com que direito me ensinaste a vida
            Quando eu estava bem, morta de frio

            Chico Buarque





Segundo se pode ler aqui, a revista Esquire considera a britânica Kate Beckinsale, como a mulher viva mais sexy do planeta, sucedendo no título a Halle Barry (confirmem as curvas da mulata publicadas no Café Margoso, aqui). São opiniões. Ela é gira e tal, mas algo me diz que os redactores da Esquire nunca viram a Mayra Andrade ao vivo. Por exemplo.




Mais do que a notícia do prémio literário atribuído a Mário Lúcio Sousa (ler aqui), que é sempre uma boa nova, foi a obra premiada que me despertou curiosidade. "Novíssimo Testamento" é, nada mais nada menos, do que uma fábula que nasce de uma revelação fotográfica, em que Jesus Cristo ressuscita no corpo duma mulher, conhecendo assim novos desafios e provações. Esse facto coloca, segundo declarou Mário Lúcio, "uma outra leitura do mundo, outras construções, outras imaginações..."

Ou seja, o autor pega numa das mais fascinantes histórias da Humanidade e coloca o arquipélago cabo-verdiano como centro das operações. Tal como noutras ocasiões, nomeadamente no domínio da dramaturgia, Mário Lúcio volta a realidade do avesso e dá-nos novas perspectivas de questões que conhecemos muito bem. Neste caso, as ilhas de Santiago, São Vicente e Santa Luzia, e um apanhado das suas reminiscências perante Jesus Cristo dão o mote à obra: por exemplo, em S. Vicente “onde tudo é levado a uma vivência mais divertida, Jesus se sente uma super star no Carnaval”. Ou em Santa Luzia onde Jesus faz a sua travessia do deserto e diz que “a única ilha com nome de mulher e nunca teve um filho nas suas entranhas”.

Ora digam-me lá se este não é um livro que dá vontade de ler? E depois, de encenar? Me aguardem porque se bem me conheço, vamos ter um Jesus Maria (ou uma Maria Jesus) nos palcos de Cabo Verde aí mesmo ao virar da esquina. E lembro-me agora da encarnação que o próprio Mário Lúcio Sousa viveu de um Jesus Cristo mulato na peça "Auto da Compadecida", em 2005, naquela que foi a sua, até à data, primeira e única experiência enquanto actor de teatro! Quem sabe se não foi aqui que toda esta aventura terá começado? Se já lhe vestiu a pele...

Ah, e já agora, parabéns, Mário Lúcio!


Imagem e fonte: Os momentos




O facto de estar ainda agarrado ao tradicional "hahaha" e não ter ainda adoptado o jovem "Lol" da moda, quer dizer que estou definitivamente arredado dos tempos modernos?


À melhor resposta, ofereço um café



















Que a actriz Scarlett Johansson tinha a mania que cantava, já sabíamos desde o projecto que a colocou a estragar algumas composições de Tom Waits. Neste caso, em que faz duo com Pete Yorn, a voz e a técnica melhoraram um bocadinho, mas nada que pudesse passar, por exemplo, pelo crivo de um American Idol, onde provavelmente Scarlett não iria além da fase do casting. Mas a música é simpática, a combinação das duas vozes funciona e, mais importante do que tudo, o vídeo é muito bem feito. Definitivamente, Scarlett fica muito bem de sépia. Ver vídeo completo, aqui.





          As imagens transbordam fugitivas
          E estamos nus em frente às coisas vivas.
          Que presença jamais pode cumprir
          O impulsos que há em nós, interminável,
          De tudo ser e em cada flor florir?

          Sophia de Mello Breyner Andresen






Há sempre duas formas de olhar para uma mesma realidade. Por exemplo, nesta história da lista dos países menos corruptos, elaborada pela organização Transparência Internacional, muito falada e comentada durante estes últimos dois dias, parece que Cabo Verde subiu dois patamares no ranking de 180 países que foram analisados, subindo do 49º para o 47º lugar. Muito bem. Foi mesmo o único dos países de língua portuguesa que subiu relativamente ao ano anterior, estando a pouca distância de Portugal e bem à frente do Brasil, por exemplo.

Por outro lado, sabendo-se que os países são avaliados por um conjunto de critérios que, somados vão de 0 (muito corrupto) a 10 (livre de corrupção), Cabo Verde obtém a classificação de 5,1. Na Universidade, na tabela de 0 a 20, isso seria um 10 à rasca, possivelmente com a obrigação de ir a um exame oral. Podem dizer o que quiserem, mas 5,1 é uma péssima nota, próxima demais do valor negativo. A minha filha que não me apareça com uma nota destas em casa a dizer que foi "o segundo melhor ponto da turma". Um 10 é uma nota mediana, para não dizer medíocre. Mais ainda porque ela é excelente aluna, como parece que é também o caso de Cabo Verde.

Conclusão: não vejo grandes motivos para festejar. Os responsáveis, mais do que olhar, orgulhosos e satisfeitos, para a tabela comparativa dos países - com o mal dos outros podemos nós muito bem! - devem tentar entender o porquê desta nota pouco mais que razoável, melhorando os índices que houver para melhorar, até porque esta luta contra a corrupção, além de ser uma batalha dura e interminável contra esquemas altamente sofisticados, joga também com certos erros do próprio sistema e é também, nunca nos esqueçamos disso, uma luta contra nós próprios. Porque como todos sabemos, e as peças de Shakespeare mostram isso até à exaustão, as cadeiras do poder tem poderes que os próprios rabos que nelas se sentam desconhecem.