Uma expressão que agora está na moda no Mindelo diz-nos que "dar um café" corresponde à prestação de algum serviço sexual a troco de dinheiro. Não quero nem imaginar como e quando essa forma de chamar a putaria pegou na sociedade mindelense, nem vou agora discorrer se isso será benéfico ou prejudicial para quem como eu gosta realmente de café, a não ser a possibilidade de alguém lhe oferecer um café e ele pensando que vai tomar uma chávena do precioso líquido, acaba confrontado com outro tipo de consumo...

Isto tudo para comentar uma sondagem divulgada ontem na China que mostra terem as prostitutas mais credibilidade que os políticos. Pois é isso mesmo: as prostitutas chinesas são consideradas mais "confiáveis" do que os políticos ou os cientistas do país, segundo uma pesquisa realizada pela revista Insight China. Neste levantamento, para 7,9% dos entrevistados, as prostitutas só não são mais confiáveis que os agricultores e os religiosos.

Os políticos aparecem no final da lista, perto dos professores e cientistas. "Uma lista como essa é ao mesmo tempo surpreendente e embaraçosa. É realmente incomum que as trabalhadoras do sexo apareçam numa relação como essa", diz um editorial do jornal estatal China Daily.

Confesso, para não ser parcial, que na mesma sondagem entre as categorias com credibilidade em baixa estão os agentes imobiliários, as secretárias, os diretores de empresas e... os artistas! Depois dos agricultores, religiosos e prostitutas, os soldados apareceram na quarta colocação entre os mais confiáveis. E se fosse feita uma sondagem do mesmo género por aqui, qual o resultado? Estaria o negócio do café tão bem colocado no mercado da confiabilidade?

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Sensacional série de fotografias de Eryk Fitkau para a última campanha publicitária da empresa italiana Lavazza, uma das principais no negócio do café na Europa. Quase que se lhe sente o cheiro...













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"O café potencializa o desempenho sexual
e fortalece e irriga os canais penianos."

Fonte: aqui



Pequeno comentário narcisista: obrigado. Está então explicado...




Acabei de receber o convite e já estou com água na boca. Será, certamente, um dos acontecimentos mais excitantes deste Verão musical. O músico e compositor Vasco Martins apresenta-se amanhã, dia 05 de Agosto, na Academia Jotamonte, para interpretar obras suas juntamente com o Quarteto de Cordas Artzen (formado por quatro instrumentistas portuguesas).

A música é do melhor que há, a ideia de ter Vasco no piano acompanhado por um quarteto de cordas melhora o contexto, raro em Cabo Verde, e o local, uma sala com uma excelente acústica para concertos musicais, faz prever um concerto que tem tudo para dar certo. Ah, e pormenor importante, promovido no âmbito das comemorações dos 130 anos da cidade do Mindelo, a entrada é livre. Faltar é perder.

Onde: Academia Jotamonte
Quando: Dia 05 de Agosto, pelas 21:00 horas





O estado da Nação

1. Foi ontem que devia ter publicado esta crónica, esqueci-me, mas cá vai, com um dia de atraso. Confesso que me foi particularmente difícil falar do estado da Nação, porque muito provavelmente vou repetir uma série de banalidades que toda a gente está já cansada de saber, até porque ninguém faz qualquer esforço por disfarçar uma realidade que é tão natural como a nossa sede em dias de Verão. Uma realidade Luso, embora muito crioula.

2. Todos sabemos que nem tudo é tão cor-de-rosa como a situação jura, nem tão negro como clama a oposição, assim como sabemos que essa análise automática de um e do outro lado mais não é de que o resultado directo e natural do ser-se da situação ou da oposição, um cor de rosa, o outro negro, isto é como uma realidade matemática, um teorema ao qual nada nem ninguém pode dar a volta. É assim e pronto. Mais um sinal da perfeita criação divina onde tudo está no seu devido lugar.

3. Dia houvesse em que alguém da oposição elogiasse o poder, uma medida ou um governante, ou que alguém confortavelmente sentado na cadeira do dito cujo poder saísse a terreiro para reconhecer que, certamente, puseram numa determinada situação a própria pata na poça - a chamada teoria dos três pês (própria/pata/poça) - e deixaríamos imediatamente de reconhecer o mundo que nos rodeia como todos o sabemos e aprendemos nos bancos da escola desde a mais tenra idade.

4. No fundo, todos temos plena consciência de que a natureza é perfeita e tem os seus pesos e contra-pesos e que tudo está calculado ao milímetro para que possa haver vida no planeta Terra, onde nada se cria e tudo se transforma, onde dois mais dois são sempre igual a quatro, onde o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos e onde tudo o que a situação vê rosa a oposição observa negro.

5. Para mim, que sou uma pequena e insignificante molécula entravada no sistema, o estado da Nação não é uma e só coisa. Momentos há em que é gasoso, outros líquido e outros sólido. Depende sempre da temperatura e do ambiente instalado. É a natureza no seu melhor, em transformação!

6. Por exemplo, há quem possa dizer que o estado da política energética ou até da política cultural seja o gasoso: sabemos que existe, mas não a vemos nem a sentimos em parte nenhuma, embora de quando em quando possamos sentir algo, um cheiro a língua cabo-verdiana aqui, um aroma a Cidade Velha, acolá.

7. Ou que o estado da própria economia é líquida, o que quer dizer que toma a forma que lhe quisermos dar, conforme o ponto de vista ou o recipiente onde a colocamos: uma forma agradável à vista, se virmos as coisas do lado das reservas cambiais, da inflação ou da estabilidade macro-financeira; uma forma menos interessante, se colocada na panela do desemprego ou do crise no mercado hoteleiro.

8. Há, finalmente, componentes do estado que poderemos considerar sólidos, como sejam a consolidação do sistema democrático, a liberdade de expressão, a revolução verde, a capacitação profissional, a aposta nas infra-estruturas - não fosse o betão o sólido da modernidade! - ou a implementação do ensino superior.

9. Há, pois, quem veja apenas o mundo no estado sólido, cor-de-rosa, como um urso de peluche que temos à beira da nossa cama, com um ar simpático e pachorrento e nos aumenta a estima e sossega o sono, não há como não encostarmos a cabeça no travesseiro e sorrir confiantes nos amanhãs que cantam e que farão desta uma Nação que a todos orgulha.

10. Outros há que tem inevitáveis monstros a dormir debaixo do leito, invadidos por uma nuvem negra, por definição algo que se encontra no estado gasoso, irremediavelmente condenados a adormecer aterrorizados com os casubodistas e os bandidos de colarinho branco que nos querem tomar o país de assalto sem que nada nem ninguém o possa evitar, um pesadelo do qual é difícil acordar, a não ser em tempos de eleições, se o povo resolver dar a volta à coisa.

11. Outros há, como aquele pessoal da UCID, que nunca se percebe muito bem em que estado estão, tão entretidos andam a fazer congressos e impugnações a Norte e a Sul, e portanto não devem ter muito tempo para pensar nestas coisas dos estados, daí que se lhes perdoem as banalidades que sempre dizem nestas ocasiões, que nunca são nem carne nem peixe, e que portanto soa a coisa mal cozinhada.

12. No fundo, esta crónica, de desaforada, tem muito pouco. Apenas mostra como a natureza funciona, e como tudo é relativo, e como dizendo muito se consegue dizer quase nada. Não é uma técnica muito complicada. Basta estar atento ao que nos rodeia, observar bem quem sabe realmente da poda e num instante estamos a distribuir uma mão cheia de nada.

Mindelo, 04 de Agosto de 2009









Digam-me, o que importa realmente ao amor?


À melhor resposta, ofereço um café





Assisti na passada sexta-feira à apresentação pública dos resultados da terceira edição do programa CulturArte, onde dezenas de jovens oriundos de várias ilhas entre os 15 e os 18 anos tiveram a oportunidade de mostrar um pouco do que sabem e do que aprenderam em várias áreas artísticas, como a música, a dança, o teatro, o canto e as artes plásticas. Promovida pela Direcção-Geral da Juventude, esta jornada de "arte e cultura" tem como objectivo, segundo o programa oficial, "formar e capacitar jovens estudantes em diversas áreas artísticas."

A ideia é excelente e nada como passar duas semanas com professores capacitados, aprender um pouco mais e fazer a festa no fim, sonhando com altas carreiras no mundo artístico. Os resultados apresentados, até pelo pouco tempo de formação, também foram interessantes, com alguns momentos que nos faziam esquecer que no palco estavam jovens cabo-verdianos que, na maioria, estavam tendo as suas primeiras experiências formativas relacionadas com expressão artística.

Por isso, no meio de grande excitação dos jovens que terminavam ali um desafio importante, fiquei com um sentimento ambíguo, porque se por um lado foi tocante ver tanta promessa de talento junto, por outro não deixei de pensar que conseguindo este resultado em duas semanas de formação, que país poderíamos ser hoje se houvesse uma aposta sustentada, programada, coerente, forte, corajosa e consequente no ensino artístico em Cabo Verde? Se o que vimos foi o resultado de duas semanas de trabalho com apenas 4 professores e 4 monitores, o que se poderia conseguir com a introdução de um ensino artístico no Ensino Secundário onde estes e muitos outros jovens, tantos outros!, poderiam ter a oportunidade de ter não duas semanas, mas meses de um ensino artístico pedagogicamente competente e resultante de uma aposta assumida ao mais alto nível?

Sabemos, por outro lado, que está em curso a introdução do Ensino Artístico na Reforma Curricular em curso, e não poderia estar mais de acordo. Mas cabe perguntar: quem vai dar essas aulas? Quantas pessoas existem hoje em Cabo Verde, disponíveis, formadas e competentes para ministrar este ensino artístico? A resposta é fácil: muito poucas. E uma das razões é fácil de identificar: não se apostou na formação superior nesta área. Em mais de 30 anos de Independência quantos bolseiros do Estado houve para as áreas das artes plásticas, do cinema, das artes cénicas, do design, da dança? Poucos, para não dizer nenhuns. Daí que o trabalho pioneiro da M-EIA (Mindelo Escola Internacional de Artes) deve ser realçado e valorizado. Daí que a preocupação já manifestada pela Universidade de Cabo Verde na criação de um Departamento de Artes na maior instituição de ensino superior do país, não seja apenas uma medida necessária, mas sim um desígnio nacional. Mais vale tarde do que nunca, mas o futuro não pode esperar mais.



51% de bebés africanos
são alimentados com leite materno nos primeiros dois anos de vida

(Dados revelados pela OMS, no âmbito da Semana Mundial da Amamentação, a decorrer entre 01 e 07 de Agosto, e que constitui a melhor média entre os continentes.)

Fonte: aqui





Estou a ver, neste momento no canal SIC notícias uma gravação, de enorme qualidade, de um concerto do músico português Rodrigo Leão, e confesso que estou absolutamente conquistado. Já conhecia e tenho na minha discoteca privada, vários trabalhos deste autor, mas há já algum tempo que não via nem ouvia nada dele. Duas palavras: muito bom.

P.S. Ao procurar no inevitável Google alguma imagem do Rogrigo Leão para ilustrar este artigo encontrei um anúncio em que se anunciavam dois artistas lado a lado: o próprio músico português de um lado e Mayra Andrade, do outro. Acabei por descobrir que tem a mesma produtora em Portugal, mas não pude deixar de pensar: que bem que ficariam juntos! Espero, um dia, ver um concerto com os dois em palco. Não há por aí nenhum mecenas para bancar isso?





Uma pessoa que aprecio particularmente vai viver hoje um dia cheio de emoções. Manuel Brito-Semedo, um homem com um coração do tamanho do mundo, vai lançar um livro biográfico que nos vai transportar para o passado e adolescência do autor, numa viagem de dez crónicas que representam pequenos apontamentos da sua vivência em S. Vicente e na Praia, ilustrados pela arte de Tchalê Figueira.

Intitulado “Na Esquina do Tempo - Crónicas de Diazá”, o seu lançamento, hoje na Biblioteca Nacional ao fim da tarde, será certamente um grande acontecimento cultural, uma oportunidade para ver e rever amigos, conhecidos e ainda ouvir a bela voz da escritora Fátima Bettencourt, que apresentará a obra.

Muito importante é dizer que as vendas deste livro revertem a favor da Associação Cabo- verdiana de Luta Contra o Cancro. Uma medida que é um espelho fiel do autor desta obra. Aplausos.

Quando: dia 03 de Agosto (hoje!) - 18:15 horas
Onde: Biblioteca Nacional, cidade da Praia


O lançamento no Mindelo está prometido para o final de Setembro. Não faltes, querido amigo!





Obra de Bento Oliveira













Da autoria de um conjunto de artistas da Tailândia, "Blueprint Art Instalation" é uma instalação realizada no âmbito do Festival de Design de Berlim DMY deste ano de 2009. Toda a instalação é sustentada no trabalho artístico sobre um longo mural azul, com alguns elementos em perspectiva, outros com uma relação tridimensional com o espaço com objectos velhos como cadeiras, escadas ou até uma bicicleta, gerando todo um conjunto surpreendente e de rara beleza. É o nosso mural de hoje.

Fonte: aqui