A reacção de um artista cabo-verdiano ao comentário de um outro artista cabo-verdiano que cometeu o supremo atrevimento de dar a sua opinião sobre o trabalho do primeiro, acabou por fazer estalar o fino verniz da capacidade de aceitar críticas e opiniões alheias, que toda a gente sabe ser de péssima qualidade, mas que todos assobiam para o lado, até ao dia em que alguém tem o supremo atrevimento de nos criticar a nós, e então nos lembramos como esse supremo atrevido é medíocre, retardado, convencido entre outros mimos que vamos acumulando na nossa enciclopédia pessoal da má língua.

Não está aqui em questão a arte de um ou de outro. Tenho, como é evidente, a minha opinião sobre isso, mas pela amostra, vou mesmo guardá-la para mim. O que está em questão é o terrível sintoma que tudo isto representa. Um sintoma de uma sociedade doente, intolerante e, pecado dos pecados (sim, vou dizer!), provinciana.

Claro que podemos dizer: há formas e formas de criticar. Mas convenhamos que não li nada de tão ofensivo que justificasse uma reacção quase tsunâmica do visado, que num curto artigo publicado no jornal, dispara uma rajada de expressões que não tem nem o peso nem a medida da opinião original que o provocou. 

Cá por mim, tranquilo: quem tiver algo para dizer, que o diga. O tempo e o curso da história são testemunhos fieis e (quase) nunca se enganam. E dos fracos não reza essa mesma história, costuma-se dizer. Quem anda por aqui e quer desenvolver o seu espírito criativo - seja em que expressão artística for - já devia saber que tem que ter arcaboiço para aguentar a crítica do seu público. Mesmo que o seu público seja um outro artista da mesma área. 

Esta é, aliás, uma história muito parecida com uma outra que aconteceu comigo, mas essa foi há 15 anos atrás. É triste verificar que durante todo este tempo, em que o mundo mudou, a Internet revolucionou as nossas vidas, os canais de televisão multiplicaram-se às dezenas, as novas gerações falam uma outra linguagem, o nosso espírito crítico - de dar e receber - continua estagnado nas águas turvas da sempre maltratada humildade artística. É pena.





Perdoai-lhes, Senhor, eles não sabem o que dizem!







"Anda gente demais a chafurdar na lama dos terrenos. Até quando?"



Aqui está outra ferramenta que pode ser quase tão viciante como o Twitter. É o Blip e permite saber o que o mundo anda a ouvir. Funciona exactamente da mesma forma que o Twitter, mas em vez de pequenas mensagens, as pessoas colocam as músicas que andam a ouvir. Ou seja, substitui o “what are you doing?” pelo “what are you listening to?” Há de tudo entre milhões de músicas para partilhar. Haja gigas que aguentem, que daqui a nada tenho é que ir para a Praça Nova, que lá é de borla!


Vejam, o que se anda a ouvir no Café Margoso (ainda muito embrionário): aqui


Via: aqui



Un tem um Banda di meu...



U2

...kual é di bô?







São perdidas 43 milhões de malas por ano em viagens aéreas

Fonte: aqui





Vi no noticiário da tarde da Televisão de Cabo Verde - excelente poder ver notícias di terra na hora do almoço - a inauguração de um conjunto de painéis solares a partir dos quais uma bomba de água é posta a funcionar e assim se fornece água de boa qualidade a toda uma comunidade rural, não só para consumo doméstico, mas também para o regadio e para o gado. Um projecto que foi financiado em parte pela Cooperação Francesa, mas cuja fatia maior foi suportada pelo Governo de Cabo Verde. Boa iniciativa e deve ser saudada que este café não serve só para mandar bocas. Além disso, graças a esta inauguração vi pela primeira vez o Ministro do Ambiente em acção. Agora já sei quem é, mas continuo com saudades de Madalena Neves. 




Fonte: aqui


Poeta

(Pega num livro e lê) Smerdiakov enforcou-se. E daí? (Atirando o livro para longe, furioso) Smerdiakov era um corpo sem alma, uma garganta sem voz, um poço sem água, uma besta, um vegetal, um mineral; ao passo que eu... bem... eu... sou capaz, tenho ideias, sentimentos, imaginação. Ele era um zero à esquerda, enquanto que eu... bem... tenho uma cabeça, um coração, uma garganta. Que desejos, que pensamento, que sonhos tinha Smerdiakov? Nenhuns! Amava alguém? Não. Ao passo que eu... interrogo, ouço música, busco... o quê? Putas, conhaque... Ah o gozo, a alegria! E a seguir? Ah meu Deus! O asilo dos velhos, o hospício dos loucos! 

Ah Demónio, venha a corda! O quê? Espera um pouco, ainda respiro, há perguntas a responder, galáxias a explorar, há que explicar o universo! E a seguir? Apodreço. Acabo. Traz a corda, depressa! E a seguir, a cova, a podridão. Estou exausto, venha a corda! Estás a ouvir, Demónio, traz a corda!

Arménio Vieira in No Inferno





Nome: Monica Bellucci
Nacionalidade: Itália


E Deus criou a mulher...



A propósito do debate sobre a oficialização do crioulo, cito:

"E por tolerância, não entendemos aqui a piedosa inclinação para suportar o outro, sob genéricas alegações de humanidade ou de virtude, mas a capacidade para compreender para além das aparências imediatas, para compreender as motivações reais do comportamento alheio, e sobretudo, do nosso próprio comportamento. Por tolerância, não queremos significar a largueza de coração, mas acima de tudo, a largueza - possível - da compreensão."

João de Sousa Monteiro in "Tire a mãe da boca" (fonte: aqui)