Declaração Cafeana

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Hoje em dia não é muito difícil preencher a página do Facebook com frases bombásticas, citações fantásticas de artistas, intelectuais e figuras históricas (o que não falta por aí são sites especializados em citações) cuja utilização nos fazem sentir mais inteligentes do que somos na realidade. A bem da verdade, eu próprio faço uso dessa estratégia de comunicação, portanto o problema não está aí.  O que me irrita é que, na maioria dos casos, fazemos uso dessas máximas sem conhecer minimamente nem o autor nem o contexto histórico em que elas foram proferidas. Não lemos, não estudamos, não aprofundamos, não refletimos. Nada. Isso sim, me irrita profundamente.

Estamos cheios de iletrados armados em doutores disto e daquilo, e o pior é que quanto maior o poder que tem em mãos - e há a considerar aqui muitos tipos e géneros de poder - maior é a soberba, maior a tendência de se armarem em chico-espertos, de se acharem melhores que todo o mundo e, no fundo - no fundo não! bem na superfície - o que mais se vê por aí é um bando de gente com o poder nas mãos mas que não sabe construir uma frase quanto mais elaborar um discurso digno desse nome. 

Falta estudo, falta leitura, falta profundidade, falta pesquisa, falta interesse. O nosso país está invadido de doutores de pacotilha sentados nos seus cadeirões, que falam do que não sabem querendo nos convencer que sabem mais do que todos os outros. Por isso se dizem impunemente tantas barbaridades e ninguém reage, ninguém diz nada. 

Talvez isso aconteça porque a sociedade civil que temos é também causa e consequência dos seus chefes, responsáveis, superiores hierárquicos ou líderes políticos. Anestesiada por uma ilusão de festa e abundância, de facilitismo e compadrio, não reage porque não tem nem a informação nem o conhecimento para o fazer. Está manipulada pelos mais variados cordelinhos que de forma frágil seguram o seu emprego, a sua posição, as suas benesses e a posição social que julgam possuir por mérito próprio. São moldados por um sistema educativo que não propõe desafios, não provoca a discussão, não exige pesquisa, não tolera a diferença.  

Temos que entender que apenas com o conhecimento nas suas mais variadas vertentes - através do estudo, da leitura, da investigação, do questionamento - conseguiremos tirar a cabeça da areia onde estamos atolados e perceber que há uma pergunta desarmante que sempre podemos fazer a esses donos da verdade: e tu, qual foi o último livro que leste?



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2 comentários:

Et disse...

Hoje(mas é Hontem) estou feliz com o seu regresso, sem máscaras. Vamos conjugar o verbo "saber": Eu sou, tu és, nós somos, eles são.
Obrigado, JB.

JB disse...

Eu é que agradeço a atenção e o comentário! Venham muitos mais! Abraço!