Declaração Cafeana

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A cada dia que passa tolero menos as campanhas eleitorais. Eu sei que deveria alertar o meu sentido de cidadania e ter em consideração que estes são os momentos em que aos dirigentes políticos é dada oportunidade de contactar o povo que o irá eleger e a este último a possibilidade de colocar aos primeiros questões que possam ser relevantes para os interesses pessoais e da sua comunidade. 

No entanto, nada disto acontece. Ao ouvir em altos berros um carro publicitário - que só por si revela uma falta de consideração completa pelo cidadão votante - anunciar que o partido do candidato que sempre se candidata e nunca fica a cumprir o mandato para o qual foi eleito "está farto desses políticos descarados que nunca cumprem as suas promessas", dei comigo a pensar que  o povo não pode ser assim tão estúpido e alienado.

O esbanjamento desta campanha é inaceitável. Camisolas, bonés, cartazes gigantes, comícios diários transformados em bailes populares, alguns em municípios conhecidos por não terem como pagar os seus compromissos mais urgentes, incluindo as suas obrigações sociais. Não precisamos disto para sermos convencidos de votar neste ou naquele. 

Debates públicos, sessões de esclarecimento e porta-a-porta seria o quanto baste. E acabava-se de uma vez por todas com esta insuportável e insultuosa poluição sonora e visual. O período que deveria ser de esclarecimento, apresentação de propostas e debate de diferenças transforma-se cada vez mais, no actual estado de coisas, num carnaval da arrogância, má-criação e descaramento. Não devia ser isto, a democracia.



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2 comentários:

zito azevedo disse...

Depois das eleições é só veriicar quais são as empresas que vão ser benefiadas em contratos com o Estado
para se saber de onde veio o dinheiro extra para acampanha...Como é que as empresas conseguiram esse dinheiro, agora, isso já é um pouco mais complicado de explicar...

zito azevedo disse...

Eu não sei se, em C.Verde, as campanhas dos Partidos também são subsidiadas pelo Estado, como em Portugal, uma medida que eu acho contrária a todos as lógicas de equidistancia entre o Estado e a politica partidária, autentico subsidio à propaganda barata, às promessas vãs, aos ataques pessoais do mais baixo nivel, à mentira descarada, à politiquice fraudulenta, aos dircursos ôcos, às fartas jantaradas, aos comícios ululantes e a toneladas de bujigangas imprestáveis mais parecendo negreiros a distribuir continhas de vidro colorido e espelhinhos a chumbo aos chefes tribais para que lhes vendessem os escravos... Palhaçadas- com as milhas desculpas aos palhaços!