
O pobre diabo não tinha ninguém abaixo de si, em quem pudesse desforrar-se da agressão do contínuo; entretanto, quando depois do jantar, sem vontade, no frege-moscas, entrou no pardieiro em que morava, deu um tremendo pontapé no seu cão.
0 mísero animal, que vinha, alegre, dar-lhe as boas-vindas, grunhiu, grunhiu, grunhiu, e voltou a lamber-lhe humildemente os pés.
0 cão pagou pelo servente, pelo contínuo, pelo amanuense, pelo chefe da secção, pelo director-geral e pelo ministro!...
Arthur Azevedo (via aqui)
Por essas e por outras que quando estou com algum problema, evito as pessoas ao máximo para não as magoar por algo que pouco ou nada têm a ver.
ResponderEliminarpura reprodução da 'cadeia do poder'... daqui terá surgido o pensamento criador do tribunal
ResponderEliminarInfelizmente, mesmo num tribunal, a cadeia do poder, é visivel. Só quem pode pagar, tem a melhor defesa...
ResponderEliminarEscreveu-se mal aqui.
ResponderEliminarDeveria ser "O míser animal não tinha ninguém abaixo de si..." e "O pobre diabo, que vinha, alegre..."
Porquê? Não me parece importante! hehehe Mísero animal e pobre diabo são sinónimos...
ResponderEliminarbem, interpretando o comentário de Neu Lopes, face à interrogação de João Branco, diria que se trata mais de uma proposta de leitura que de uma eventual correcção de semântica
ResponderEliminarna realidade, a historieta revela bem que a verdadeira "besta" é afinal o indivíduo humano, que descarrega a sua frustração e miséria no pobre cão, esse sim sem direito a apelo nem agravo
daí a sugestão da troca das expressões qualificativas, como quem chama "cavalgadura" a alguém capaz de maltratar o fiel e indefeso amigo
mas por falar em corrigir, o grunhido é mais apropriado para o porco ou o javali, mas também se aplica aos humanos quando nos falta voz (coragem para ela, he he... ou se não temos mesmo razão) e temos que debitar umas lamúrias entredentes, sem articular palavras audíveis e inteligíveis
mas tem que se concordar com a moral da história: frequentemente, mais do que seria de admitir, a cobardia manifesta-se injustamente contra os mais desvalidos, para que uns miseráveis se sintam senhores
vemos muito disto, não é ?
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Excelente e elucidativo comentário. Obrigado!
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