Declaração Cafeana

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Um dia, tínhamos marcado uma apresentação com as crianças das duas oficinas permanentes com crianças, de música e teatro, do Centro Cultural Português do Mindelo. Chamamos os pais e amigos próximos. Era para ser um momento único, de confraternação artística e familiar. 

Ora, acontece que no lugar onde estava marcada a apresentação, na mesma hora previamente marcada, decorria uma pequena obra que utilizava uma cola com um cheiro fortíssimo, que não só impedia que permanecêssemos naquele lugar, como provocou que algumas crianças se começassem a sentir mal. Abandonamos de imediato o local - um espaço público - e adaptamos a biblioteca do Centro Cultural Português, onde realizamos a nossa atividade, um pouco apertados, mas o certo é que a coisa se fez, com dignidade e alegria.

Juramos que a partir desse dia tudo faríamos para conseguir um espaço para dar ao ensino artístico o mínimo de dignidade. Dar àquelas crianças a oportunidade de crescerem e evoluírem de forma saudável. Entretanto, na dança os problemas eram os mesmos. A única escola existente dá aulas de ballet e dança contemporânea em chão de cimento. Grupos de dança e de teatro ensaiam nas ruas e praças da cidade, uma imagem que pode ter até algo de poético, mas que se for regra e não exceção, torna-se uma aberração para os artistas do Mindelo. 

Nasceu assim o sonho da ALAIM - Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo. A história é muito mais longa, envolve centenas de pessoas, parcerias e colaborações. Outros episódios serão relatados aqui e por outros meios. Mas o que importa sublinhar é que este sonho, que se concretizará no próximo dia 22 de janeiro, dia de S. Vicente, é um grito pela dignidade dos artistas do Mindelo, uma luta por um ensino artístico informal com as mínimas condições de aprendizagem, uma conquista para as nossas crianças, jovens, monitores, artistas e grupos. 

E pela liberdade, sempre.  




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