Desde há alguns anos está em vigor em Cabo Verde uma lei aprovada supostamente para lutar contra o alcoolismo que, entre outras medidas restritivas, impede a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos de idade e obriga todos os estabelecimentos comerciais que vendem este género de bebidas, a ter uma placa, em local visível, onde esse mesmo aspecto é sinalizado. 

Hoje, não sei se a lei mudou. Mas está a ser anunciada, para o próximo dia 01 de Fevereiro, uma "Cerverjada", num dos hotéis da cidade, co-organizado entre a Associação de Estudantes da Universidade do Mindelo (aqui pode-se contestar este género de actividades como prioritárias de uma associação de estudantes universitária, mas esse já é outro assunto) e, imagine-se, as Comissões de Finalistas dos quatro liceus da cidade do Mindelo. Sim, dos quatro liceus: Liceu Ludgero Lima, Escola Técnica, Augusto Pinto e Jorge Barbosa.

Pela módica quantia de duzentos escudos - cento e cinquenta paus se for comprado antes - qualquer jovem adolescente pode ter acesso a uma festa cujo principal chamariz é uma bebida alcoólica. A não ser que toda esta paródia seja feita com cerveja sem álcool, mas como nunca vi este produto no mercado, tenho as minhas dúvidas. 

Eu não me quero armar em moralista, mas das três, uma: ou todos os finalistas destes quatro estabelecimentos de ensino são já maiores de idade - o que não é bom sinal, porque quereria dizer que todos eles já repetiram algum ano escolar -; ou a lei mudou sem que eu tenha reparado; ou está-se a cometer aqui uma tremenda ilegalidade, uma irresponsabilidade social, que abrange todos os envolvidos, associações, estabelecimentos e, inclusive, as direcções dos liceus, pois os seus nomes estão envolvidos nesta festança. 

É assim que queremos combater um dos maiores flagelos do país?




Já falei sobre isto, já valeu uma crónica, vou voltar a falar: a quantidade de gente que anda a pedir nas ruas do Mindelo é impressionante. Não é normal. A sério. Não é criticar por criticar, não é ser um dos velhos dos marretas que só sabe dizer mal, é mesmo uma constatação. De todas as idades, gente de mão estendida nas ruas do Mindelo. Novos, jovens, menos jovens, velhos. Acamados, loucos, mães com bebés ao colo. E a todas as horas, de manhã cedo, à hora do almoço, de tarde, à tardinha ou de noite. E em qualquer lugar que se vá, somos barrados por alguém a pedir. Quase sempre dinheiro. Nas ruas da morada, claro. Nas entradas das várias Fragatas, na Praça Nova, seja lá onde for que tens estacionado o carro, lá estão à tua espera, para te pedir uma moeda. Se isto não é sinal de que algo vai mal, sinceramente não sei o que é.




Denominado Projecto 47, este é  um passatempo fotográfico inspirado em outro projectos semelhantes existentes noutras paragens (Project 52 ou o Project365, por exemplo). 

O passatempo consiste na colocação online em álbuns próprios e por temas designados para cada semana, de fotografias feitas pelos participantes. No final de 2014, as fotografias mais votadas em cada semana farão parte de uma mostra a ser apresentada na "Noite Branca" deste ano, na Praia e, em estudo, a organização de uma exposição também na cidade do Mindelo.

Semana 04: tema, SODADE.

Para saber mais sobre as regras, ver aqui




Dona Tututa
(1919 / 2014)

A mais talentosa pianista cabo-verdiana de sempre




A vida é feita de ciclos. Hoje, dia de eleições na Associação Mindelact, vivemos um dia histórico, numa das assembleias mais participadas dos últimos tempos. Pela primeira vez em 19 anos, não farei parte da direção desta associação incrível que mudou o rosto do teatro em Cabo Verde, transformando-o numa arte de primeira necessidade. 

Acredito nesta nova equipa, com uma mistura de experiência e sangue novo e tenho a certeza que com eles, e todos nós juntos, continuaremos esta incrível e bela jornada de cultura, arte e cidadania. 

Por mim, sei que nestes 19 anos dei tudo o que tinha e não tinha. Sangue, suor, lágrimas, tempo, esforço, trabalho. Mas também recebi uma imensidão de coisas boas. Abri-me ao mundo, conheci-o e construí uma rede de afetos que vale todo o esforço multiplicado por um milhão. 

Continuarei a colaborar com a nova direção em tudo o que for solicitado e certamente estarei presente em momentos importantes, a começar pelo desafio imenso de festejarmos todos a edição número 20 do festival Mindelact, menina dos nossos olhos, já em Setembro. 

Neste momento de emoção agradeço a todos os que colaboraram comigo nestes 19 anos, a todos os que me deram força, aos que me elogiaram, aos que me criticaram e me ajudaram a melhorar, a ser mais forte e mais justo. 

Institucionalmente, fui eleito para o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral, que é o órgão que representa o corpo dos sócios que são quem dá vida a esta fantástica associação. Continuarei, pois, no coração deste projeto e ele estará sempre no meu, pois faz parte indissociável da minha vida profissional, artística e pessoal. 

Bem-hajam.

Na foto, na porta do CEDIT, Centro de Documentação e Investigação Teatral do Mindelo.






Que legenda para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café 




O quê
Lançamento do livro "Na Esquina do Tempo – Crónicas de Mindelo", do meu querido amigo Manuel Brito-Semedo,  edição de Ponto&Vírgula Edições. Apresentação da Dra. Ana Cordeiro.

Quando
dia 31 de Janeiro de 2014 (sexta-feira), às 18:00 horas.

Onde
Centro Cultural do Mindelo.







Há quem diga que se tratava dos irmãos Grimm, mas é falso.

Eram de facto alemães e gémeos. O mais velho, Franz, foi o inventor do champô anti-caspa. Como e porquê? Na adolescência, Franz, devido a um ataque de caspa (uma caspite aguda), viu-se completa e irremediavelmente careca. Narcisista e romântico, incensador de Vénus, ele achou-se horrivelmente feio e pensou em suicidar-se. Todavia, superando a crise, optou por deixar crescer a barba e nisso encontrou a possível compensação.

Passados dois anos, o mano mais novo, Fritz, acabou por contrair a mesma caspite, só que, em vez de perder a trunfa, viu-se coberto por uma floresta de pelos, configurando um patusco gorila falante. 

Aí, quem realmente se preocupou foi o Franz, o qual, cumpridas, mas em vão, todas as receitas, jurou caçar o vírus causador do estranhíssimo fenómeno, e tanto se empenhou que acabou por descobrir o miraculoso champô.

Mas não faltou quem tenha afirmado que Franz vendeu a alma ao Diabo para safar o irmão. 

Como acontece a todos, certo dia Franz embarcou para o reino dos pés-juntos. E apareceu-lhe o Demónio para exigir o que, por mútuo acordo, lhe pertencia. Uma ova! O Altíssimo, omnipotente e justo, interveio então. Deixando o arqui-inimigo a chuchar no dedo, levou Franz para o céu.

Excepcionalmente, para desgosto do Marquês, a virtuosa Justine é coroada rainha da bem-aventurança. 


Arménio Vieira, em texto enviado via SMS







Quando há mais de 20 anos fui com a minha cara de pau apresentar um projeto de um curso de iniciação teatral e expressão corporal ao Centro Cultural Português do Mindelo, ainda situado no edifício Amarante, estaria longe de imaginar o que isso acarretaria no futuro. No que é mais visível, acabou por provocar uma revolução tranquila - como sempre lhe gostei de chamar - no panorama teatral de S. Vicente, em particular, e de Cabo Verde, em geral.

A forma aberta, generosa e simpática como a Ana Cordeiro me recebeu naquela época, continuou a ser até hoje a sua imagem de marca, com uma capacidade diplomática para resolver problemas e envolver toda a comunidade intelectual e artística nas atividades do Centro Cultural Português, e que ainda hoje é das qualidades que mais lhe admiro. 

Hoje anunciou formal e publicamente a sua saída do CCP - Pólo do Mindelo por motivos de reforma e eu, como muitos outros, devemos estar-lhe gratos pelo importante papel que desempenhou na dinamização cultural da cidade do Mindelo a todos os níveis e em todas as áreas da criação. 

São lhe devedores criadores das artes plásticas cujas múltiplas exposições promoveu, com um cuidado que infelizmente ainda hoje é uma raridade por estas bandas. São lhe devedores músicos que ajudou a promover - não me esqueço que o primeiro concerto de assinalável dimensão que Orlando Pantera deu na cidade do Mindelo foi por iniciativa dela, por exemplo - fotógrafos a quem deu apoio institucional e material, escritores cujos livros lançou e apresentou, intelectuais que envolveu em iniciativas tão importantes quanto criativas, como por exemplo, as Conversas com Artistas ou, bem recentemente, os fantásticos Passeios com História(s).

São lhe devedores todos os fazedores de teatro, porque com a sua colaboração pessoal e institucional, o Mindelo transformou-se num importante centro de criação cénica, ninho de inúmeros grupos e companhias teatrais, às quais nunca negou apoio, na medida das possibilidades de cada momento. 

Sou eu, naturalmente, devedor de todo o apoio que sempre me concedeu. Por acreditar e apostar no meu trabalho desde o início, por ter contribuído e acompanhado, de forma solidária e empenhada, o meu crescimento pessoal, profissional e académico, numa relação profissional de mais de 20 anos, cimentada hoje numa sólida amizade. 

Obrigado Ana Cordeiro, tenho a certeza que a cidade do Mindelo e Cabo Verde em geral vai receber muito de ti nos futuros desafios que certamente não faltarão, no tanto que ainda está por fazer. 




Denominado Projecto 47, este é  um passatempo fotográfico inspirado em outro projectos semelhantes existentes noutras paragens (Project 52 ou o Project365, por exemplo). 

O passatempo consiste na colocação online em álbuns próprios e por temas designados para cada semana, de fotografias feitas pelos participantes. No final de 2014, as fotografias mais votadas em cada semana farão parte de uma mostra a ser apresentada na "Noite Branca" deste ano, na Praia e, em estudo, a organização de uma exposição também na cidade do Mindelo.

Semana 03: tema, MOVIMENTO.

Para saber mais sobre as regras, ver aqui





Cheio de dores nas costas, foi à urgência do hospital. Depois de uma espera de cinco horas lá foi visto pela médica de serviço, que lhe passou uns medicamentos e um papel oficial indicando a marcação de uma consulta na Ortopedia, com "carácter prioritário". 

No dia seguinte de manhã, foi marcar a consulta, nos serviços administrativos.

- Bom dia, queria marcar uma consulta. Aqui está o papel do médico.
- Consultas agora, só de urgência.
- Precisamente. Eu não me posso mexer nem trabalhar por causa destas dores nas costas, por isso está escrito aqui "prioritário".
- Não pode ser. Só consultas urgentes. 
- Prioritário não é urgente?
- Prioritário é prioritário. E eu só posso marcar a consulta se for urgente.
- E quando se pode marcar a consulta, afinal?
- Para marcações, só no final do mês.
- Mas hoje é dia 21, já estamos no final do mês.
- Só no final do mês. Ainda não estamos no final do mês.
- E quando é que eu posso passar aqui para marcar a consulta?
- Passe aqui no dia 01 ou 02 de Fevereiro.
- Ah obrigado.

E como chegou, saiu do hospital com as mesmas dores nas costas e uma bem compreensiva dor de cabeça.


Nota: história verídica que aconteceu nos serviços públicos de saúde da cidade do Mindelo. 





"A renúncia de três artistas às nomeações dos CVMA volta a trazer, qual ladainha, o histórico debate sobre o que é, ou não, música cabo-verdiana. Até parece! Tudo o que é feito por músicos cabo-verdianos é música de Cabo Verde. A história deste arquipélago, atlântico e crioulo, nos conta isso mesmo...

Em outras nações mais resolvidas essas contribuições à música são olhadas com curiosidade académica; encaradas como fenómenos que acrescentam, e não o contrário. Não há uma pauta rígida e fechada da música cabo-verdiana, como se vivessemos apenas da arqueologia cultural. A música cabo-verdiana é rica, profusa e dinâmica, com maturidade para dialogar, influenciar e deixar-se influenciar, sem perder alma ou identidade matricial, por outros géneros, estilos e modos de outras paragens. Por sorte, esta sociedade crioula, apesar de algumas posições fundamentalistas, de há muito que se fez ao mundo e para o mundo. Basta de artesanato fechado e paleolítico. A história, ela é também contemporânea. 

Uma nação musical - Mon Pays Est Une Musique - vive da profusa música. Olha o caso do Brasil que se afirma com Villa Lobos, Tom Jobin, Gil e Caetano, mas também Luís Gonzaga, Roberto Carlos e Daniela Mercury, para além do Cazuza e Gabriel O Pensador, entre outros. Mente aberta, consequentemente, para que levemos adiante o barco-país."

Margarida Fontes - jornalista cabo-verdiana

Imagem: fotografia "Free" de Amilcar Sousa Monteiro









Você já podia imaginar, mas agora está evidenciado cientificamente: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda. E mais: textos de escritores clássicos como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, mesmo quando de difícil compreensão, estimulam a atividade cerebral de modo muito mais profundo e duradouro do que textos mais simples e coloquiais.

(fonte: aqui)







Neste dia 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais, uma notícia interessante (obrigado Dai Varela) e que pode ser bem enriquecedora:

Sabiam que existe uma aplicação na App Store, com a biografia de Amílcar Cabral?

Da autoria de Valério Lopes, esta aplicação contém um cronograma detalhado da vida de Amílcar Cabral, vários trechos de áudio, incluindo Cabral a falar nas Nações Unidas, fotos, vídeo e algumas surpresas.

Quem tem telemóveis com Android ou tablets Apple iOS pode obtê-lo aqui



Já tenho o meu instalado no telemóvel e é bem interessante!












Janaina é movimento, lilás, esforço, suor, dedicação, pele, 
inspiração, respiração. É tudo isso. É nossa. Minha.





Semana 01 Tema Retrato


Prémio de Público

"Bela Jana", de João Branco


Prémio do Júri

"Akilah", de Hélder Doca


Galeria completa da semana 01, aqui
Página do Concurso, aqui





“O grande acontecimento do século foi 
a ascensão espantosa e fulminante do idiota” 

Nelson Rodrigues - dramaturgo brasileiro







Quanto vale a "bundalização" de Cabo Verde 
em percentagem do PIB? 

À melhor promessa, ofereço um café






Numa das histórias integrantes da peça "As Mindelenses", de tão boa memória, uma das personagens, um político local acusado de estar a gerir um bordel e casa de strip, responde com toda a sua cara de pau: "akel lá ané um bordel! É un kaza de valorizsaun de beleza kriola, mod Soncent tem txeu pa dá pa extranjer!"

Claro que esta pequena cena tem implícita uma crítica de como tantas vezes, a promoção do país é feita à custa do que pode ser designado "a bundalização" de Cabo Verde, onde o principal chamariz são imagens de meninas com pouca roupa em cenários aparentemente paradisíacos. 

Recentemente, o canal global Fashion TV escolheu o Mindelo para realização de um especial e as reacções de entusiasmo de como o arquipélago estaria na moda não se fizeram esperar. Visto o sumo do filme, além da promoção da TAP, a companhia aérea portuguesa (que poderá até fazer os mais incautos pensar que este é um território português!), o que mais se vê, além das paisagens na parte inicial, são bundas e posses sensuais de crioulas primeiro num iate, depois num desfile de moda no Ponta d'Água.

Foi preciso um site estrangeiro - dedicado à moda africana - para que alguma manifestação de estranheza se fizesse sentir e aí também eu faço mea culpa. Confesso que até pensei, "bom, se toda a gente está entusiasmada com isto, deve ser mesmo importante e eu é que estou a ficar chato!" 

Efectivamente, o site Fashion Gana, escreve sem papas na língua: "Os cabo-verdianos estão animados porque o seu país tem sido destaque na Fashion TV, o que é natural; qualquer um que deseja ver o progresso do seu país teria orgulho de o ver  num canal de televisão tão popular. Mas a Fashion TV lança luz sobre a indústria da moda de Cabo Verde ou está a promover o turismo sexual?" 

"O vídeo (veja aqui), supostamente sobre Cabo Verde como destino turístico começou bem no primeiro minuto, para mais tarde entrar na moda em Cabo Verde. Infelizmente o restante do tempo foi preenchido com imagens de bundas de raparigas num iate. Mais à frente mostra um desfile de moda com lingerie, novamente com destaque para os rabos das meninas." (artigo completo, aqui)

Quando se fala e se mostra Cabo Verde, é isto que realmente interessa?






Entrevista, conduzida pela jornalista Carla Lima para a agência Lusa, a propósito da 20ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo - Mindelact, que decorrerá em Setembro de 2014. Boa leitura!

Pergunta: como vê o percurso feito pelo Mindelact ao longo desses anos?

Resposta: vejo este percurso com muito orgulho. Quando começamos estávamos longe de poder imaginar que conseguiríamos manter um festival desta natureza ou que ele viria a crescer, a consolidar-se e a ganhar o prestígio nacional e  internacional que tem hoje. Se bem que a cada edição, nunca pensávamos muito nisso. Íamos trabalhando para que cada edição fosse um pouco melhor que a anterior, sempre procurando trazer alguma inovação. E é com enorme orgulho que verificamos que 20 anos depois temos um evento teatral que é conhecido, admirado e respeitado em praticamente todo o mundo.

P: Qual o caminho percorrido, a diferença entre as primeiras edições e as ultimas?

R: A diferença é abismal. Na primeira edição, o festival durou 3 dias, teve cinco espectáculos, com a participação de 3 grupos teatrais, dois de S. Vicente (Grupo de Teatro do Centro Cultural Português e Grupo Frank Cavaquim, este último já inexistente) e um de Santo Antão (Juventude em Marcha). Em 1996, na segunda edição, e uma vez conseguida a fundação da Associação, o festival teve um crescimento exponencial, foi o mais longo até hoje, com 25 dias de duração e grupos de quase todas as ilhas do arquipélago. Em 1997, o festival internacionalizou-se e nunca mais parámos de crescer. Nas primeiras edições havia apenas os espectáculos de noite, e uma ou outra actividade paralela. Hoje temos, além do Palco Principal, um Festival Off (espaço de experimentação teatral), a Teatrolãndia (programação para crianças), o Teatro Periferia (espectáculos nas diversas periferias da cidade), Teatro Performance (programação de performances em espaços públicos) e uma componente importantíssima de Acções de Formação. São quase 6 festivais num só!

P: Como o Mindelact tem contribuído para o renascimento/desenvolvimento do teatro cabo-verdiano. A formação dos agentes teatrais cabo-verdianos?

R: Tem sido um dos pilares desse crescimento, senão o mais importante, certamente aquele que tem mais visibilidade mediática e projecção internacional. O festival tem permitido não só a formação de agentes nacionais, com as acções de formação, oficinas, workshops, etc, mas ao trazer espectáculos das mais diversas origens, estilos, estéticas e linguagens cénicas, tem permitido e alimentado esse crescimento, porque um artista só pode evoluir se conhecer um pouco o que se faz no mundo na sua área. Além disso, o festival tem contribuído para a formação de um público. Um público generoso, mas exigente. Entusiasta, mas conhecedor. E este público do mindelact tem sido elogiado, muito elogiado, por todos que vem aqui apresentar os seus espectáculos, porque é de facto algo muito especial! 

P: Como o festival  interliga-se aquilo que se faz na África de Língua Portuguesa e na Costa Ocidental Africana?

R: Tentamos sempre que possível trazer espectáculos de África continental e de países irmãos, mormente os de língua portuguesa. Já tivemos aqui grupos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe. Mas também do Senegal, Mali, Marrocos, Guiné-Equatorial ou Costa do Marfim. Gostaríamos de ter tido maior presença africana, mas a circulação da informação nesta área é pouca (quantas companhias de teatro africanas tem sites próprios, por exemplo) e as dificuldades de transporte para fazer chegar cá os grupos é ainda muito grande. Mas sempre fizemos questão de trazer companhias africanas, pois essa é uma componente importante deste festival. Até para dar a essas companhias conhecimento do que se faz em Cabo Verde e do festival. Que é muito conhecido e admirado em vários países da África continental. Mas gostaria ainda de sublinhar que o Festival Mindelact nunca limitou a sua programação por critérios de comunidades linguísticas. Temos acordos com várias cooperações internacionais e a programação é vasta e inclui, obviamente grupos de países lusófonos - pela afinidade histórica, cultural e linguística - mas também grupos francófonos, anglófonos, de língua espanhola, italianos, checos e até chineses. O festival Mindelact é, pois, um evento aberto para o mundo todo e que tem procurado fazer jus da posição geoestratégica de Cabo Verde - numa bissectriz entre 3 continentes, para trazer linguagens teatrais de todos os cantos do mundo!

P: Quais são as novidades desta edição e também perspetivas futuras do festival em si?

R: Para comemorar as 20 edições queremos que a programação tenha um cunho retrospectivo. Assim, já estamos a convidar companhias que marcaram presença nas 19 edições anteriores, a programar espectáculos inesquecíveis que fazem parte da história deste festival, e que muitos anos depois as pessoas ainda falam deles. Há companhias que já se disponibilizaram a remontar essas peças para poderem estar presentes nessa grande comemoração. Em termos concretos, posso dizer que a abertura desta 20ª edição será uma remontagem do 1º espectáculo da 1º edição do Festival Mindelact, a peça "Lágrimas de Lafcádio", encenado pelo italiano Lamberto Carrozzi, com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português. Do elenco original de 6 actores, 3 farão parte dessa remontagem, com mais barriga, menos cabelo, mas muito mais experiência e uma grande vontade de fazer parte dessa viagem no tempo!





Denominado Projecto 47, este é  um passatempo fotográfico inspirado em outro projectos semelhantes existentes noutras paragens (Project 52 ou o Project365, por exemplo). 

O passatempo consiste na colocação online em álbuns próprios e por temas designados para cada semana, de fotografias feitas pelos participantes. No final de 2014, as fotografias mais votadas em cada semana farão parte de uma mostra a ser apresentada na "Noite Branca" deste ano, na Praia e, em estudo, a organização de uma exposição também na cidade do Mindelo.

Semana 02: tema, LIBERDADE.

Para saber mais sobre as regras, ver aqui










Por que as pessoas gritam?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? – Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:

- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:

- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?

Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

- Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

Mahatma Gandhi



Muito raramente publico vídeos no Café Margoso, mas este não resisti. Para mim, um dos mais tocantes filmes jamais feitos em e sobre Cabo Verde, mormente a sua curta duração (o que até é relativo, pois o filme que está disponibilizado na Internet tem 9:55 minutos e original tem 16 minutos).

Realizado por Ruy Otero, com sonoplastia de João Lucas, este é o filme-prólogo do espectáculo de Clara Andermatt "Uma História da Dúvida", apresentado no âmbito do Festival Mergulho no Futuro em 1998. Todo ele filmado em S. Vicente, Santão Antão e, no final do filme, na ilha do Sal (uma belíssima parte que, infelizmente, não aparece) tem o conhecido Beto Acrobata de Pedra Rolada como "motard", a voz de Nhelas coreógrafo e a música de Orlando Pantera, na época ainda um (quase) ilustre desconhecido.

Vale a pena ver. E rever. E rever.








Acabou de ser publicada uma longa e interessantíssima entrevista do arquitecto cabo-verdiano Carlos Hamelberg sobre o novo projecto que está a ser preparado para o Éden Park, na cidade do Mindelo. Pelo que se pode ler, estamos perante algo muito ambicioso, que procura conciliar a memória com o futuro, respeitando a história do espaço e a alma da cidade do Mindelo e dos seus artistas. Como costuma dizer o povo "quando a esmola é muita, o santo desconfia", pelo que agora é esperar pela altura em que, segundo o anunciado, o projecto para o novo Éden Park será socializado e aberto a sugestões dos interessados.

Um dos aspectos que me pareceram mais importantes é que a fachada do antigo Éden-Park será mantida e isso é uma boa notícia. Assim que conseguirmos imagens do projecto, será nossa prioridade colocá-las aqui para divulgação para todos os interessados. Aqui no Café Margoso, como sempre fizemos ao longo de mais de seis anos, continuaremos atentos à situação e não deixaremos de comentar, criticar, elogiar, cobrar e divulgar o que nos parecer relevante neste caso que a tantos apaixona.

Eis alguns excertos da entrevista, conduzida pelo jornalista André Amaral, para o Expresso das Ilhas (sublinhados meus):

"O futuro Éden Park, sendo um tributo ao antigo, não será uma réplica deste. Fazendo-lhe referência explícita, reconstituindo a fachada e o traçado original, estará projectado a partir disso numa estética arquitectónica mais híbrida e conceptualista, de uma linguagem pós-modernista, de alinhamento free-style, representando o novo em contraponto ao existente. Só assim acredito que relevara o antigo, afirmando sua memória e sua história."

"O acesso, que se quer de certa relevância histórica, terá uma faixa pedonal tipo "Passeio da fama", onde no piso serão registados nomes das grandes figuras da cultura cabo-verdiana. Assim, teremos de recriar espaços contíguos ao edifício, sem beliscar a sua estética, onde as alas temáticas desembocarão em 04 galerias (expo/café): de músicos, poetas, artistas plásticos e de teatro. No foyer que marcará a ante camara do auditório, terá imagens de reminiscência da época gloriosa de Mindelo, a época da revolução industrial, do porto grande, da arquitectura de ferro, do cosmopolitismo da época...e a morna do Bana, trazendo o saudosismo de "Vicente um vez era sabe."

"As alterações, se aceites pelos cidadãos locais e aprovadas pela Câmara Municipal de São Vicente, irão no sentido de se recuperar o "Éden Park passado" e ganhar, numa utilização inteligente e sustentável do espaço, o "Éden Park futuro"."

"Estarmos a pensar e a idealizar tudo isso significa que os trabalhos já começaram. A arquitectura, na sua componente material e imaterial, já é trabalho. A seguir teremos o envolvimento comunitário e social, já que o arquitecto não vai deixar de ouvir, considerar e dialogar com os diferentes olhares dos cidadãos sobre um espaço que já foi e pretende ser mais ainda o ex-libris da cidade. Nesse particular, o olhar dos artistas, criadores e estudiosos, bem como de outros colegas da arquitectura, não são despiciendos."

"O Éden Park reabrir as portas com toda a áurea de outrora e com toda a inovação cultural, estética, arquitectónica e urbanística que o novo projecto propõe. Será um património, pelo antigo e pelo moderno, de São Vicente. Com sala de cinema, teatro, sala a homenagear o teatro, o carnaval e o Porto Grande, espaços comerciais e de entretenimento, bem como de serviços."

Podem ler a entrevista completa, aqui







"O cabo-verdiano precisa frequentar espaços mais dinâmicos, para acabar com essa ideia que aqui é o centro do universo."

César Schofield Cardoso - activista cultural






Meus amigos:

Existe uma ideia de se colocar no passeio do que virá a ser o futuro Éden Park - que não sabemos quando virá, mas pelo menos tivemos uma luz ao fundo do túnel depois das últimas notícias - uma espécie de Hall of Fame / Passeio da Fama, onde ficariam imortalizados grandes nomes do nosso teatro, cinema e carnaval.

Achei a ideia linda e quero fazer aqui uma pequena sondagem. Apelo a todos que conheçam a realidade do Mindelo, em particular, e de Cabo Verde, em geral, para nomear:

  • 10 nomes do Carnaval
  • 10 nomes do Teatro
  • 10 nomes do Cinema


...que mereçam ficar num Passeio da Fama Crioulo na frente de um novo Éden Park! Podem ser falecidos que mereçam ser relembrados ou vivos que mereçam ser imortalizados!

Vamos a isso? Todos a colaborar? Divulguem, consultem amigos e conhecidos e deixem aqui nos comentários do post as vossas sugestões. Quem sabe isto não avança?

Abraço a todos

A Gerência






A casa roubada, trancas na porta. 

Ouvi com toda a atenção - e participei - no programa da Rádio Nacional de Cabo Verde sobre o antigo (e o novo) Éden Park. Sou um otimista por natureza, mas neste caso, é ver para crer. Tenho recebido bons sinais de pessoas próximas, sei da competência do arquiteto Carlos Hamelberg que está a projetar o novo espaço, sei que a fachada será mantida e o espírito Éden Park não só será respeitado como até potenciado. Foi anunciado que em Fevereiro o novo projeto seria socializado. São tudo boas notícias. No ano em que o Festival Mindelact comemora 20 anos seria fantástico que esta prenda fosse dada à cidade do Mindelo.


Foto: interior do Éden Park abandonado (fonte: notícias do norte)






"E se acabarmos por estabelecer que, longe de caminhar para uma meritocracia, a sociedade Cabo-verdiana está a reforçar os seus mecanismos pré-modernos e corporativos de seleção social? Nesse caso, é doido quem decidir investir na qualidade técnica e ética do seu desempenho profissional. O grande perigo é que se procedermos com o atual desinvestimento – tanto individual como coletivo – na competência e no conhecimento, Cabo Verde sofrerá a curto prazo uma descapitalização intelectual e organizativa com repercussões gravíssimas para as suas perspetivas de gestão. Ou seja, por este andar, daqui a alguns anos, estaremos a governar a economia e o país com a kokorota da panela do mérito."

Rosário da Luz in Kokorota (aqui, o artigo completo)





No passado dia 28 de Novembro escrevi uma Crónica Desaforada intitulada "Que o fogo resolva" (Ler aqui). 

Hoje acontece isto (notícia do A Semana Online):

"Um incêndio deflagrou no cinema do Éden Park, no Mindelo, no início da tarde desta segunda-feira, 6. As chamas surgiram na cave de uma das bilheteiras do cinema, por volta da uma hora de tarde. O fogo foi extinto três horas mais tarde. Entretanto os Bombeiros Municipais temem que poderá haver um reacendimento das chamas, por causa da brasa dos materiais de combustível sólido, que se encontram no local.

Segundo o Comandante substituto Jorge Leite Rodrigues, ao que tudo indica poderá tratar-se de fogo posto pelas crianças de rua que frequentam o local, há muito tempo abandonado. Não há materiais combustíveis nem electricidade que possam ter causado o incêndio.

Rodrigues aproveita e deixa o alerta “a quem de direito para tomarem uma providência" pois sendo o Eden Park um edifício degradado e abandonado poderá voltar a acontecer o mesmo, "o que representa um perigo para sociedade civil mais grave por se situar no centro da cidade”.

Neste momento, o fogo já está extinto e a cave vedada para evitar entrada de oxigénio e o reacender das chamas. Os Bombeiros municipais prometem regressar ao local para se certificarem que o incêndio ficou devidamente controlado."

Na notícia do Expresso das Ilhas, vem taxativamente escrito: 

"Para o comandante dos bombeiros de São Vicente não há dúvida que o incêndio teve mão criminosa.  'É fogo posto, lá não tem nada que possa dar início ao fogo', referiu aquele responsável à Rádio Morabeza."

As perguntas que ficam:

E agora? Ah! Os culpados são "as crianças de rua"? Mas porque será que só agora se lembraram de pegar fogo ali? Será do frio que faz no Mindelo? A quem interessa a queda definitiva do Éden Park? O que falta para que caia de vez? Onde está o projeto de reabilitação? Os engenheiros que vinham? Onde está o respeito pela história e pelo património de Cabo Verde? Onde estão os resultados práticos da declaração formal e oficial do centro da cidade do Mindelo, como Património Nacional e logo sujeito a cuidados especiais e a medidas de exceção?

O que falta para que caia de vez?









Um grupo de apaixonados pela fotografia denominados Fotodependentes Cabo Verde (pode visitar e "gostar" da sua página no Facebook, aqui) estão a organizar um passatempo que terá a duração de praticamente todo o ano e o Café Margoso orgulha-se de ser parceiro desta iniciativa que pretende, acima de tudo, promover e incentivar a arte fotográfica, que desde o início tem sido acarinhada neste espaço. 

Denominado Projecto 47, este é  um passatempo fotográfico inspirado em outro projectos semelhantes existentes noutras paragens (Project 52 ou o Project365, por exemplo). O passatempo consiste na colocação online em álbuns próprios e por temas designados para cada semana, de fotografias feitas pelos participantes. No final de 2014, as fotografias mais votadas em cada semana farão parte de uma mostra a ser apresentada na "Noite Branca" deste ano, na Praia e, em estudo, a organização de uma exposição também na cidade do Mindelo.

Os temas serão 47. A entrada de fotos para cada tema só se pode fazer na semana própria. Nem antes nem depois.As imagens serão colocadas em álbuns próprios na página do grupo, um por tema/semana. Estes álbuns terão de ser públicos e permitir a votação de todos que o queiram fazer. Como habitualmente acontece nestes casos, o método de votação para encontrar as fotos para apresentar na exposição, será feita pelos likes na própria foto.

Para evitar que na exposição existam muitas fotografias de um pequeno grupo de fotógrafos e poucas ou nenhumas de outros, permitindo assim que um maior número de fotógrafos tenha imagens expostas, proporcionando uma maior diversidade de abordagens na exposição, defeniram-se as seguintes regras de pontuação e selecção: 

1. Cada fotógrafo só pode ter na exposição, entre 4 a 6 fotos conforme a aderência na referida semana. Se alguém for vencedor em mais do que 6 semanas, entre as 4 e 6 fotografias com maior número de likes serão seleccionadas. Nas restantes semanas, retiram-se da contagem todas as suas fotografias e passam a estar seleccionadas as imagens mais pontuadas, seguindo-se o processo normal. 

2. A votação estará aberta até ao dia 30 de Novembro. No dia 1 de Dezembro, fazem-se as contas e inicia-se o processo de impressão e montagem da exposição. Nem todas as pessoas vêem as fotos todas as semanas ou todos os dias. 

3. Formato das imagens: ficheiros jpeg até ao máximo de - 50x50cm a 300 dpi. Cada fotógrafo é livre de produzir relações de medias como entender, mas para impressão, os ficheiros serão considerados como tamanho real, a medida que resultar em cm, quando convertido para 300dpi. e que caiba dentro do quadrado 50x50cm.

O Café Margoso será parceiro oficial do Projecto 47 e publicará, todas as semanas, a fotografia vencedora do tema proposto. O tema desta primeira semana de passatempo é "RETRATO".


 





1. "Ela Cerveja, Ele Coca Cola. Ela disco, ele tinta. Ela toca, ele pinta. Ela dança, ele tenta. Ela sorri, ele não aguenta. Ela escandalosa, ele calado. Ela festeira, ele sossegado. Ela quer ir, ele tá de boa. Ela desiste, ele ‘me perdoa’. Ela pontual, ele demora. Ela tem pressa, ele sem hora. Ela espera, ele vai embora. Ela pergunta, ele enrola. Ela desencana, ele peleja. Ela explica, ele boceja. Ela respira, ele fraqueja. Ela entende, ele a beija. Ela ponto, ele porém. Ela forte, ele do bem. Ela do momento, ele do além. Ela ama, ele também."

2. "A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Amar é surpreender."

Caio Fernando Abreu - escritor




Qualquer estudante de marketing básico sabe que a principal preocupação das empresas, para um bom desempenho financeiro e êxito comercial, passa por centrar a sua ação na satisfação dos seus clientes. Deixou de ser apenas o custo de produção, a economia laboral ou a necessidade premente de vender rápido e depressa, porque ficou entendido que se é difícil conquistar novos clientes, mais complexo é mantê-los. 

Isso pode parecer menos evidente num mercado monopolista como é aquele da luz e água em Cabo Verde, dominado totalmente pela Electra, recentemente dividida em duas, a sul e a norte, com efeitos práticos ainda não mensuráveis. Mas mesmo assim, essa preocupação deve ser mantida, quando mais não seja por um esforço para a melhoria da imagem social da empresa, nas ruas da amargura e que provoca, direta e indiretamente, o desprezo pelas regras e condutas como o roubo de eletricidade, uma das maiores causas para os prejuízos da empresa, ano após ano.

Por mais campanhas que se façam, se a empresa não te respeita enquanto cliente, dificilmente será ela merecedora do respeito dos utilizadores. E foi precisamente isso que procurei chamar atenção quando ontem três matulões vieram a minha casa e, sem qualquer aviso prévio, me cortaram a luz de casa, com um papel que me obrigava a pagar uma "caução" de mais de cinco contos.

Isto tudo por causa da falta de pagamento de uma fatura que nunca chegou e que, por acaso, até tentamos pagar, mas não nos foi possível porque no dia em que lá fomos, "estavam com um problema no sistema. Mas não se preocupem", disseram eles, "a fatura vai chegar e aí vocês virão pagar, sem qualquer problema." A fatura não chegou e a luz foi cortada.

Lá fomos nós à empresa. E depois de duas horas e meia de espera - outro belo exemplo de como manter um nível elevado de satisfação da clientela - lá fomos atendidos e explicamos a situação. Ao que parece a funcionária que nos atendeu era nova porque a que estava do lado, logo veio dizer, de forma rude e ao mesmo tempo que atendia uma outra pessoa, que não havia nada a fazer, teríamos que pagar a caução. Falamos com a responsável do "posto" e explicamos a situação. A caução foi retirada assim como a taxa de ligação da luz. Óbvio. Mas a manhã, essa, estava perdida.

Referi que deveriam pelo menos ter cuidado e verificar o historial do cliente pois sendo alguém que nunca lesou a empresa nem atrasou pagamentos não custaria nada ligar antes para saber o que se passava e evitar todos estes constrangimentos. "Ah não podemos fazer isso. Porque temos que fazer mais de cem cortes de luz a residências, por dia!", foi a resposta. Bem, o dinheiro que gastam com gasolina para as deslocações e a força de trabalho bem que poderia ser poupada, além de o cliente sentir que está ali uma empresa que se preocupa com o consumidor.

Pagamos o que era devido pelo consumo. Viemos para casa. Duas horas depois, black-out geral na cidade do Mindelo. Francamente, Electra! Depois admiram-se que haja tantos cidadãos que simplesmente roubam eletricidade. A regra é simples: quem quer ser respeitado, dá-se ao respeito. Ponto. 






Que legenda para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café 








Noivado

Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia.

Mário-Henrique Leiria in Contos de Gin-Tónic





"O Paraíso existe. Chama-se Facebook. Esse lugar onde toda a gente se ama, onde todos respeitam os direitos humanos, os direitos dos animais, das crianças, dos desfavorecidos, dos doentes. Onde toda a gente é bela e sem defeitos, onde toda gente sabe melhor e tem sempre o conselho certo na hora certa. Já me decidi: quando morrer quero ir para o Facebook. Até curtia ir para o Céu mas lá não deve ter internet."

Boss AC




Os balanços do ano publicados nos semanários são sempre subjectivos mas, no que ao teatro diz respeito, não entendo o silêncio à volta de produções como "Escola de Mulheres", de Molière e, principalmente, "Tempêstad", adaptação crioula da maior obra de Shakespeare. Sem querer parecer arrogante, penso que uma obra cénica como esta, deveria ter um destaque maior pela sua importância histórica. Esta é, a minha opinião, bastante pessoal, e estou certo, de muitos que a ela assistiram.

Fotografia de Diogo Bento, de "Tempêstad" (na foto, o actor Christian Lima).