Declaração Cafeana

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O objectivo de uma campanha publicitária é chamar atenção para o produto que se quer vender. No caso de uma campanha com objectivos solidários e/ou sociais, é chamar atenção para uma qualquer problemática social e lançar o debate sobre ela, quebrando tabus, colocando meio mundo a falar sobre o tema. Se essa campanha tiver um bom slogan, daqueles que fica no ouvido, melhor ainda. A frase, começa a ser repetida até à exaustão e, o que é mais fantástico, o efeito multiplicador permite-nos observar a utilização dessa mesma frase em dezenas de contextos diferentes. Ou brincando, ou ironizando, ou criticando. Mas se esse slogan estiver na boca do povo, a campanha já é uma campanha vencedora. 

Vem isto a propósito do burburinho à volta da campanha "Homem que é homem não bate em mulher", à qual tive todo o prazer de me associar, dando a cara, e fazendo do Café Margoso um parceiro. Muitas participações, algumas críticas construtivas, observações pertinentes, debate lançado, a campanha na boca do povo. Por aí, a campanha já vence e os promotores estão de parabéns.

Depois há que se entender em que sociedade vivemos. Basta ir aos jornais online para verificar a podridão que grassa pelas mentes de tanta gente que, sempre sob a capa cobarde do anonimato, insulta, acusa sem fundamento, utilizando na maioria das vezes linguagem rasteira, cuja única sensação que consegue provocar é uma sensação de nojo e vómito. Há muito deixei de ler esses comentários, mas não deixam de ser um retrato social, mesmo que escondido, da lixeira mental que se sente, mas não se quer admitir que exista. 

Como não podia deixar de ser, uma campanha como acabou provocando algumas reacções que, no meu entender, são despropositadas mas absolutamente expectáveis: estar a gerir egos, porque fulano ficou na frente de sicrano; que o partido amarelo está mais representado que o verde (ou vice-versa); que o logo mostra o homem em cima e a mulher em baixo e que portanto contribuí para o acirrar do preconceito; que esse ou aquele não pode estar porque "todo o mundo sabe" que dá pancada nas mulheres (e isto dito sem provas, sem acusação, sem julgamento e muito menos, sem condenação), esse tal diz que não diz que é um dos maiores venenos sociais do nosso meio, tudo isso não podia deixar de acontecer, mais ainda numa campanha em que o assunto é tão sensível numa sociedade tão hipócrita como a nossa. 

Estão os promotores sujeitos a críticas? Com certeza! Coloco a foto que mostra a participação do Tchalé Figueira, que de forma construtiva participa e critica ao mesmo tempo, sugerindo algo mais, dando exemplos de outras frases ou outros slogans. Outros o tem feito, lançando e promovendo um debate necessário e profícuo. Agora, podíamos estar a falar de violência doméstica sem o lançamento desta campanha? 

Podíamos, mas não era a mesma coisa!



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