Construindo Pontes

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No último Festival Internacional de Teatro do Mindelo – Mindelact 2013, e no âmbito do Encontro Internacional de Programadores de Artes Cênicas, que decorreu enquadrado no maior evento teatral da África Ocidental, aconteceram vários momentos históricos. Se virmos a sala onde decorreram os trabalhos desse salutar encontro, verificaremos a quantidade incrível de homens e mulheres que por todo o mundo lutam diariamente para, com o teatro e pelo teatro, fazer deste lugar chamado Planeta Terra um espaço mais de partilha do que individualismo, mais de arte do que de violência, mais de fraternidade do que de comércio puro e duro. 

As múltiplas conversas paralelas geraram certamente frutos que já se começam a fazer sentir. Mas não podemos deixar de destacar aquele que, para nós, foi o momento mais importante desse histórico encontro: a assinatura de um convênio entre a Associação Artística e Cultural Mindelact e a SP Escola de Teatro.

Entre muitas outras possibilidades, o que este documento permite é, em primeiro lugar, o início de uma edificação de uma ponte entre os nossos dois países, entre Brasil e Cabo Verde, entre São Paulo e o Mindelo, sustentada por pilares indispensáveis como são a formação, a amizade, a educação artística, a troca de experiências e a vontade de partilhar saber, conhecimento, memórias, cultura e sinergias. 

Como primeiro fruto palpável, digamos assim, viaja nestes dias o primeiro intercambista cabo-verdiano, para durante os próximos meses aprender, partilhar, sugar, transmitir, conhecer e espalhar um amor pelo teatro que é certamente algo que temos em comum, vocês aí na SP Escola de Teatro, e nós, aqui no Mindelo, que fazemos acontecer o teatro em condições inimagináveis.

Sabendo como sabemos o quão revolucionário é o sistema de ensino implementado nessa escola maravilhosa, o quão humanista é a práxis diária e o quão desafiadora é a exigência em cada momento do processo de aprendizagem, a participação de um agente teatral cabo-verdiano na vida da Escola, por dentro, nas entranhas, será algo que, estamos certos, dará início a uma nova era da história da formação teatral deste pequeno arquipélago, e nós orgulhamo-nos em sentir que fazemos parte deste momento tão especial.

Desse lado podem também ter a certeza de que, e independentemente da escolha feita (num processo de seleção que é sempre subjetivo por mais que se queira sempre acertar), o jovem cabo-verdiano que nesses dias vai estar com vocês, levará esta boa energia das ilhas, esta capacidade de do nada fazer tudo, uma infinita vontade de aprender e uma abertura total de, com a sua história pessoal, contribuir para a história e a construção do coletivo da escola, em geral, e dos grupos com quem vier a trabalhar, em particular. 

Seremos, porque esse é o nosso destino, dignos desta ponte que agora edificamos. Queremos mais daí e estamos prontos para vos dar o que for preciso daqui. Estamos gratos por esta oportunidade e sabemos da imensa responsabilidade que temos de fazer desta experiência um multiplicador de vivências e conhecimento. Mas, acima de tudo, deixamos aqui o nosso profundo reconhecimento a toda a equipe da SP Escola de Teatro, em particular ao Ivam Cabral, Óscar Cutello, Quim Gama e Denise Relvas, por deixarem Cabo Verde entrar um bocadinho que seja nas vísceras desse projeto único e, quem sabe, deixar um pouco da nossa marca aí também.

Que esta ponte permita muitas passagens, múltiplas viagens. Que permita o nascimento de histórias outras, de projetos comuns e de crescimento humano, cientifico, cultural e artístico, de parte a parte.

Daqui, neste momento particular, só nos resta dizer: obrigado SP, por deixares Cabo Verde fazer parte de ti também.

A minha crónica mensal no portal da SP Escola do Teatro (leia as restantes, aqui)



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