Declaração Cafeana

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Quando há mais de 20 anos fui com a minha cara de pau apresentar um projeto de um curso de iniciação teatral e expressão corporal ao Centro Cultural Português do Mindelo, ainda situado no edifício Amarante, estaria longe de imaginar o que isso acarretaria no futuro. No que é mais visível, acabou por provocar uma revolução tranquila - como sempre lhe gostei de chamar - no panorama teatral de S. Vicente, em particular, e de Cabo Verde, em geral.

A forma aberta, generosa e simpática como a Ana Cordeiro me recebeu naquela época, continuou a ser até hoje a sua imagem de marca, com uma capacidade diplomática para resolver problemas e envolver toda a comunidade intelectual e artística nas atividades do Centro Cultural Português, e que ainda hoje é das qualidades que mais lhe admiro. 

Hoje anunciou formal e publicamente a sua saída do CCP - Pólo do Mindelo por motivos de reforma e eu, como muitos outros, devemos estar-lhe gratos pelo importante papel que desempenhou na dinamização cultural da cidade do Mindelo a todos os níveis e em todas as áreas da criação. 

São lhe devedores criadores das artes plásticas cujas múltiplas exposições promoveu, com um cuidado que infelizmente ainda hoje é uma raridade por estas bandas. São lhe devedores músicos que ajudou a promover - não me esqueço que o primeiro concerto de assinalável dimensão que Orlando Pantera deu na cidade do Mindelo foi por iniciativa dela, por exemplo - fotógrafos a quem deu apoio institucional e material, escritores cujos livros lançou e apresentou, intelectuais que envolveu em iniciativas tão importantes quanto criativas, como por exemplo, as Conversas com Artistas ou, bem recentemente, os fantásticos Passeios com História(s).

São lhe devedores todos os fazedores de teatro, porque com a sua colaboração pessoal e institucional, o Mindelo transformou-se num importante centro de criação cénica, ninho de inúmeros grupos e companhias teatrais, às quais nunca negou apoio, na medida das possibilidades de cada momento. 

Sou eu, naturalmente, devedor de todo o apoio que sempre me concedeu. Por acreditar e apostar no meu trabalho desde o início, por ter contribuído e acompanhado, de forma solidária e empenhada, o meu crescimento pessoal, profissional e académico, numa relação profissional de mais de 20 anos, cimentada hoje numa sólida amizade. 

Obrigado Ana Cordeiro, tenho a certeza que a cidade do Mindelo e Cabo Verde em geral vai receber muito de ti nos futuros desafios que certamente não faltarão, no tanto que ainda está por fazer. 



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1 comentário:

Joaquim Djack disse...

Longa vida e grandes realizações, desejo àquela que foi de facto (e continuará a ser, esperemos) a mais longa e produtiva "embaixadora" de Portugal em Cabo Verde.

Djack