Cafeína

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"A renúncia de três artistas às nomeações dos CVMA volta a trazer, qual ladainha, o histórico debate sobre o que é, ou não, música cabo-verdiana. Até parece! Tudo o que é feito por músicos cabo-verdianos é música de Cabo Verde. A história deste arquipélago, atlântico e crioulo, nos conta isso mesmo...

Em outras nações mais resolvidas essas contribuições à música são olhadas com curiosidade académica; encaradas como fenómenos que acrescentam, e não o contrário. Não há uma pauta rígida e fechada da música cabo-verdiana, como se vivessemos apenas da arqueologia cultural. A música cabo-verdiana é rica, profusa e dinâmica, com maturidade para dialogar, influenciar e deixar-se influenciar, sem perder alma ou identidade matricial, por outros géneros, estilos e modos de outras paragens. Por sorte, esta sociedade crioula, apesar de algumas posições fundamentalistas, de há muito que se fez ao mundo e para o mundo. Basta de artesanato fechado e paleolítico. A história, ela é também contemporânea. 

Uma nação musical - Mon Pays Est Une Musique - vive da profusa música. Olha o caso do Brasil que se afirma com Villa Lobos, Tom Jobin, Gil e Caetano, mas também Luís Gonzaga, Roberto Carlos e Daniela Mercury, para além do Cazuza e Gabriel O Pensador, entre outros. Mente aberta, consequentemente, para que levemos adiante o barco-país."

Margarida Fontes - jornalista cabo-verdiana

Imagem: fotografia "Free" de Amilcar Sousa Monteiro




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