Este novo dispositivo vai revolucionar o mundo multimédia. Vocês não estão a perceber. E imaginem só, não foi inventado pela Apple. Vejam o que faz a nova maravilha. O nome? Biótico Organizado de Conhecimento. Vejam o espantoso vídeo de apresentação, aqui.






Três pequenos pormenores, se quisermos assim considerar, motivam este texto. Em primeiro lugar, o facto de hoje se comemorar mais um Dia Internacional da Dança, e se estas datas comemorativas servem para alguma coisa - há muito boa gente que defende não servirem para rigorosamente nada - é de provocarem ou incentivarem alguma reflexão relacionada com o tema da data em comemoração. Hoje seria um bom dia para se reflectir sobre a dança cabo-verdiana, ou melhor ainda, qual o papel do Estado, qual pode ser o papel do Estado, na potenciação desta qualidade inata do povo crioulo que é saber-se mexer como poucos. Bem que poderíamos tirar um pouco de mais proveito disso, não?

O segundo pormenor está relacionado com a notícia de que os hotéis e pousadas da ilha do Fogo se encontrarem completamente esgotados e a razão principal é fácil de adivinhar: as festividades da Bandeira, o maior acontecimento cultural durante o ano da ilha do Vulcão, que mobiliza vontades, dinâmicas, gentes como nenhum outro acontecimento local, além de provocar, como se vê, uma movimentação com repercussões directas nos pequenos e grandes negócios, ou seja, na economia real. Não é novidade. Quando e onde se enchem os hotéis em Cabo Verde? Normalmente quando alguma grande actividade cultural tem lugar. Mais uma vez, esta seria uma boa altura para reflectir sobre aquela frase nuclear do economista David S. Landes já aqui referida há tempos idos que nos diz que "se aprendemos alguma coisa na história do desenvolvimento económico é que a Cultura faz toda a diferença."

E chegamos ao terceiro pormenor, que não o é (pormenor, digo). Falo do silêncio. O silêncio da nova equipa do Ministério da Cultura, melhor do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura. O Abraão Vicente chama atenção para o facto de não terem feito «nada de registo» e eu digo: há silêncios que são ensurdecedores. Com o pouco tempo que existe até ao final da legislatura, esta mudança de nomes só fará sentido se houver, nesse pouco tempo, sinais claros e inequívocos de uma alteração, eu diria radical, de políticas culturais públicas. Senão mais valia estar tudo como estava, mal por mal sempre nos íamos entretendo com uns fóruns de ocasião. 

Senhora Ministra, por quem tenho a maior consideração pessoal, já passou o tempo de «tomar o pulso», agora é hora de agir. Não é assim tão complicado. Há tanto por fazer. Olhe, comece por tomar uma medida efectiva para salvar o Éden Park, medida, aliás, que foi assumida publicamente e em texto escrito pelo seu antecessor. Mas seja o que for que estiver preparando, fale ao país, fale aos artistas, fale hoje sobre dança, amanhã sobre como potenciar acontecimentos como as festas de S. Filipe, e marque a diferença que é isso que se pede a quem governa os destinos deste país cultural. O país, esse, agradecerá certamente. Quebre o silêncio, d'izmola.


Fotografia «Danças» de Jorge Martins





Bem, este estudo é avassalador. Não tem como não ser avassalador. E tendo em conta as tendências gerais, dá que pensar: um estudo divulgado pelo jornal diário I, associa infidelidade masculina com o Coeficiente de Inteligência. De facto, diz o estudo que homens que traem as esposas e namoradas tendem a ter um quociente de inteligência mais baixo. A conclusão é de um estudo publicado na revista "Social Psychology Quarterly". "Homens inteligentes estão mais propensos a valorizar a exclusividade sexual do que homens menos inteligentes”, revela o estudo.

De acordo com o mesmo, as pessoas que acreditam na importância da fidelidade sexual para uma relação demonstraram QI mais alto. O ateísmo e o liberalismo político também são características de homens mais inteligentes. Esta última parte também é importante. Sim, essa, do ateísmo. E mais não digo. 

Fonte: I






«Deus está morto: mas, considerando o estado em que se encontra a espécie humana, talvez ainda por um milénio existirão grutas em que se mostrará a sua sombra.»

Friedrich Nietzsche - Filósofo alemão [imagem, uma das capas da Time, de Abril de 1966]






O exemplo da Islândia

1. A Islândia, um pequeno país insular, com uma população de apenas cerca de 320 mil habitantes, era considerado, antes da eclosão da crise económica global, como um dos países mais ricos do mundo e tem-se tornado com o passar do tempo numa estranha e bizarra fábrica de casos com repercussão mundial, prontos para serem objecto de investigação académica para elaboração de teses de sociologia, cultura ou economia.

2. Além de ser um país gélido, ou talvez por isso mesmo, apenas legalizou a cerveja em 1989 (!) e cobra impostos pelas razões mais inusitadas como, por exemplo, pelo facto de alguém ter um animal de estimação na sua própria casa.

3. Foi a Islândia, como deverão estar lembrados, um dos países mais marcados pela recen. te crise económica, tendo mesmo acontecido, há pouco menos de dois anos, que muitos dirigentes, economistas, políticos e responsáveis governamentais anunciavam na comunicação social que o seu próprio país estaria na bancarrota, com uma dívida 12 vezes maior que a economia, tendo anunciado o fecho da sua Bolsa de Valores de Reikiavik e estatizado os maiores bancos

4. Esta crise descomunal também foi notícia por outras razões: conhecido como um dos países mais avançados na luta pela igualdade do género, viu as suas mulheres virem a terreiro acusar directamente os homens da tremenda crise financeira que viria a colocar em causa o futuro imediato daquela pequena nação.

5. Bem mais recentemente, a Islândia deu a conhecer ao mundo mais uma lei controversa: o Governo proibiu o strip-tease! Isso mesmo, proibido tirar a roupa e ganhar dinheiro com isso, presumindo-se que esta nova legislação seja aplicável a ambos os sexos.

6. Claro que não se sabe se esta foi uma boa altura para aplicação e implementação de tão radical medida, até porque em tempos de crise as pessoas andam muito mais tristes e deprimidas, e é quando andam assim, tristes e deprimidas, que procuram algumas formas de diversão, umas mais originais, outras menos, e esse aumento da procura acaba por gerar uma relação de causa/efeito em alguns sectores de actividade económica, com o aumento do volume de negócios e consequentemente do emprego em determinados sectores.

7. Portanto, não sei se seria esta uma boa altura para em vez de proibir, incentivar os islandeses a tirar a roupa, a mostrarem-se uns aos outros tal como vieram ao mundo, independentemente do frio gélido que sempre faz por aquelas paragens, a não ser que sejam todos feios e gordos, o que não me parece que seja o caso.

8. Portanto, a partir deste momento, se uma mulher islandesa quiser tirar a roupa de forma sensual, tem que o fazer no conforto do lar, e mesmo assim cuidado, se houver algum tipo de troca de serviços, do tipo tu tiras a roupa e eu compro-te uns sapatos novos, é bom que não haja por lá nenhuma fiscalização mais competente, ainda vai tudo parar a tribunal.

9. Mas a partir de agora os clubes de lazer masculino não podem mais lucrar com a nudez feminina e o contrário também passa a ser válido. Esses bares islandeses vão perder a piada, dizem, apesar de os deputados da nação terem garantido de que esta nova lei vem provar que o país tem uma das democracias mais fortes da Europa.

10. Os donos das casas de show já estão desesperados e ensaiam pedir uma indemnização ao Governo do país e parece-me bem. Porque uma coisa é a exploração ilícita do negócio, com aqueles horrendos casos de tráfico e escravatura moderna de mulheres, outra é uma actividade que envolve profissionais, que sabem o que estão a fazer, dançam, mexem-se à volta de um varão e ganham dinheiro com uma actividade tão válida como qualquer outra, tirando partido do facto mais que comprovado de a grande maioria dos homens deste planeta se babarem ao se depararem face to face com um belo par de mamas.

11. Não confundam as coisas: sou totalmente a favor de todas as medidas que possam favorecer e ir de encontro a uma maior justiça social e cultural, no que à questão do género diz respeito e é bom que neste sentido se veja que esta minha objecção esteja direccionada nos dois sentidos, porque também às mulheres islandesas lhes foi proibida a ida aqueles bares de strip masculino cujo momento mais fantástico e digno dos maiores elogios e admiração, é sempre aquele em que os bailarinos homens, num gesto apenas, tiram se forma repentina as calças, peça de roupa à partida concebida para dar muito mais trabalho a desaparecer nos momentos de maior fogosidade, momento esse que provoca na maioria das vezes gritos alucinados de mulheres à beira de um ataque de nervos.

12. E eis que, mais uma vez, quando menos se esperava e pela mais inusitada das razões, este pequeno e aparentemente insignificante país insular, volta às bocas do mundo por causa de um vulcão que resolveu dar sinal de vida e expelir uma nuvem de cinzas capaz de paralisar uma parte significativa do tráfego aéreo internacional. Mais uma vez o bizarro tomou conta do mundo global. Basta ver o nome do vulcão que tem cuspido a nuvem de cinza que tem provocado todo este alvoroço: Eyjafallajokull. Isso mesmo, vulcão chama-se Eyjafallajokull. Credo!

13. Não vou ao ponto de fazer uma relação directa entre a proibição do striptease comercial e a erupção do vulcão islandês, mas é uma coincidência perturbadora. Mesmo sabendo-se que tudo se perdoa ao país onde nasceu uma das estrelas pop mais fascinantes das últimas décadas, Bjork de seu nome, que com a sua extravagância, visual e arte tem deixado marcas e conquistado uma legião de fás por esse mundo fora, fica sempre aquela dúvida se isto tudo não estará ligado. Pelo sim pelo não, espero que os nossos deputados não proíbam aquela forma desmesurada e urgente com que muitos crioulos “dançam” nas principais discotecas do país, num estilo não assumido mas por todos comentado, não vá o vulcão do Fogo zangar-se por se dar um fim a uma das mais estranhas e originais idiossincrasias do relacionamento social nestas ilhas.

Excertos da crónica publicada no jornal A Nação






O facto de a melhor forma de atenuar o trauma de uma ida ao dentista ser comprar discos e livros na FNAC, faz de mim um consumidor compulsivo próximo da insanidade?



À melhor resposta ofereço um café









A Viúva

Mediu o morto e confirmou o facto: a morte encurtara-lhe as pernas. O resto do corpo permanecia igual, mas as pernas haviam encurtado quinze centímetros, e apenas em duas horas.

Mais tarde o fenómeno acelerou.

No dia seguinte, o morto era já composto apenas por uns sapatos pretos novos e pela cabeça.

A mulher do defunto estava irritadíssima. Só conseguiu pensar no dinheiro desperdiçado no enorme caixão de madeira.

- A minha madeira, a minha querida madeira! - murmurava ela, sem que ninguém a ouvisse.

No dia do enterro a viúva não suportou mais e, à frente dos familiares, desatou a chorar, agarrada à madeira do caixão.

Gonçalo M. Tavares in «O Senhor Brecht»







«O nosso destino comum está na ponta da língua da Mariza.»

José Maria Neves, comentando o concerto de Mariza, no Facebook






Chegou pelo correio. Saiu do envelope. Entrou no computador. Kontinuassom. A última e definitiva versão. Tudo tem um sabor diferente quando se está fora. Não há como a gente não se emocionar ao ver este filme. Bety Fernandes, bailarina, mãe, mulher, amiga, não podia ter sido mais bem escolhida a protagonista. Dança por entre as pedras, as rochas, as casas inacabadas. Sempre inacabadas. Paka kaba não. Vamos ouvir. Bzot abri brok d'ovid e bzot ovi! É gent mais bedje ke tita ba fala. Denti Dóro, basofo! Ah Nácia Gomi, senhora de milenar sabedoria. Ah Codé di Dona! Ah Léla Violão, Deus tem! No quintal do Mário Lúcio juntam-se lendas, arrumam-se sonoridades por entre grogue e ensinamentos. Pa ka kaba não.

Não há como não chorar. Como chuva que vem sem avisar. Ah Vadu, nha fidje, ver-te a cantar pelas ruas da Praia. Pa ka kaba não. Não há como não chorar. Ah Manu Preto, que seria de Cabo Verde sem o teu balanço, o teu cabelo malcriado, os teus meninos do Raiz! Pa ka kaba não. Ah Samira! Ah Princezito. A nhôs é bonitu dimas. Cantando e dançando pelas ruas da Praia. Loucos e bêbados se juntam. Não há como não chorar. Não há como não dançar. Pa ka kaba não.

Ah país abençoado. De fora tens outra cor. Que fique sempre dentro do nosso coração. Ah arquipélago, não deixes de olhar para dentro de ti, não deixes de querer melhorar, vai e vem, mas avança sempre, olha-te ao espelho, vê os teus artistas, olha por eles, cuida deles. São eles, os artistas, que fazem o sangue jorrar pelas tuas veias. Kontinuassom. Pa ka kaba não. Foca-te, país da música. Melhora-te. Não percas a capacidade de te regenerar, de te re-inventar. Kontinuassom, Pa ka kaba não. Lágrimas. Saudade.








«Levou tempo para que eu percebesse que quem presta muita atenção no que é dito não consegue escutar o essencial. O essencial se encontra fora das palavras.»

Rubem Alves - escritor







No dia em que inventarem um produto para desfrizar cabelo de mulher que não cheire a algo podre, o mundo não se tornará definitivamente melhor?



À melhor resposta ofereço um café









Vou vos falar de um escritor que aprecio particularmente e é pouco conhecido. Chama-se Caio Fernando Abreu, faria este ano 62 anos, se não tivesse falecido em 1996, por causa do vírus da SIDA. Tem uma escrita inquieta, um estilo económico, directo, dramático, pessoal. Escreve sobre a vida, a morte, o sexo mas principalmente da angustiante solidão do ser humano. Há quem sobre ele tenha escrito que estarmos perante «um fotógrafo da fragmentação contemporânea.» Teve uma vida atribulada, cheia de viagens e equívocos, conviveu com artistas e poetas e foi considerado por Lygia Fagundes Telles como o “escritor da paixão”. Destaques de sua obra: O ovo apunhalado (1975), Triângulo das águas (1983), Os dragões não conhecem o paraíso (1988), Onde andará Dulce Veiga? (1990), Ovelhas negras (1995), Estranhos estrangeiros (1996).

É um escritor que vale a pena conhecer. Aprofundar. E na internet, qualquer um pode ler a sua obra integral, completa. Os contos, as cartas, as epifanias, as peças de teatro. Neste sítio aqui, encontram tudo. Vão dar uma espreitadela, que vale a pena.

Entretanto, deixo aqui alguns excertos que aprecio particularmente:

«Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais – por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia – qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.»

«Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver.»

«Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza, deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és.»

«Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.»






Que Hernany Almeida é um dos nossos maiores valores na área da música, já quase toda a gente sabe. O que nem toda a gente saberá é que um disco novo está a caminho, para delicia de todos quantos apreciam a boa música.

Por enquanto que não chega, podem se ir deliciando com este tema:




E para ouvir mais 3 músicas novas, fresquinhas, acabadinhas de sair do estúdio, é só ir ao Myspace do músico mindelense, aqui.

Boa escuta!






Sobre as recentes declarações de Mário Soares - que afirmou "que Cabo Verde não deveria ter sido independente" ou que o arquipélago "teria muito a ganhar em ter evitado a separação em relação a Portugal" - escreve o lúcido Rony Moreira:

«Mário Soares quando disse que Cabo Verde ganharia se não se tornasse independente., fê-lo impregnado num certo sentimento de derrota, porque conseguimos avançar e só temos o futuro no horizonte. E esta derrota não é sentida só por alguns portugueses que não desejavam a independência de Cabo Verde, é sentida também por alguns cabo-verdianos [órfãos da paternidade lusitana] que estavam a contar com uma desgraça para reivindicar a loucura da independência. Mas graças à coragem de muitos homens e do povo desenvolvemos, marchando contra todas as adversidades — pobreza material e de qualificação profissional — para pouco a pouco construir um Cabo Verde à nossa imagem e sacrifício.»

Não podia estar mais de acordo. Quem conhece o mínimo de história do arquipélago (e não é preciso muito) só tem uma forma de classificar essas afirmações: um perfeito disparate.

Porque Cabo Verde foi Nação muito antes de ser país; e porque não há povo mais orgulhoso da sua condição de independente e livre que o heróico povo destas ilhas. 


 




«O verdadeiro cidadão não tem dependência, 
tem liberdade de escolha.»

António Barreto - Sociólogo







Soube esta através do blogue Jumento e ainda não me parei de rir.

«O Vaticano perdoou finalmente os Beatles pela célebre frase de 1966, em que diziam que eram maiores que Jesus Cristo. Segundo a NME, um artigo oficial do jornal do Vaticano «L'Osservatore Romano», aclamou o grupo dizendo que devido à beleza das suas canções o comentário tornou-se insignificante.» [Fonte: Portugal Diário]

Vá lá: eu que me obrigava a rezar alguns pais-nossos antes de ouvir qualquer tema dos Beatles e que considero o álbum «Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band» o melhor da história da música, tendo por isso pensado ter lugar reservado na Quinta dos Condenados, posso afinal de contas respirar de alívio. Certo, certo é este ministério do Papa alemão se estar a transformar numa autêntica anedota. Cá ficamos, aguardando pelo próximo disparate.





A mudança de lugar

Aconteceu na Tam, companhia aérea brasileira e, ao que tudo indica, esta é uma história verídica.

Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe económica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo. «Qual o problema, senhora?», pergunta a comissária.

«Não está vendo?» - respondeu a senhora - «vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra cadeira.»

«Por favor, acalme-se» - disse a comissária de bordo. «Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível.»

A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.

«Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe económica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar na classe económica. Temos apenas um lugar na primeira classe.» E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:

«Veja, é não é comum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe económica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado duma pessoa desagradável.»

E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:

«Portanto senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...»

E todos os passageiros próximos, que, estupefactos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.

Moral da história:

«O que preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons...»

Recebido por mail





Ao que parece hoje, dia 14 de Abril, é Dia Internacional do Café. Fica sempre bem o anúncio, num estabelecimento como este. Já sabem como é: usem mas não abusem. Abraço.









Não li a entrevista e apenas agora vi a capa da revista Uhau!, do jornal A Semana, mas não pude deixar de sorrir ao ver o Primeiro-Ministro de Cabo Verde confessar desta maneira quase que desassombrada que "ainda não encontrou o amor da sua vida." Claro que podemos sempre falar da boa ou má governação, ou questionar, de uma forma até demagógica (já que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa), mas o que é que tem a mulher, mãe de cinco filhos, que não consegue ganhar o pão nosso de cada dia para alimentar os seus, o que é que tem esta e todas as outras mulheres a ver com os amores e desamores do Primeiro-Ministro? O que tem a ver o jovem que está na cidade grande, quem sabe se até já licenciado, mas sem perspectiva de emprego ou trabalhando nalguma área que odeia, fora do contexto de ensino que tanto lhe custou investir, e que caminha a passos largos para uma vida miserável, o que é que tem este e todos os outros jovens a ver com os suspiros públicos do Chefe do Governo?

Digam lá o que quiserem, mas eu acho óptimo que tenhamos um político com as responsabilidades de um José Maria Neves, que nos mostre que afinal também ele é humano, que sofre, por amor, por perdas, por desejos não concretizados. Gosto que exista um homem à frente do país que chore ao ver como sofrem os seus patrícios nas roças de S. Tomé, que escreva poemas de amor em homenagem às mulheres no seu Facebook ou declarações inflamadas no seu blogue pessoal. Gosto de pensar que mais do que políticos temos à frente dos destinos do país pessoas que também são homens e mulheres, com os seus defeitos e as suas virtudes, as suas alegrias e as suas dores. Até porque tantas vezes nos esquecemos que os políticos também tem vida própria e que dentro de quatro paredes de um lar há sempre histórias tremendas que podem abalar qualquer um. 

Claro que é bom saber que temos políticos competentes, honestos, impolutos, corajosos. Mas se  a juntar a todas estas características, fundamentais em quem escolheu por missão governar os seus, não houver réstias de humanidade confessada, algo começa a soar a estranho, a falso, a hipócrita, do tipo quando-a-esmola-é-muita-o-pobre-desconfia. Por isso não me incomoda que haja um Primeiro-Ministro que ainda suspire pela sua alma gémea, que se emocione, que goste de comunicar com os seus como se fosse uma «pessoa normal, como todas as outras». Porque às tantas é isso que faz falta aos políticos hoje em dia: serem um pouco mais pessoas "normais", como todos nós. Humanos, em suma.






Se os actos pedófilos dos padres são provocados por tendências homossexuais dos próprios, isso quer dizer que quando os abusados são meninas, é porque os padres são lésbicas?



À melhor resposta ofereço um café





[Esta pergunta, ao contrário do que possa parecer, não é para ter piada. É para manter o nível. De nojo. De asco. Relativamente às declarações do número dois da hierarquia da Igreja Católica. E sim, ainda ontem noticiavam mais casos de abusos sexuais em menores por parte de membros da Igreja, desta feita em meninas. Realmente, isto tudo não passa de uma insidiosa campanha contra os alicerces morais da humanidade. Efectivamente, as crianças andam a ver televisão demais, para virem inventar estas histórias macabras. Como escreveu aqui um leitor num comentário ao post anterior, não sei se farto das posições aqui publicadas sobre a Igreja, se sobre as posições da própria, and here we go again...]






«A homossexualidade, e não o celibato, é a causa da pedofilia apontada por estudiosos, disse nesta segunda-feira o secretário do Vaticano, Tarcisio Bertone, na tentativa de defender a Igreja Católica, que tem sido sacudida por uma onda de denúncias de abusos a menores.» (fonte aqui)

Pronto, está explicado. Assim como foi feito ao longo da história, a Igreja Católica continua a procurar teorias que "explicam" as anomalias que nunca assume como suas. É absolutamente nojento e inaceitável que o número dois do Vaticano tente associar, em pleno ano de 2010, a pedofilia dos padres à homossexualidade, como o fez nestas últimas declarações. Só uma palavra para tudo isto: vómito para tanta hipocrisia.





Escreve o (conceituado) jornalista brasileiro Luiz Carlos Azenha, numa crónica publicada na íntegra pelo Djinho Barbosa, no Son di Santiagu: «Em Cabo Verde a população fala crioulo (95% português, 5% palavras de idiomas africanos). O português como falamos no Brasil é coisa dos letrados.» E pronto! Já está, nem é preciso dizer mais nada.

Daqui se percebe como é urgente a implementação de um Instituto da Língua Cabo-verdiana, porque há algo de errado na forma como estas informações sobre a língua são vinculadas, nomeadamente em muitos "guias turísticos". Até porque é uma contradição enorme: se 95% do crioulo é português e o português é coisa dos letrados, será que somos todos analfabetos de duas línguas e ninguém sabia? Haja saco para tanta leveza de argumentos!







«A marginalização cultural que se assistiu durante o KRIOLJAZZ é acima de tudo expressão do caos ideológico e da completa alienação das politicas de promoção cultural deste nosso Cabo Verde Kriol.»

Amilcar Aristides in KriolJazz, um festival-à-part (aqui)





Há poucos dias recebi de um dos maiores defensores do Éden-Park a seguinte mensagem:

«A petiçao já atingiu mais de mil pessoas e a pergunta que vai no ar é esta: e agora o que se vai fazer com os resultados desta petição? Penso que a questão deve ser repensada e entrar em acção com propostas plausiveis. Na altura te propuz a criação duma comissão para conduzir este combate junto dos organismos municipais e do Estado. Agora como vamos ter uma Associação de Defesa do Patrimonio liderada pelo Maurino Delgado porque não unir as forças em defesa do património de São Vicente? Não deixe morrer a ideia e diga-nos qualquer coisa através do teu blog.

Um abraço, Luiz Silva»

Pois bem, pretendo aqui relatar os últimos desenvolvimentos relacionados com esta questão:

1. Tive um encontro, por iniciativa dos próprios, com dois deputados eleitos pelo círculo eleitoral de S. Vicemte, do PAICV, que quiseram saber o que se passava relativamente a esta questão;

2. Expliquei o melhor que pude o que me motivava na petição em defesa do Éden-Park, e expus o facto de uma petição com mais de quinhentas assinaturas ter, por direito próprio e legal, pelo menos a oportunidade de ver o assunto agendado na Assembleia Nacional;

3. Os deputados aceitaram ser portadores por mãos próprias da petição,  a ser entregue ao Presidente da Assembleia Nacional, na altura com cerca de setecentas assinaturas. Neste momento, já ultrapassou o milhar;

4. Foi prometido ainda que os deputados, em sede de Comissão Parlamentar própria, iriam propor e pressionar para que o assunto fosse, pelo menos, debatido na plenária;

5. Nunca mais soube em que corredores se encontra a petição e em que ponto se encontra a motivação dos ditos deputados sobre este assunto.

Entretanto, um outro acontecimento teve lugar e que passou praticamente despercebido, pelo que penso ser importante dele dar conta neste espaço. Foi editada em Portugal, pela Associação Cena Lusófona, com lançamento público à pouco mais de uma semana, uma revista chamada Sete Palcos, dedicada exclusivamente ao teatro cabo-verdiano. Dada a importância extrema desta edição de tão vasto conteúdo e qualidade gráfica, e tendo em conta o investimento nela colocado, foi pedido pela associação editora um texto ao então Ministro da Cultura, Dr. Manuel Veiga, para abertura da revista, ao que este respondeu positivamente. Num texto sem grandes novidades intitulado «Desafios do desenvolvimento do Teatro em Cabo Verde», algo ficou lá escrito que merece um destaque e mais do que isso: uma publicitação.

Escreveu Manuel Veiga, enquanto Ministro da Cultura (e este ponto é essencial):

«A questão do Éden Park ultrapassa a capacidade imediata de solução por parte do Ministério da Cultura. Há a disponibilidade para a procura de uma solução partilhada. Para já, o edifício já faz parte de um pacote de espaços que serão declarados patrimónios nacionais pelo Governo(sublinhado meu)

Ora bem, cá está uma notícia interessante e que nos faz apenas solicitar ou até mesmo lembrar, enquanto cidadão, à nova titular da pasta da Cultura, o quanto importante é fazer cumprir esta promessa, que está escrita, publicada e assinada por um representante do Governo de Cabo Verde.

Até porque a cada dia que passa mais facilmente se percebe qual a estratégia desta espécie de solução terminal para aquela que foi a mais importante sala de espectáculos e cinema do país: deixar apodrecer, até que algum engenheiro nos venha dizer que o edificio não tem outra solução senão a sua demolição pura e simples. Já vi este filme muitas vezes.





Por motivos profissionais, este estabelecimento vai fazer uma espécie de retiro forçado por uns dias. Quando menos esperarem, estarei de volta.

A Gerência







Através do sempre atento Jumento, dei com este discurso da deputada estadual brasileira Cidinha Campos. Notável. Reparem como no início pareciam todos muito divertidos. Mas logo o sorriso idiota acabou por desaparecer. Vale a pena ver o discurso completo, aqui.







MACDUFF
Tão tarde te deitaste, meu amigo, que tão tarde te levantas?

PORTEIRO
Por minha fé, senhor, estivemos na borga a noite toda; e a bebida, senhor, é grande causadora de três coisas.

MACDUFF
Causadora de três coisas: e que coisas serão essas?

PORTEIRO
Pois, nariz vermelho, sono e vontade de urinar. Quanto à luxúria, senhor, a bebida atiça e não atiça; atiça o desejo, mas impede ao mesmo tempo que o gozemos. Pode pois dizer-se que, em excesso, a bebida aldraba a luxúria: ora a incha, ora a desincha; tão depressa a instiga, como logo a amolece; tão cedo a ergue firme e altaneira como logo a derruba. A luxúria, em resumo, é aldrabada p'la bebida, que a engana com o sono; a põe a urinar e a leva, por fim, a baquear.

Shakespeare in Macbeth

Imagem: La Chapelle







Estive no aeroporto internacional da Praia na noite em que a luz faltou e aconteceu o que refere esta notícia de A Semana. Durante mais de uma hora, o aeroporto da capital de Cabo Verde este na mais completa escuridão. Sinceramente, não sei o que é mais grave: se a Electra estar na situação que está ou se o aeroporto depender, ainda, dos xiliques que a companhia de água e electricidade continua a provocar um pouco por todo o país, com maior incidência na cidade Capital. Inadmissível. Grave. Muito grave. 





Marlene Dietrich em «Shanghai Express»






Revelação

Trancou-se no laboratório da escola e, motivado pela revista pornográfica, ejaculou sob a lente do microscópio. Curioso, pôs-se a observar no líquido seminal a multidão de criaturinhas que nadavam afoitamente. Admirou-se. Todas vieram dele. Pensamento óbvio, do qual adveio outro: na verdade, os espermatozóides eram ele. Sim, todos eram ele, multiplicado aos milhões.

Daí lhe veio a revelação. “Talvez Deus nos veja assim”, pensou. “Somos Ele. Todos nós. Ele, multiplicado aos biliões.”

wilson gorj 






O facto da nova cerveja crioula da Strela se chamar EGO é uma daquelas ironias do destino ou apenas uma fantástica jogada de marketing?



À melhor resposta ofereço um café




[Aqui, é imperativo que se diga mais alguma coisa. Já experimentei a nova cerveja da Strela, a Ego, e é claramente das melhores cervejas que bebi na vida. Boa para o ego mesmo!]










Não sei porquê, mas esta imagem combina muito bem com esta bela sonata de Chopin para piano.

Bom fim de semana







Bento Oliveira, envolto nos seus pensamentos. 
Quem adivinha o que vai na cabecinha pensadora deste artista tão fascinante?

Foto JB







Isaura Gomes é daquelas mulheres que não deixa ninguém indiferente. Muitos a veneram, outros não assinam por baixo o estilo e o seu modo de fazer política. Independentemente das opiniões, estamos perante uma das mais marcantes mulheres da história de Cabo Verde, cuja coragem e frontalidade (há quem considere essa forma de estar uma irresponsabilidade) lhe tem trazido vitórias e dissabores. Faz campanhas eleitorais com a mesma naturalidade com que salta para cima de um palco a dançar para o seu povo, exteriorizando uma alegria e energia contagiante, incomodando aqueles que pensam que os políticos não se deveriam sujeitar a fazer tais "figuras".

Segundo esta noticia do Semana online, a presidente da Câmara Municipal de S.Vicente encontra-se novamente em repouso, depois ter desmaiado esta quarta-feira, 31, no seu gabinete, logo assim que chegou ao trabalho por volta das 9 horas.  Espero que recupere, até porque nem sempre estando em sintonia com Isaura Gomes, não posso deixar de lhe admirar o percurso de lutadora, de quem sempre procurou tirar da vida o melhor que a vida nos pode dar.

Que recupere o mais rapidamente possível, é o desejo aqui do Café Margoso.






"Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas."


Mark Twain - escritor





Cá está uma notícia (de ontem, portanto nada de confundir com as mentiras tradicionais deste dia) que me deixou água na boca: Al Pacino vai vestir a pele de Rei Lear numa adaptação da peça de Shakespeare para o cinema realizada por Michael Radford, o mesmo realizdor do filme "O Mercador de Veneza" (na imagem), que contou também com a participação do actor americano. Aliás, quem viu o filme, guarda certamente na memória a espantosa interpretação de Al Pacino na famosa cena do monólogo do judeu. Mas não vai ser o único Rei Lear a ser visto nos próximos tempos. Uma segunda adaptação da peça de Shakespeare está também agendada e tem um outro peso pesado para o papel principal: Anthony Hopkins.

Lembro ainda que foi Al Pacino que na sua estreia como realizador em 1996, esteve atrás das câmaras num notável e pouco conhecido filme "À procura de Ricardo III", onde Pacino tenta levar Shakespeare ao comum dos mortais, criticando a ideia de que a obra do dramaturgo pertence ao mundo dos académicos e dos actores clássicos. Uma mistura entre ficção e documentário centrado na figura de Richard III, interpretado pelo próprio Al Pacino, constituído por excertos de acção filmada como ficção a partir da peça, entrevistas a actores como Kevin Spacey e James Earl Jones, imagens de ensaios e conversas com pessoas que Pacino encontrava nas ruas.

"O Rei Lear" é uma tragédia sobre um rei idoso que decide dividir o seu reino entre as suas três filhas, mas que acaba por perder tudo, incluindo a razão. É uma peça fascinante, e já foi adaptado para o crioulo aqui no Mindelo, em 2003. O actor Fonseca Soares foi quem vestiu a pele do mítico personagem. Agora, vai ter concorrentes de peso!


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