Quero dedicar este post a todos os visitantes e leitores do Café Margoso, especialmente a todos os que se dão ao trabalho de deixar aqui de quando em vez os seus comentários e as suas impressões, um enorme abraço.

Isto sem vocês, não teria metade da piada. 

Obrigado!

Bom fim-de-semana.






"Em Cabo Verde, temos talento e temos uma rica diversidade cultural. Porém, temos necessidade de mais formação, de mais organização, de mais e melhor acesso ao financiamento, de mais incentivos, de mais infra-estruturas culturais, de mais cooperativismo entre os artistas, de mais investimento público e privado no sector, de instituições culturais com maior e melhor capacidade de reposta."

Declarações proferidas esta semana por Manuel Veiga, Ministro da Cultura desde 2004





Que legenda para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café





Política: uma via com dois sentidos


        O discurso ANTES DA POSSE

        O nosso partido cumpre o que promete.
        Só os tolos podem crer que
        não lutaremos contra a corrupção.
        Porque, se há algo certo para nós, é que
        a honestidade e a transparência são fundamentais.
        para alcançar os nossos ideais
        Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
        as máfias continuarão no governo, como sempre.
        Asseguramos sem dúvida que
        a justiça social será o alvo da nossa acção.
        Apesar disso, há idiotas que imaginam que
        se possa governar com as manchas da velha política.
        Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
        se termine com os marajás e as negociatas.
        Não permitiremos de nenhum modo que
        as nossas crianças morram de fome.
        Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
        os recursos económicos do país se esgotem.
        Exerceremos o poder até que
        Compreendam que
        Somos a nova política.



        O discurso DEPOIS DA POSSE

        Basta ler o mesmo texto acima, de baixo para cima. Genial, não é?





No mundo há três tipos de pessoas: as boas, as más e as assim-assim, sendo que 99% das pessoas são desta última categoria, ou seja, não são nem totalmente boas, nem totalmente más. Acredito, no entanto, que há algumas pessoas que são boas por natureza e outras que não conseguem ser senão más para o seu semelhante. Entenda-se por pessoas boas o que a palavra indicia: propícias à bondade, sempre prontas para fazer bem aos outros. 

Ora, no que me tem sido dado a conhecer, e compreendo que haja sempre quem considere estes juízos de valor demasiado injustificados ou mesmo perigosos, o Djinho Barbosa está no pequeno grupo das pessoas intrinsecamente boas com quem já me cruzei na vida e digo isto à vontade porque não tenho para com ele qualquer dívida de gratidão que pudesse ser paga com um texto tipo manteiga. 

É daquelas pessoas que fica na sombra para os outros brilhar, embora seja ele próprio um músico com toda a competência, o que facilmente se comprova com uma simples audição do seu trabalho discográfico Trás di Son. Além de que, como já tive oportunidade de dizer, tem uma casa reveladora de um bom gosto excepcional. Gosto de conversar com ele, de partilhar com ele a sua sabedoria e é isso que espero fazer no próximo Sábado no concerto que ele nos vai proporcionar no Quintal da Música. Aí poderei dar-lhe os parabéns pessoalmente.

 Fotografia de Djinho, de Abraão Vicente





O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

Affonso Romano de Sant'Anna

Fotografia de Anton Martynov (via: Jumento)


Tem piada!



Fiquei muito contente com a vitória do Barcelona na final da Liga dos Campeões. Por várias razões entre as quais estão o facto de ser um clube de uma região com forte identidade própria e que ombreia contra o centralismo obsessivo de uma capital e a histeria habitual dos adeptos rivais madrilenos (fazendo lembrar o que se passa ali ao lado num país vizinho); por ser a vitória do futebol espectáculo da equipa que mais promoveu a modalidade durante o ano; por ser a vitória de um treinador novo (o mais novo a conquistar o troféu na história da competição) ousado, inovador e corajoso; por ser a vitória da fantasia  de um Messi sobre a arrogância e má criação de um Ronaldo; e porque fica sempre bem festejar a vitória da única grande equipa da Europa que ainda não vendeu a sua camisola a interesses comerciais e tem a Unicef estampada nos seus equipamento. Ontem, o mundo foi justo.



A areia do Sahara invade Cabo Verde, fazendo lembrar O Solitário de Tchalê Figueira (fotografia NASA).






Via: aqui




"Oh nha txukim! 
Ess koza e un grand tempestad num kopu d'agua..."




Que saudade dos empurrões nas bilheiras dos cinemas do Mindelo! Aqui, fila de gente ansiosa para conseguir um bilhete para o Cinema Miramar.




No Mindelo um bando consegue assaltar uma caixa multibanco na principal praça da cidade, entrando pelo local onde funcionava a bilheteira do antigo cine-teatro Éden Park, furando parede e dando conta do recado, em plena febre de Sábado à noite. Na cidade da Praia, uma nova onde de assaltos com um novo modus operandis parece querer assustar a capital do arquipélago, e esta consiste na entrada de rompante de um bando de assaltantes encapuçados em restaurantes, na hora de maior movimento, levando tudo o que estiver à frente, como uma onda que vai e vem e nos deita no chão sem darmos conta do que se terá passado. Um certo tipo de violência que ainda desconhecíamos parece querer entrar no país e tudo isto é muito preocupante.  




O blogue Notas ao Café é um dos mais completos sobre actualidade existente na blogosfera em língua portuguesa e com uma particularidade muito interessante que faz deste espaço, um espaço de referência: todos os artigos são ilustrados com cartoons. Segundo o gerente do estabelecimento, "aqui o mundo é visto, na maioria dos casos, por cartoons – cartoons editoriais na sua maioria -, não que se veja o mundo a brincar, nem é esse o objectivo de um cartoon; é uma forma de retratar um acontecimento do nosso quotidiano, com algum humor, onde se mostra muitas vezes como este mundo não tem piada nenhuma." Vale a pena uma visita diária, como quem bebe um café, logo pela manhã. É o Café da Semana.


Notas ao Café: aqui



Segundo o sítio de A Semana, a esperança de vida dos cabo-verdianos aumentou de 65 para 66 anos para os homens e de 69 para 71 anos para as mulheres, tendo em conta os últimos dados foram divulgados pelos Serviços de Organização Mundial de Saúde (OMS). Até aqui tudo bem. Mas logo depois pensei cá comigo que esta coisa do homem querer ser primeiro que a mulher em tudo, só pode ser a principal razão para ser também o primeiro nessa actividade nada agradável que é bater as botas. Ironia do destino? Questões de genética? É o Criador a devolver a respectiva costela? Nada disso. Ao contrário do que possa parecer, a questão é bem mais óbvia e está à vista de todos: ser homem é mais perigoso, principalmente se for daqueles homens com agá grande, um macho como mandam as regras.

Pois é, numa conversa com uma grande amiga, que desenvolve um programa de capacitação direccionado para homens (não, essa capacitação não é sobre... isso!), explicou-me como funciona essa estatística da esperança de vida, e claro, tem toda a lógica. Contabilizam-se todos os mortos, divide-se machos e fêmeas para cada um dos lados, certificam-se as idades dos óbitos e faz-se uma média. Simples. E não tem nada de genético e tudo de matemático. Os homens morrem mais cedo simplesmente porque são mais estúpidos do ponto de vista comportamental. Eu sei, o pessoal está chocado, não se chama estúpido a metade da Humanidade impunemente, mais a mais, quando é essa franja que desde sempre domina o Planeta e não parece querer abdicar dessa condição. Se em vez de estúpido utilizasse o termo bruto, a coisa caíria melhor. Homem que é homem, tem que ter algo de Brutus em si, não é?

A esperança de vida do homem é menor porque este vai menos ao médico, cuida menos da sua própria saúde, entra em competições por tudo e por nada, como por exemplo ver qual o carro ou motorizada que anda mais depressa numa auto-estrada, bebe mais e nunca se acha impedido de conduzir, acha pouco macho utilizar preservativo, continua a considerar que muitas questões se tratam à base da porrada pura e simples. Um tipo que vai ao médico fazer chekup's anuais, não tem um espírito competitivo demasiado aguçado, não anda a alta velocidade só para impressionar terceiros, se beber além da conta entrega a chave do carro a quem bebeu menos, gosta e incentiva a resolução de problemas através do diálogo é logo tachado de grande maricas. Ser homem, pelos vistos, é um desporto radical, e por enquanto que a malta continuar a achar que isso é muito kool muito nice e viva a adrenalina e soku na rostu etecetera e tal, não há estatística que nos valha!





«Neste país só os coitadinhos é que são presos."

Arnaldo Silva - Bastonário da Ordem dos Advogados de Cabo Verde




Tem estado a decorrer no Centro Cultural Português, na Praia e no Mindelo, um ciclo de documentários que não pára de nos surpreender. Devo dizer aliás, que cada vez mais sou adepto da linguagem do cinema documental e tenho visto grandes obras de arte neste formato que em nada desmerece o cinema tradicional, e por isso tem conseguido ocupar o seu lugar, cada vez com maior destaque. Prova disso são os inúmeros festivais do género e o facto de alguns documentários fazerem carreira comercial nas salas de cinema, alguns deles com grande sucessso. O exemplo mais paradigmático é o Fahrenheit 9/11, do americano Michael Moore. Mas há mais.

Ora este ciclo designado Maio.Doc, e que passou a ser este ano uma extensão do DocLisboa, tem trazido excelentes surpresas a Cabo Verde, entre eles o "Ruas da Amargura" de Rui Simões (filme extraordinário sobre os sem-abrigos de Lisboa) ou "Gravura, uma Mútua Aprendizagem" de Jorge Silva Melo (sobre a arte da gravura, muito interessante principalmente para quem se interessa por arte e história de arte). Já agora, integrar filmes documentais cabo-verdianos, sempre que possível, talvez não fosse uma má ideia.

O ciclo está a decorrer e assim será até ao final do mês. A entrada é sempre livre e as sessões nos respectivos centros culturais acontecem ao final da tarde. É só informarem-se do programa e aparecerem. Vale a pena.



Vem aí!



O prometido é devido e aí vem a 1ª Mostra de Fotografia Contemporânea Caboverdiana, cuja abertura oficial está marcada para amanhã, dia 27 de Maio, quarta-feira, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal da Praia, patrocinador oficial deste evento. 17 fotógrafos terão os seus trabalhos exibidos em três diferentes espaços da cidade: Câmara Municipal da Praia, Centro Cultural Francês e IILP - Casa cor de rosa, todos no Plateau. Parabéns pela iniciativa.






«Os homens são atormentados pelo pecado original dos seus instintos anti-sociais, que permanecem mais ou menos uniformes através dos tempos. A tendência para a corrupção está implantada na natureza humana desde o princípio. Alguns homens têm força suficiente para resistir a essa tendência, outros não a têm.»

Aldous Huxley





Há alguma coisa que anime mais um lugar em crise
do que uma guerra aberta entre jornalistas e advogados?


À melhor resposta, ofereço um café
Se não perceberam o motivo da pergunta, vejam aqui.





“Os jovens, hoje, falam pouco e mal por culpa dos adultos. Chegam a casa e ninguém conversa com eles. Uns adultos estão a ver televisão, outros estão a olhar para o computador.”

Alice Vieira - escritora portuguesa

Imagem: montagem de David LaChapelle




Eis uma excelente notícia para quem sofre de alguma incontinência urinária: a Fundação SOS Mata Atlântica, uma das mais importantes ONG de defesa do ambiente do Brasil, lançou na passada sexta-feira uma campanha publicitária inédita para poupar água, estimulando as pessoas a urinar durante o banho.

Dessa forma, pretende-se mobilizar as pessoas para a importância da preservação do ambiente e mostrar que uma descarga a menos por dia equivale a 4.380 litros de água potável por ano. "Queremos chamar a atenção para uma questão importante como a da preservação ambiental e decidimos fazer uma brincadeira séria", disse o director da organização, Mário Mantovani. O responsável salientou que a campanha publicitária "Xixi no Banho" pretende mostrar, de maneira mais descontraída, como um simples acto pode contribuir com a preservação do ambiente.

"Vamos mostrar que quem não faz nada (pela preservação do ambiente), pelo menos, que faça xixi no banho", salientou. Somente em São Paulo, a maior cidade brasileira, o hábito de urinar no banho pode poupar mais de 1.500 litros de água por segundo. A campanha sublinha que o acto é higiénico e não transmite doenças, uma vez que a urina é composta por 95 por cento de água e 5 por cento de outras substâncias como ureia e sal.

Desde que não seja num local público, como uma piscina ou um balniário colectivo, não vejo nenhum mal. Para os homens é um descanso, porque já não se coloca a obrigatoriedade de subir o tampo da sanita nem precisamos de fazer mira para acertar na sanita! Xixi no banho, pois! (Agora que está provado que é politicamente correcto, vá lá, confessem que nunca fizeram xixi enquanto tomavam banho! Pois.... mentirosos!)






Mudar de vida

Ela - Já disse ao meu marido que preciso de ter uma vida mais activa. Preciso inovar e que cada dia da minha vida seja diferente do outro.
Eu - Fazes bem, se é isso que sentes. A ver se ele te acompanha nesse desafio, então...
Ela - Eu não quero que ele me acompanhe. Quero que ele me deixe em paz.


Bagaço Amarelo in «Não Compreendo as Mulheres»

Fonte: aqui
Fotografia de Jean Sébastien Monzani





Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dürer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.

Fingir que no passado aconteceram
Persópolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.

Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.

Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luís Borges





      Bom fim-de-semana





    O Elogio da Arrogância

    1. Em conversa de amigos, discutiamos sobre o feitio do treinador José Mourinho. Considerado por muitos um dos melhores treinadores de futebol do mundo, é também conhecido por ser portador de uma arrogância quase tão estratosférica quando as suas reconhecidas capacidades.

    2. Na sua primeira conferência de imprensa, em Inglaterra, disse: "I'm the special one!" Não só foi uma frase que apanhou todos desprevenidos, nomeadamente a implacável classe jornalística inglesa, como se veio a revelar um notável golpe de marketing. O nominho pegou e esta é uma designação que, de imediato, identifica o técnico em qualquer parte do planeta.

    3. Se o seu passado profissional já lhe dava algum crédito para abrir a boca e dizer o que disse, o futuro veio a dar-lhe toda a razão. Não só foi campeão no primeiro ano em Inglaterra, algo inédito, como o conseguiu numa equipa que não vencia o título há cerca de 50 anos. Daí para cá, a história é conhecida: coleccionou títulos, e foi campeão no seu primeiro ano de trabalho em Itália, outro feito inédito.

    4. Ou seja, a José Mourinho hoje perdoa-se-lhe aquele ar de enfado e superioridade que coloca em cada gesto que protagoniza em público, mesmo quando jura a pés juntos que é um tipo humilde que gosta de aprender com os outros. A arrogância desta figura é sustentada pelo talento que a justifica.

    5. Vem isto a propósito da mais recente entrevista do escritor e poeta José Luiz Tavares ao semanário A Nação, que nos mostra um homem sem papas na língua, que fala curto e grosso, e que se diverte com isso. É um poeta que acredita na sua obra e tem todas as razões e mais alguma para o fazer.

    6. Confesso que não pude deixar de sorrir com muitas das passagens da entrevista, não apenas pelos conteúdos e pela forma quase desbragada com que foram ditas, mas sobretudo ao imaginar a reacção ofendida, emproada e saltitante de muitos seus colegas ao ler aquelas palavras. "Mas quem é que este tipo pensa que é?"

    7. Ah, podem perguntar, que ele responde. Em primeiro lugar, está-se nas tintas para o que designa de "senhores feudais da literatura cabo-verdiana e da lusofonia, os compadres do elogio mútuo e das palmadinhas no ombro." E depois, mais há frente diz a frase que faz manchete na primeira página: "por ora, sou o único escritor cabo-verdiano do século XXI." O nosso special one!

    8. Tal como o exemplo dado no início desta crónica estou profundamente convicto que o poeta assim fala porque conhece a sua própria obra e sabe onde ela está e para onde ela o pode levar. Há, pois, uma diferença muito grande, como da água para o vinho, do preto para o branco, entre a natural e intrinseca basofaria crioula e declarações como estas, sustentadas num percurso sólido, competente e inovador, no que foi designado pelo crítico literário António Cabrita de "um caso literário a que só a miopia de uma certa crítica obcecada com os graus de parentesco não dá o devido relevo."

    9. Se há algo que reflecte, numa primeira e apressada leitura, a poesia de José Luiz Tavares, e como leigo falo, é um apuro levado às últimas consequências, uma exigência obcessiva no tratamento dado a cada palavra, diria mesmo a cada sílaba e a cada letra. Um domínio absoluto da língua portuguesa que é resultado, percebe-se, de um trabalho de formiga, paciente, apaixonado e insatisfeito.

    10. Portanto, José Luiz Tavares é daquelas pessoas a quem se deve dar o direito pleno à arrogância, não no sentido de um posicionamento em bicos de pés, de quem quer parecer mais alto do que realmente é, mas de quem se conhece a si próprio, sabe e contabiliza cada gota de suor gasto na concepção da sua obra e não vê nenhuma razão para não gostar de si próprio, a não ser por razões de falsas e hipócritas modéstias. Felizmente para nós, nunca foi por aí.

    11. Há mais gente assim. no chão das ilhas. E distinguem-se bem e em primeiro lugar no discurso e na obra, vista em retrospectiva. E em todo o lado é assim: há aqueles que se destacam, não porque tem mais competências na cada vez mais popular arte de lamber botas e subir as escadas do poder às custas de falsas amizades, mas porque são simplesmente melhores que todos os outros naquilo que fazem.

    12. Neste sentido, este tipo de arrogância tem tudo de transparente e por isso acredito que é, inclusive, um bem social. Claro que no meio destas pessoas únicas sempre há, e há-de haver, quem queira apanhar uma boleia, pretendendo utilizar um discurso em tudo semelhante, mas facilmente desmontável.

    13. O tempo, meus caros, é o maior juiz para tudo. É implacável, justo e não há como fugir ou discordar da sua sentença. E se o ditado nos diz que "dos fracos não reza a história", é porque o tempo acaba sempre por trazer à tona e às páginas dos compêndios aqueles cuja obra deixou marcas, marcas essas que não se compadecem com falsas modéstias. Os special one's existem, e felizmente, Cabo Verde também tem os seus.


    Mindelo, 22 de Maio de 2009, 
    numa crónica dedicada, naturalmente, a José Luiz Tavares


    Ilustração de Kehinde Wiley



    Um conjunto de artistas australiano, que juntos foram o The Glue Society tornaram público o seu último projecto que não só é potencialmente polémico como é bastante original e criativo. O trabalho é composto por um conjunto de imagens manipuladas digitalmente que procuram representar uma série de episódios bíblicos como se fossem observados de um satélite, inspirados no Google Earth. É muito, muito interessante. O meu preferido? A cena da Crucificação.




    Moisés atravessando o Mar Vermelho




    A Crucificação




    Adão e Eva no Jardim do Éden (onde estão eles?)




    A Arca de Noé encalhada após o fim do Dilúvio


    Fonte: aqui
    Via: aqu
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    Tirando o cancro da próstata, o pior que pode acontecer a um homem é ser o confidente de duas colegas que se odeiam ou dar algumas voltas na Praça Nova do Mindelo ao Sábado de noite e ninguém reparar nele?


    À melhor resposta, ofereço um café




    Desde que sobrevivemos à passagem do Milénio, onde segundo as muitas previsões o apocalipse finalmente se viria a revelar nas suas múltiplas formas, raramente ouvimos alguém a falar do fim do Mundo. Já não temos Testemunhas de Jeová a batermos à porta num Domingo de manhã a anunciar o terrível desenlace. O que sabemos é que o nosso planeta pode não ter chegado no fim, mas está completamente louco. Não morremos, mas estamos a ser castigados!

    E Cabo Verde não foge à regra. Não admira que um tipo com língua solta e pena certeira não aguente muito tempo sem escrever um blogue, porque todas as semanas há acontecimentos que dão vontade de não ficar quieto. Um amigo meu dizia, num misto de frustração e piada, que pelo andar da carruagem só via duas soluções: "emigração ou revolução!" É um lema interessante para um ciclo de palestras a organizar por um instituto qualquer, não acham?

    Os debates parlamentares; os preços das telecomunicações e de muitos outros produtos de primeira necessidade; o estado do Estado Cultural; o povo adormecido não pela inércia mas como resultado directo da sua enorme apetência por essa nobre actividade que é a paródia; o culto das seitas invadindo os espaços públicos; as nomeações para altos cargos do Estado que ninguém entende e quase todos invejam; as ressurreições políticas fora do período da Páscoa; os negócios de terrenos mal explicados; os dossiers acusatórios que entram na justiça mas nunca de lá chegam a sair; os empreendimentos aprovados porque entre o "desenvolvimento sustentado" e as preocupações ambientais deve-se privilegiar o primeiro, como se este não dependesse de um respeito ambiental à partida; e por aí fora.

    Quem desconfiasse que todos estes acontecimentos tiveram lugar nas últimas semanas, diria que estamos bem próximos de um novo apocalipse. Mas não, isto é apenas o resumo da animação que por aqui vai. Com certeza que pelo meio há muita competência, trabalho, obra, evolução. Inauguram-se estradas, centros de saúde, estações de dessalinização, traficantes são apanhados nas fronteiras dos aeroportos, enormes comitivas internacionais estão de visita ao arquipélago provocando um tremendo rodopio diplomático constante, mostrando que o país não pára, pelo contrário, pulsa, pujante e divertido, porque afinal de contas vem aí mais um grande festival de música, patrocinado por uma não menos poderosa marca de cerveja e pelo menos durante dois dias o povo vai pular e saltar e beber e celebrar os seus heróis sem pensar no dia de amanhã. Como naquela passagem d'ano em que se anunciou o fim do Mundo. Pelas vias das dúvidas, o melhor é festejar mesmo, nunca se sabe o que pode acontecer.





    "Escolhes a pílula azul e a história termina. Acordas na tua cama e acreditas no que preferires. Escolhes a pílula vermelha e ficas no País das Maravilhas."

    Morpheus in Matrix



    Vai estar hoje a tocar no Mindelo, para apresentar o seu último trabalho "Eclipse"

    Lura



    A gente olha para esta imagem e não resiste em utilizar esta expressão bem mindelense: "Ah Lura, ess p'doss de mau kamim!" Para quem estiver interessado, o concerto é ali no largo do MindelHotel e deve começar por volta das onze da noite.



    Conhecido como um dos países mais católicos do mundo, onde o aborto é ilegal e a educação sexual nas escolas reprimida, a Irlanda vive momentos complicados com a divulgação ontem de um relatório sinistro que torna público um número espantoso de abusos sexuais em orfanatos católicos daquele país europeu. "Há relatos de violações e de agressões. De medo causado por uma disciplina severa. O relatório sobre o que se passou desde 1936 em instituições católicas irlandesas para acolhimento de crianças era esperado há muito tempo e está a deixar a Irlanda chocada. São 2500 páginas em que se conclui que mais de 2000 crianças sofreram abusos físicos e sexuais e que líderes da Igreja Católica sabiam o que estava a acontecer."

    Lá está. Os crimes de abusos sexuais são, à partida, abomináveis. Mas o silêncio cúmplice da Igreja é muito mais grave e condenável.

    Ler a notícia completa, aqui


    O Hiena está em forma e não perde tempo. Fantástico!






    João Bénard da Costa 
    1935 - 2009

    Director da Cinemateca Portuguesa durante mais de 30 anos e autor dos mais lúcidos e apaixonados textos sobre cinema escritos em língua portuguesa, foi com ele que aprendi a gostar de filmes. Sobretudo dos bons. Vai demorar tempo a preencher este vazio.

    Fonte: aqui



    "S. Vicente está no marasmo,
     muito graças ao sono profundo dos seus habitantes."

    Neu Lopes - activista cultural




    Há quem não acredite em Astrologia e considere tudo um perfeito disparate. Há, pelo contrário quem acredite cegamente e não consiga dar um passo sem consultar as estrelas, as constelações e os planetas. Há aqueles, finalmente, que sendo cépticos, não resistem em espreitar o tal artigo na revista ou no jornal que fala das "características do seu signo", só para ver se bate certo. Por curiosidade, claro! 

    A mente humana é tremendamente sugestionável, está comprovado. Os ilusionistas fazem do aproveitamento dessa característica a sua arte e o seu modo de vida. De maneira que, mal ou bem, a gente acredita no que quiser e arranjamos sempre altas teorias para comprovar o nosso ponto de vista. Com o Zodíaco é um pouco a mesma coisa. Acabamos sempre por "encaixar" num ou noutro conjunto de qualidades e defeitos e pensamos para nós próprios: "não pode ser!". 

    Esta sugestão, que já circula na Internet há muito mas que só hoje me foi revelada, é fantástica para quem acredita ou não, para que gosta ou não, porque tem muita piada. E é absolutamente implacável com todos, ninguém se safa. De qualquer forma o meu conselho é: ouçam primeiro a descrição do vosso signo. Podem até desanimar um pouco, mas tenham lá calma: respirem fundo e ouçam as descrições dos outros, e se possível, ligando esses outros a pessoas que vocês conheçam (de preferência, pessoas que detestem). Vão ver que é uma terapia fenomenal!

    Respirem fundo, preparem-se e venham lá: aqui





    Apenas (mais) uma Teoria da Conspiração


    I Parte: as perguntas
    • Sabiam que o vírus da gripe das aves foi descoberto há mais de 10 anos, no Vietname?
    • Sabiam que desde então morreram "apenas" 100 pessoas, em todo o mundo, durante esse período? (A gripe "normal" mata milhares todos os anos, nos EUA).
    • Sabiam que foram os norte-americanos que alertaram sobre a eficácia do fármaco Tamiflu como preventivo contra a gripe das aves?
    • Sabiam que esse tal fármaco apenas alivia alguns sintomas da gripe comum?
    • Sabiam que a sua eficácia perante a gripe comum está a ser questionada por grande parte da comunidade científica?
    • Sabiam que o governo brasileiro divulgou que tem stoque do tal remédio Tamiflu para atender cerca de 9 milhões de pessoas?
    • Sabiam que perante um suposto virus mutante como o H5N1, o Tamiflu apenas aliviará a doença?
    • Sabiam que quem comercializa o Tamiflu é o laboratório de uma das maiores companhias de medicamentos do mundo, com sede na Suíça, mas cuja fábrica nos EUA é uma das maiores do mundo?
    • Sabiam que quem comprou a patente do Tamiflu em 1996, foi a uma empresa americana cujo Presidente e principal accionista é um ex-Secretário da Defesa dos EUA?
    • Sabiam que a base do Tamiflu é o anís estrelado?
    • Sabiam que a tal empresa de medicamentos foi quem ficou com 90% da produção mundial desta planta?
    • Sabiam que as vendas do Tamiflu passaram de 254 milhões de dólares em 2004 para 1000 milhões em 2005?
    • Dá para imaginar quantos milhões mais pode ganhar a tal empresa de medicamentos nos próximos meses, se continuar este negócio do medo?

    II Parte: o resumo da história

    Estórea, estórea: os amigos da América decidem que um fármaco como o Tamiflu é a solução para uma pandemia que ainda não aconteceu. Um fármaco que não cura nem a gripe comum. Um vírus que não afecta o homem em condições normais. Um poderoso vende a patente do fármaco a uma poderosa companhia de medicamentos a troco de uma fortuna. Essa mesma companhia adquire 90% da produção do anís estrelado, base do antivírico. Os governos de todo o mundo ameaçam com uma pandemia e compram dessa mesma companhia quantidades absurdas do produto.

    Estaremos loucos ou somos idiotas? Nem uma coisa nem outra. Como diria o outro "It's the economy, stupid!"

    Fonteaqui


    Não resistiu. Não consegue estar calado. Tem que escrever o que lhe vai na alma. Como ele próprio confessa, "este país onde vivo é demasiado interessante para me furtar a essa…digamos uhhh…tentação! Sim, esse apetite de vez em quando jogar uns feitiços e ver no que dá." Pois é, cinco semanas depois do anúncio da morte do Ala Marginal, Abraão Vicente está de volta com um novo blogue: Linhas Rosa (com cocaína, ya?). 

    "Seria uma traição vestir o Ala de rosa", diz o autor. Para nós,  sinceramente, tanto nos faz. Festejamos o seu regresso, independentemente das suas características cromáticas. Cor mesmo, apenas desejamos que o seu humor continue como sempre tem sido, negro. Longa vida.

    Linha directa para as Linhas Rosa: aqui 



    "Já temos mulheres bonitas, mas ainda não temos o nosso Plano Estratégico da Cultura, cujo prazo de apresentação pública, anunciado pelo próprio titular da pasta, terminou ontem, por volta das vinte e três horas."




    Digo isto assim, curto e grosso: "Sim, Senhor Ministro" e "Sim, Senhor Primeiro Ministro" é, muito provavelmente, a mais genial série cómica de televisão de todos os tempos. Com o símbolo de qualidade da BBC, um elenco fenomenal (na imagem o actor Paul Eddington, o protagonista da série) e a política no centro do centro de todos os episódios. Imperdível.




    A não perder, o lançamento do novo livro de poemas de

    José Luiz Tavares

    "Lisbon Blues seguido de Desarmonia"



    Apresentação de Abraão Vicente, Nuno Rebocho e Fátima Fernandes


    Onde: Praia, Paços do Concelho, Câmara Municipal
    Quando: 21 de Maio / 18:30 horas


    Leiam, ainda, sobre a obra e o autor, a entrevista no Expresso das ilhas de quarta-feira, a crítica e entrevista no jornal A Nação de quinta-feira, e vejam entrevista à televisão de Cabo Verde, programa 180º, na sexta-feira.




    «Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.»

    Agostinho da Silva, in «Textos e Ensaios Filosóficos» (Via: Notas ao Café)

    Imagem: Hell de Escher




    Lucros da Cabo Verde Telecom atingem 2,5 milhões de contos em 2008. No mesmo período apoiou os sectores de saúde, a pobreza, a educação, a cultura, o desporto e os deficientes com o montante global de cerca de 70 mil contos (o que corresponde a 2,8% dos dividendos obtidos). Nada mau, em tempos de crise.





    Tendo em conta que os blogues eróticos escritos por mulheres são os mais procurados em quase todos os países, o facto de ainda não terem chegado à blogosfera cabo-verdiana é um claro sinal da competência dos machos cabo-verdianos ou apenas ainda não aconteceu porque elas não gostam de partilhar questões mais intimas, mesmo que sob a capa do anonimato?


    À melhor resposta, ofereço um café







    Quem quiser pode ver aqui o excelente trailer do filme "Tarrafal" de João Paradela. Espera-se, ansiosamente, que o mesmo possa ser apresentado também na cidade do Mindelo.

    Ver aqui


    Num desfile do Festival de Moda de Fortaleza deste ano, a marca Lamanda fez questão de utilizar modelos de Cabo Verde, e percebe-se porquê. Bela passarele!











    Fonte: aqui


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