
Assim não! Anda um gajo aqui a publicar gráficos com a descida do petróleo nos mercados internacionais, a fazer um autêntico relato de futebol do tipo "e vai, finta pela esquerda, lateraliza, mete a bola para o gasóleo, uma transição defesa-ataque de grande categoria, senhores espectadores, passa pelos 140, 120, 100 escudos o barril, sempre a descer, finta, temporiza, passa a bola para a gasolina sem chumbo, uma finta, duas, três, atenção, invade a grande área, pode ser golo, ai, ai, ai, e é mesmo! Gooooooolo!", e afinal...
Pois é, foi um daqueles momentos inesquecíveis. Depois de não sei quantos artigos e chamadas de atenção sobre o facto espantoso de os combustíveis estarem a um preço absurdo apesar do petróleo estar a ser vendido a um terço do valor de há um ano atrás, eis que finalmente se anuncia em Cabo Verde uma baixa do preço deste produto essencial. E que descida! A gasolina, por exemplo, desce 40% duma só vez. Um tombo que a faz ser vendida a menos de 100 paus o litro. Só posso aplaudir de pé, até porque não tenho carro.
E porque não tenho carro, espero que a seguir desçam também os preços da luz, da água, dos transportes terrestres, das viagens de avião, do pão e por aí fora, porque sempre que os preços dos combustíveis subiam, estes e muitos outros produtos também iam pelo mesmo caminho, porque eram produtos cujo processo produtivo "dependia dos combustíveis". Pelo menos era isso que nos diziam. Só espero que, agora que viajamos em sentido contrário, a lógica seja exactamente a mesma.