A mulher que seduz vários homens inteligentes
é uma sedutora ou uma intelectual?


À melhor resposta, ofereço um café






«Este vibrante filme de Desplechin é um dos mais magníficos retratos de mulher de que o cinema destes dias é capaz
Jorge Leitão Ramos, Expresso

Londres, fim do século XIX. Esther Kahn vive no East End. Os seus pais são emigrantes judeus. Trabalham todos no atelier de costura da família. Esther é lenta e teimosa, nunca tem uma opinião sobre nada, nunca sente nada por ninguém: é uma pedra. Um dia, no teatro, Esther "acorda" e anima-se: porque ela não vê as peças como os outros, ela vive-as. Decide tornar-se actriz. Começa então a aprender a representar e a viver. E são estas lições que, de repente, uma noite em palco, a fazem revelar vinte anos de vida reprimida.

Um filme extraordinário, sobre a vida e sobre a força do teatro. Uma interpretação perfeita da actriz Summer Phoenix. A ver, absolutamente.


Obrigado, ZCunha






Houve uma época em que acreditava cegamente no chamado amor à primeira vista, até porque para ele não era muito dificil criar essa ilusão, uma rapariga mais atrevida piscava-lhe o olho, e já naquela cabeça se anteviam as mais complexas e enredadas histórias de amor. Mas de todas as experiências mal sucedidas que teve por causa destes julgamentos mais que precipitados, das centenas de mulheres que por puro acaso olharam para ele no exacto momento em que ele lhes punha a vista em cima, houve uma vez em que as consequências foram tudo menos ligeiras, foi uma daquelas paixões devastadoras, que não durou apenas alguns dias, foram meses de sofrimento devido a um simples olhar, podia-se dizer que ele esteve no lugar errado, na hora errada, olhando para a mulher errada, sendo verdade que nos primeiros capitulos do episódio que agora se conta, momentos houve de grande felicidade, de incontável alegria, de desmesurável ternura e de secreta cumplicidade. O problema é que foi sol de pouca dura, estamos todos cansados de saber que quanto maior a ascenção maior a queda, e o seu coração acabou por pagar na mesma moeda tudo o que de bom havia vivido, mas em proporções desiguais, pois que esta foi uma marca que lhe ficou até praticamente ao fim da vida, quanto mais não seja porque depois desta aventura nunca mais defendeu com a mesma certeza o preceito inabalável da teoria do amor à primeira vista, embora seja também verdade que nunca foi capaz de o abandonar totalmente, não seria por causa de uma mulher, por mais extraordinária que fosse, que ele iria deixar de se impressionar com um olhar bem direccionado, na medida certa e na ocasião precisa.


Ilustração: sem título by Eddi Shtern
Via: Jumento





Receita: fechar os olhos e simplesmente,
ouvir






«Monólogo de Orfeu», de Vinicius de Moraes dito por Maria Bethânia


Bom fim-de-semana




Cartoon de Clay Bennett

É uma vergonha que tão poucos falem sobre isto!



Via: aqui




Desprendimento




Para ver melhor, clicar na figura




O Olhar de Fora

1. Gosto de actuar, de estar no palco. Mas o meu maior problema é que sou também o encenador das peças de teatro onde actuo. Quando da montagem da peça «A Última Ceia», onde estive como actor e encenador, o elenco tratou de me avisar para não me ir habituando. Precisam de mim, «do lado de fora», diziam eles;

2. Isto para dizer que muitas vezes, este «olhar de fora» é fundamental. Quando estamos «por dentro» só vemos determinados aspectos, uma perspectiva totalmente diferente - não necessariamente a mais certa ou errada. Mas se por um lado estar «por dentro» nos permite um maior conhecimento pela própria vivência, por outro, cria o perigo de nos colarmos a uma visão redutora, pessoalizada, apaixonante;

3. Assim, muitas vezes, o «olhar de fora» pode mudar a forma como vemos as coisas. Como homem do teatro isso para mim é muito claro. É um olhar que não está nem treinado nem anestesiado para que se veja apenas aquilo que se pretende ver. É um olhar descomprometido. O olhar da primeira impressão. E como sabemos, não há como uma primeira experiência de qualquer facto de vida, para nos marcar para todo o sempre. E como sabemos também, não há uma segunda oportunidade para se criar uma boa primeira impressão;

4. Vem isto a propósito da Crónica Desaforada do mês passado, «A Cidade e os seus Sintomas», e o desbravar de mágoas relativamente ao estado aparentemente triste da vida cultural da cidade do Mindelo. Foi escrita por alguém que aqui vive há 15 anos e portanto tem o olhar treinado. É uma visão «de dentro»;

5. Mas eis que sou surpreendido - ou talvez não - com um longo artigo acabado de publicar no último número da bela e conceituada revista «Rotas & Destinos», que trás uma chamada na capa que diz, nem mais nem menos, o seguinte: «Cabo Verde - como pode a cidade do Mindelo ter tanta animação?» Surpreendidos? Eu fiquei, mas o que ali vai escrito tem uma certa lógica. E tem o distanciamento frio e analítico de quem está «do lado de fora»;

6. O artigo, que ocupa 12 páginas com texto e muitas - e bonitas - fotografias da cidade e dos seus artistas (do fotógrafo Manuel Gomes da Costa), tem como título «Mindelo Terra Quente» e é assinado pelo jornalista João Ferreira Oliveira, que também me tinha entrevistado, na sua estadia na cidade do Porto Grande. Classifica o Mindelo como «cidade quente, cidade da morna, da música e das artes. Um microcosmos que só poderia existir em Cabo Verde mas que faria sentido em qualquer parte do mundo.»;

7. Vamos então destacar as partes mais interessantes deste texto. Começa com um parágrafo que enche de orgulho qualquer mindelense que se preze: «um país sem música é como um corpo sem sangue. Não tem vida. Seguindo este ângulo de abordagem não é preciso ser um médico especializado ou um melómano inverterado para nos apercebermos de que Cabo Verde emana saúde. O coração, a cidade do Mindelo, na ilha de S. Vicente»;

8. Claro que atribuir ao Mindelo essa qualidade cardiovascular, no que ao arquipélago diz respeito, é sempre discutível. Também a famosa morna de Jotamont, «Mindelo», o diz com todas as letras. Mas isso nem é muito importante, ainda que se possa não gostar muito da metáfora. Um coração, seja ele qual fôr, não vive por si só. E pode até estar doente. Além disso precisa de um corpo, de uma alma, de um pulmão, de um cérebro, de uma voz. Felizmente que não faltam em Cabo Verde lugares, ilhas, espaços para dar sentido a tudo isto;

9. «Ao Mindelo não se vem pela praia. Vem-se pela vida, depois é que se vai ao mar». Esta poética sentença dá continuidade ao artigo, que fala do «novo músico da moda», Toucim Bedj, que «tal com Abrunhosa, também nunca tira os óculos de sol» e escreve que «a culpa (positiva) desta personalidade artística e eclética pode muito bem ter os genes assentes no Porto Grande já que devido à sua estratégica posição geográfica, entre os continentes africano, americano e europeu, foi desde o século XVIII ponto de paragem de barcos, pessoas e tendências vindas de todo o mundo.» Já sabiamos disto, mas é sempre bom lembrar, desde que não sirva apenas para uma vivência saudosista que nunca levou a lado nenhum;

10. Continua a ronda pelos ícones da cidade: o Café Lisboa, «onde o mundo entra porta adentro, sem pedir licença»; ou a Casa Café Mindelo, «ponto de encontro de viajantes amantes de destinos alternativos, cabo-verdianos da classe média e mulheres de alta classe, numa osmose tão improvável quanto perfeita». Não se sabe se o articulista, nesta parte, se deixou entusiasmar pela beleza das nossas mulheres - o que é o mais natural - ou se está apenas a referir-se à posição social das mulheres que frequentam esse estabelecimento, já hoje símbolo da cidade;

11. A referência aos grandes eventos é inevitável. O Festival de Teatro Mindelact ou o Festival de Música da Baía das Gatas. E escreve: «quem está queixa-se de que deveria haver mais (não há sequer uma sala de cinema, tal como as salas de espectáculos são quase inexistentes), mas a verdade é que para quem chega há mais do que seria de esperar.» Depois continua a viagem, pelos bares e restaurantes com música ao vivo, dos novos valores, do Bau e do Voginha, «executantes de um estilo musical surpreendente», da Praça Amílcar Cabral e dos jovens que lá se encontram para «preparar a noite»;

12. Uma boa parte do artigo é dedicado aos artistas plásticos do Mindelo. Tchalé Figueira, Luisa Queirós, Manuel Figueira, Kiki Lima, Joana Pinto aparecem retratados. «Uma ilha pequena como São Vicente pode ser castrante, mas um atelier com a porta aberta para a rua e uma janela virada para o mar tem a dimensão do infinito.» Lindo, não é?;

13. O artigo termina com uma frase que mostra que o jornalista se encantou mas que procurou saber. Ou seja, fez o seu trabalho. «Também aqui o país, especialmente o Mindelo, estão de boa saúde, ainda que os mindelenses se queixem que tudo está mais calmo e que da loucura de outros tempos (recentes) restam apenas memórias. Quem diria...»


Este artigo, naturalmente, vale o que vale e não me faz retirar uma vírgula ao que escrevi há um mês atrás neste mesmo espaço de crónica. Mas que me fez bem ao ego, lá isso fez. Muitas vezes, no teatro como na vida, nada como um «olhar de fora» para nos fazer ver os outros lados que o mundo tem.

Mindelo, 28 de Junho de 2008



      Amiga, infinitamente amiga
      Em algum lugar teu coração bate por mim
      Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
      Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
      Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
      Como que cega ao meu encontro...

      Amiga, última doçura
      A tranquilidade suavizou a minha pele
      E os meus cabelos. Só meu ventre
      Te espera, cheio de raízes e de sombras.

      Vem, amiga
      Minha nudez é absoluta
      Meus olhos são espelhos para o teu desejo
      E meu peito é tábua de suplícios
      Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
      E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
      Como no mar, vem nadar em mim como no mar
      Vem te afogar em mim, amiga minha
      Em mim como no mar...


Vinícius de Moraes


Imagem: «Early Evenings» by Meta






Este é, muito provavelmente, o mais interessante realizador da sua geração e cada filme é, nem mais, um acontecimento (titulo do último filme estreado). M. Night Shyamalan, de seu nome, é de origem indiana, embora tenha vivido desde muito novo em Filadélfia, nos EUA. Tal como acontece com aquele que poderá ser considerado uma das suas principais referências - Hitchcock, actua quase sempre nos seus filmes (embora ao contrário do mestre inglês, não se limite a pequenas aparições, mas sim a papeis secundários). É nos truques de suspense e nos planos ambíguos dignos Hitchcock que M. Night Shyamalan tem conquistado a crítica e o público.

«Eu recuso o conformismo. Aonde isso me vai levar? Espero que A Dama na Água responda ainda mais que meus filmes anteriores para os estúdios olharem para idéias originais e promovê-las. Será uma vida mais diversificada, e filmes como Crash passarão a ser distribuídos por grandes estúdios. É mais arriscado que fazer Homem-Aranha 8.»

«Para sobreviver, é preciso atravessar o inferno, enfrentar a parte sombria e destrutiva que existe dentro de cada um de nós.»


Da lista de filmes realizados, contam-se alguns dos melhores que vi nos últimos anos:

«O Sexto Sentido» (1999)


«O Protegido» (2000)


«Sinais» (2002)


«A Vila» (2004)


«A Dama da Água» (2006)


«O Acontecimento» (2008)


Qual o melhor? Dificil responder!






A complexidade do Papel Higiénico

Ao fazer compras no supermercado, fiquei palerma com a linha de papéis higiénicos Neve.

Segundo o fabricante, Neve é um produto sofisticado, destinado às classes A e B, como o Neve Ultra, que já vem com algumas opções:

«Alto relevo de flores, perfume e uma micro-textura» que, segundo o texto da embalagem, proporciona aos seus felizes utilizadores «a suavidade de uma pétala de rosa»!

Perguntar não ofende: alguém já limpou o rabo com uma pétala de rosa?

Depois, temos o Ultra Soft Color, mais caro é claro! De cor laranja vem com «extracto de pêssego»... como se o rabo distinguisse a cor e sentisse o cheiro! Mas, o supra sumo é o Neve Ultra Protection, o top da linha.

Este Rolls Royce dos papéis higiénicos, além de conter «óleo de amêndoas», que garante «maciez superior e um cuidado maior com a pele», na sua delicada fórmula encontramos Vitamina E! Era só o que faltava: cagar e sair com o rabo vitaminado...

Recebido por mail




Sabe sempre bem, chegar perto e dizer simplesmente,
as coisas mais simples




Este Caetano, tem uma voz que nos embala...




Imagem: «Duna Mulher» de Luis Lobo Henriques







Não sou sócio, mas estou atento e considero isto uma excelente notícia:

«A empresa CV WiFi, com sede em São Vicente, começa a fornecer em Julho o sinal de Internet sem fios a um custo fixo de dois mil e quinhentos escudos/mês, já com IVA incluído, na cidade do Mindelo. O serviço fornecido não tem limites de tempo de utilização nem de tráfego, ou seja, não tem limite de downloads, de acordo com um dos sócios da empresa, Martinho Monteiro.

A CV WiFi, vai utilizar um fornecedor de serviço baseado no conceito rede sem fios (wireless) com velocidade de dois Gigabytes/segundo e navegação sem limites de tráfego. “Hoje estamos a testar o equipamento e inclusive já recebemos o sinal via satélite pelo que nos últimos dias de Junho, início de Julho, os nossos clientes já terão o sinal”, concretizou Martinho Monteiro. Para os clientes da nova empresa com computador fixo em casa ser-lhes-á facultado um receptor USB de forma a receberem o sinal emitido via ondas de rádio.

A CV WiFi vai disponibilizar vários pacotes aos seus clientes, sempre com custo fixo, sem que estes se preocupem com o tempo de utilização de Internet ou com megas adicionais. Na fase de arranque, a empresa vai fornecer uma banda mínima de Internet, com possibilidade de a aumentar conforme a adesão dos clientes.

Esta é uma empresa nacional, que dá os primeiros passos em São Vicente mas, vai chegar a todos os cantos de Cabo Verde, garante Martinho Monteiro. “A expansão vai acontecer naturalmente desde que consigamos os financiamentos necessários”, explica. A CV WiFi vai investir cerca de 160 mil contos neste projecto. A empresa promete ainda oferecer serviços nas áreas de desenvolvimento e alojamento de websites, streaming ao vivo de imagens e áudio, VoIP (Voice Over IP), para além de outras soluções.

Com a entrada da CV WiFi no mercado passam a ser três as empresas fornecedoras de serviços de internet a operarem em Cabo Verde. A CV Multimédia, do grupo CV Telecom, que opera a nível nacional e a Cabocom, sedeada na ilha do Sal, são as duas restantes empresas neste mercado.»


Fonte: Américo Antunes, aqui







Nome: Salma Hayek

Nacionalidade: México

E Deus criou a mulher...





Porque (algumas) imagens valem por mil palavras




«Desânimo» de um adepto sueco, após a derrota no Euro 2008...

Quem disse que perder no futebol não
pode trazer coisas boas nesta vida?







Se os homens preferem as loiras,
porque é que casam sempre com as morenas?


À melhor resposta, ofereço um café






Que legenda, para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café

Via: aqui






Aviso a tempo por causa do tempo

«Declara-se para que se saiba:

1.º que não apoiamos qualquer partido, grupo, directriz política ou ideologia e que na sua frente apenas nos resta tomar conhecimento: algumas vezes achar bom outras achar mau. Quanto à nossa própria doutrina, os outros hão-de falar.

2.º que não simpatizando com qualquer organização policial ou militar achamo-las no entanto fruto e elemento exacto e necessário da sociedade - com a qual não simpatizamos igualmente.

3.º que sendo nós indivíduos livres de compromissos políticos permaneceremos em qualquer local com o mesmo à-vontade. Seremos nós os melhores cofres-fortes dos segredos do estado: ignoramo-los.

4.º que sendo individualmente e portanto abjeccionalmente desligados das normas convencionais, temos o máximo regozijo em ver essas mesmas normas nos componentes da sociedade. Assim delas daremos por vezes testemunho e mesmo ensino.

5.º que não somos assim contra a ordem, o trabalho, o progresso, a familia, a pátria, o conhecimento estabelecido (religioso, filosófico, cientifico) mas que na e pela Liberdade, Amor e Conhecimento que lhes preside preferimos estes.

6.º que a critica é a forma da nossa permanência.

Acreditamos que nestes seis pontos fundamentais vão os elementos necessários para que o Estado, os Governos, a Policia e a Sociedade nos respeitem; nós há muito que nos limitamos neles e neles temos conhecido a maior liberdade. Não se tem do mesmo modo limitado o Estado, a Policia e a Sociedade e muito menos o seu ultimo reduto: a Familia. A eles permaneceremos fiéis pois todo o nosso próprio destino e não só parte dele a estes seis pontos andam ligados como homens, como artistas, como poetas e por paradoxo como membros desta sociedade

António Maria Lisboa (1928/1953) in "Poesia" assirio & alvim


Via, aqui






Dicionário do Diabo Margoso


Padre
Um cavalheiro que afirma conhecer o
caminho mais rápido na estrada para
o Paraíso, querendo aí cobrar portagem.

Ambrose Bierce










24 de Junho - dia de S. João

Eu vou até Ribeira de Julião...




Un tem uma Actriz Preferida di meu...





Charlize Theron

...kual é di bô?






Às vezes bastava um olhar distraído, e pronto, aquele olhar quer dizer algo, não pode ter sido obra do acaso, eu e ela aqui no mesmo lugar, qual a probabilidade de dois seres humanos se encontrarem assim, e mais do que isso, verem os seus olhares se cruzarem tão magnificamente, algo está para acontecer. A maioria das vezes não acontecia nada, logo se percebia que a mulher estava a olhar para um homem imediatamente atrás dele, que acenava com a mão, e rapidamente se desfazia o equívoco e a ilusão de que uma louca história de amor estaria para acontecer. Mas muitas outras vezes o desenlace não era assim tão simples. Poderia mesmo acontecer que acabasse por conhecer essa mulher do olhar fulminante, beber um copo, conversar um pouco. Nada mais natural. Mas para este homem não. Logo pensava em mil e uma coincidências, obras do acaso, o destino brincando com as nossas vidas, o teu signo combina com o meu, nasceste no mesmo dia que o meu maior amigo, incrível, pode lá ser uma coisa dessas, depois os gostos que coincidem, a música e o cinema, quando a conversa chega aos livros, então o caso torna-se mesmo sério, é mais dificil encontrar nesta terra alguém que se interesse por leitura do que estarmos no supermercado e darmos de cara com a nossa alma gémea.




Por vezes, sabe muito bem chegar ao ouvido do outro(a) e dizer, simplesmente, something stupid




Esta actriz, sim, sabe cantar...




          Quero apenas cinco coisas...

          Primeiro é o amor sem fim
          A segunda é ver o Outono
          A terceira é o grave Inverno
          Em quarto lugar o Verão
          A quinta coisa são teus olhos
          Não quero dormir sem teus olhos.
          Não quero ser... sem que me olhes.

          Abro mão da Primavera para que continues me olhando.


          Pablo Neruda

Imagem: fotografia de Manuel Libres Librodo Jr








«Em Portugal, eu, que era menina, mulher, simpática, social, esquisita, tímida e extrovertida, boa aluna, interessada, curiosa, crioula, cabo-verdiana, descendente de madeirenses, guineenses, portugueses e ingleses, tornei-me numa coisa só: numa preta


Eileen Barbosa, aqui




1. Vou ser entrevistado hoje à tardinha, no âmbito do programa «Nha Terra Nha Cretcheu» pelo homem-dos-óculos-vermelhos, vulgo o que anda sempre a 180º, gosta das crónicas sujas e anda tantas vezes a pregar no deserto. Uma coisa tenho a certeza: não me vão fazer perguntas idiotas. Espero estar à altura;

2. O Teatro Meridional vai repôr a peça «Contos em Viagem - Cabo Verde», em Lisboa. Estará em cartaz até 03 de Agosto, portanto não há desculpas. Quem vive por aí que vá ver. É um deslumbramento. Encenação de Miguel Seabra, música de Fernando Mota e uma actuação inesquecível da luso-caboverdiana Carla Galvão. Como a jornalista Rita Martins escreveu no jornal «Público», «sem dúvida, este é um espectáculo abençoado»;

3. Soube da notícia através dum comentário do Neu Lopes aqui no Margoso e fui verificar. De facto, a empresa CVWiFi prepara-se para entrar já a partir de Julho no mercado da Internet e, a ser mesmo como parece, vai revolucionar por completo o panorama actual. Por uma mensalidade perfeitamente suportável, a empresa proporciona Internet Wireless, com velocidade de 2M (!) e navegação sem limites de tráfego. Quando a esmola é muito, o Santo desconfia, mas eu quero acreditar. Já estou inscrito;

4. Há blogueiros desaparecidos. Por onde andam o Djoy Amado, do Djaroz e o Kaká Barbosa, do Son di Virason? Fazem falta!



Porque (algumas) imagens valem por mil palavras



Fotografia de Manuel Libres Librodo Jr., «Hay Play», série When Beauty Meets Charm

Fonte: aqui



Bom fim-de-semana







O que aconteceria a Romeu e Julieta,
após 15 anos de vida conjunta?


À melhor resposta, ofereço um café







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Fonte: aqui





«A minha costela marxista

A diferença de classe é, depois da anatomia, a mais nítida e actuante distinção entre as pessoas. E não há diferença sem conflito. Acreditar na luta de classes não é uma «ideologia»: a luta de classes é uma lei tão evidente e tão férrea como a lei da gravidade



Pedro Mexia, aqui
Imagem: «Abraço», de Klee




Un tem um Actor Preferido di meu...




Al Pacino

...kual é di bô?




Um dia, gostava de experimentar ser, apenas por um dia...
o Presidente da França



Nem é preciso dizer porquê, pois não?



Música, voz e imagem de Carla Bruni...





Depois dos post's do Tide e da Mnininha d'Soncent, ocorreu-me mais uma angustiante dúvida existencial, que deu origem, como habitualmente, a uma pergunta cafeana. Fui então fazer o famoso teste de orientação política que anda por aí a circular e o resultado foi este:



O meu maior espanto foi que o resultado deu «esquerda liberal», algo que eu nem sabia existir, embora me reveja no pequeno resumo que acompanha a imagem...

Definitivamente, preciso de ir ao divã!

Faça o seu teste, aqui






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A gerência






Muitas vezes me apanho a reflectir sobre esta coisa estranha que é o romantismo. Navegando descobri este texto do escritor Pedro Mexia, irónico quanto baste, mas que tem o seu quê de... hum, como dizer, pertinência. Vale a pena ler.

Então ele escreve assim:

«O "romantismo" tem uma estranha conotação "feminina". Talvez noutros tempos isso fizesse sentido, por causa do gigantesco universo das leitoras de romances. Hoje, numa grande cidade, as mulheres são gélidas. Acima de determinada «classe social», nenhuma mulher se aventura em arroubos sentimentais. Em compensação, conheço dúzias de homens perdidamente românticos, miseráveis, fungantes, tremendistas, encostados à parede com Yeats e bebidas espirituosas.

Fiquei reconfortado quando encontrei a mesma experiência (com sotaque irlandês) em Monster (2004), espectáculo ao vivo do impagável Dylan Moran (Black Books):

«Não quero fazer grandes generalizações sobre as mulheres. Não estou aqui para isso. Acho de mau gosto. Só digo isto: elas não têm sentimentos.

Porque na verdade os homens é que são românticos. Os homens é que dizem coisas como:

    "Conheci uma pessoa. Ela é fantástica. Se eu não fico com ela, estou fodido. Não aguento mais. A sério. Ela transformou completamente a minha vida. Tenho um emprego, uma casa; e tudo isso já não vale nada. Não aguento mais. Tenho que estar com ela. Porque senão acabo entrevado, alcoólico e com umas calças piolhosas. E nunca mais saio à rua".

    Ora isto é o que as mulheres dizem sobre sapatos
    »

Via: http://www.estadocivil.blogspot.com/

Imagem: foto promocional do filme «Sex in the City»





Ou será publicidade enganosa?





Se fosse vivo, Che Guevara comemoria no passado dia 14 de Junho, 80 anos de vida. Ser de esquerda passa por lembrar isto:

«Hasta la vitória, siempre!»

«Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário

«Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a Primavera

«Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos

«Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra.»

«O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade.»

Para saber mais sobre Che Guevara consultar este excelente site, com biografia, galeria de imagens, pensamentos, links e bibliografia. Aqui.






É para rir ou para chorar?

1. Descobri, via Bianda, que o Guia de Cabo Verde publica algumas pérolas que deixam qualquer um de boca aberta. Aliás, o guia - ver o link aqui - começa avisando os mais incautos de que:

«O Guia Turístico de Cabo Verde que temos vindo a produzir ao longo dos anos, com o prestígio que todos lhe reconhecem, é um veículo essencial para a promoção de Cabo Verde, dando a conhecer de uma forma simples e fiável a sua história e cultura, a culinária variada, as características de cada uma das 10 ilhas e todas as informações úteis para quem escolher Cabo Verde como destino.»

2. Será mesmo assim? Senão vejamos:

3. «O processo de formação social cabo-verdiano operou-se mais por uma africanização do europeu do que por uma europeização do africano. Hoje, cerca de 70% da população é mestiça, 28% negra e 2% branca.»

Pergunta óbvia: qual é o teor de «escuridão cutânea» necessária para se poder ser considerado «negro» em vez de «mestiço»?

4. «Na costa Sul, a 10 km da cidade da Praia, a primeira capital de Cabo Verde – Ribeira Grande – revela ainda hoje a sua ascendência europeia, enquanto que as populações que habitam nas montanhas – cujos antepassados foram escravos que fugiram à repressão – denotam comportamentos culturais tipicamente africanos

Pergunta óbvia: revelar «ascendência europeia» implica falar muito no telemóvel e ter televisão em casa? Denotar comportamentos culturais «tipicamente africanos» implica ser adepto de rituais vudus e não ter água potável à disposição?

5. «Numa explicação muito sucinta, o crioulo é um dialecto resultante do cruzamento do português com as línguas das costas da Guiné (ramo mandinga). Ou dito de outra maneira, é o português profundamente alterado pelos africanos, tanto na fonética, como na morfologia, semântica e sintaxe.»

Pergunta óbvia: se o crioulo é o «português profundamente alterado pelos africanos», podemos dizer que o português é um «latim profundamente alterado pelos lusitanos»?

6. «A cultura cabo-verdiana tem o seu coração a pulsar na poesia, espelhada nas mornas, nas histórias de sabor popular e nas novelas... a sua alma gira em torno da ‘sodade’, termo que deriva da ‘saudade’ portuguesa.»

Pergunta óbvia: andamos a ver novelas demais ou o funaná, batuque e coladeira já não são o que eram?

7. «Actualmente, os escritores cabo-verdianos estão ocupados em recriar o seu enraizamento africano. Entre eles destacam-se Germano de Almeida e Corsino Fortes.»

Pergunta óbvia: como é possível que ainda não tenhamos reparado que o Germano Almeida anda, afinal das contas, ocupado há anos em recriar o seu enraizamento africano?

8. «O trabalho criativo dos artesãos populares de Cabo Verde tem sido merecidamente apoiado pelo Centro Nacional de Artesanato (que será reinaugurado em 2007), sedeado no Mindelo, e cuja função consiste em investigar, formar, produzir, comercializar e divulgar as diversas expressões do artesanato cabo-verdiano.»

Pergunta óbvia: como é possível que ainda ninguém tenha dado por isso?

9. Obrigado César Schofield por descobrires estas pérolas do Oceano.

Pergunta final, a mais óbvia de todas: tendo em conta que estamos a falar do «Guia de Cabo Verde», isto é para rir ou para chorar?


Imagem: colagem de Abraão Vicente, série «Lem di Li»







Se eu sei que sou de esquerda,
o que é que eu sei que sou?


À melhor resposta, ofereço um café

Pergunta Cafeana dedicada ao Tide, inspirada aqui






Quero-te contar, mas tens que estar preparado, não é nenhum conto de fadas nem nenhuma estórea de encantar, sabes, a minha vida toda tem sido um inferno na terra, quantas vezes não tive a tentação de mergulhar por este mar adentro para de lá não sair nunca mais, abandonar o meu corpo oprimido nestas águas quentes, quero lá saber o que depois poderia acontecer, por mim o melhor era nunca mais me encontrarem, ser devorada por algum tubarão furtivo, não deixar qualquer pista sobre o meu possível paradeiro, desaparecer, sumir de uma vez para sempre, daqui e de qualquer outro lugar. Fugir porquê. Não é fugir, não percebes, é apagar-me, ser consumida por esta água, ou mesmo por este ar rarefeito, por esta terra seca ou por algum fogo impiedoso, não deixar da minha passagem pelo mundo dos vivos qualquer sinal que não seja a minha certidão de nascimento no registo notarial ou as fotografias dos primeiros meses, quando ainda era feliz, mas demasiado nova para disso tirar algum proveito. É tarde demais para querer passar por este mundo sem mácula, sabes, estás tão presente para mim, se tu fores por esse mar afora é como se levásses uma importante parte do meu ser contigo, lembra-te que agora não estás sózinha.


Ilustração: «Waiting» by SofiG
Via: Jumento





Apenas uma das mais belas canções da história da Humanidade, cantada por uma das suas melhores vozes...





Ilustração: «Nina Simone» by Martha Rich






Nem é preciso dizer mais nada...








«Os indivíduos ainda vivem em lugares, mas como a função e o poder nas nossas sociedades estão organizadas no espaço de fluxos, o domínio estrutural da sua lógica altera de forma fundamental o significado e a dinâmica dos lugares. A experiência, por estar relacionada com lugares, fica abstraída do poder, e o significado é cada vez mais separado do conhecimento. Segue-se uma esquizofrenia estrutural entre duas lógicas espaciais que ameaça romper os canais de comunicação da socidade.

(...) O espaço de lugares é aquele que diz respeito a lugares historicamente determinados, lugares onde as pessoas vivem e interagem activamente com o seu ambiente - o espaço vivido - imaginado e real, o local de realização da experiência individual e colectiva. Por isso penso que é a partir dos espaços de lugares que se torna possível a mobilização social e a criação de formas alternativas de governação e cidadania. Neste sentido, o espaço de lugares surge como um local de resistência, de autonomia cultural em oposição ao espaço de fluxos.»

Manuel Castells, «A Era da Informação, Economia, Sociedade e Cultura»

Imagem: «keep walking» by spcemonky







Acabei de receber esta mensagem do Virgilio Brandão:


«João, a Ana voltou para a Escola, desde ontem. Telefonaram-lhe a pedir-lhe para voltar, sem mais. Não disseram nem ai nem ui, só lhe pediram para voltar, sem explicações... Não sei, ainda, se a Ministra curou somente da situação dela ou se tomou uma decisão que afecta a medida em si. Vamos esperar para ver... Abraço fraterno.

Ah!, afinal, a solidariedade sempre faz diferença. A Petição em curso é para continuar. Afinal, a Ana é somente o rosto de uma discriminação generalizada.»


E agora eu pergunto: é impressão minha ou a cidadania está a crescer em Cabo Verde muito graças a este movimento dos blogues?






          Aqui está a minha vida.
          Esta areia tão clara com desenhos de andar
          dedicados ao vento.

          Aqui está minha voz,
          esta concha vazia, sombra de som
          curtindo seu próprio lamento
          Aqui está minha dor,
          este coral quebrado,
          sobrevivendo ao seu patético momento.

          Aqui está minha herança,
          este mar solitário
          que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.

          Cecília Meireles


Nota: este é o post número 500 do Café Margoso. A efeméride só poderia ser assinalada assim. Com a poesia da palavra e da imagem. Obrigado a todos.


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